Os donos da bola

Não há mais semana no futebol inglês sem notícias relacionadas aos donos dos clubes. Infelizmente. Na semana passada, as duas principais foram no United e no Portsmouth. Sim, porque o caso Rooney pode até ter usado os donos do clube apenas como desculpa, mas o fato é que a ambição do clube foi colocada em dúvida por um de seus maiores nomes, e essa ambição, ou a falta dela, está diretamente ligada à de seus donos.
Se no United a situação é pouco clara e os donos continuam por lá, o mesmo não se pode dizer de outros clubes, de variados tamanhos. Os lanternas da Premier League, West Ham, e o Portsmouth, que se recuperou nas últimas rodadas mas chegou as ser lanterna da Segundona, têm problemas de propriedade. Assim como o Liverpool, que apenas começa a resolver os seus.
Na semana que passou os Reds saíram do noticiário do tipo, dando lugar ao Pompey. O clube está quebrado há anos, e este foi o principal motivo para seu rebaixamento no ano passado. Neste ano, começou o campeonato praticamente sem elenco, e perdeu cinco das sete primeiras partidas – a primeira vitória veio só na oitava.
Quando a coisa começava a melhorar, o acordo de reestruturação financeira do clube quse foi para o buraco, e a direção chegou a anunciar que o Portsmouth fecharia as portas definitivamente.
Assim como no caso da venda do Liverpool, na qual os ex-donos, que quebraram o clube, queriam ainda sair com algum dinheiro, no Portsmouth Milan Mandaric quis fazer o mesmo.
Nesta segunda, o debate chegou ao parlamento britânico, cujos membros advertiram o governo de que “os donos [dos clubes] são tão impotentes quanto eunucos” para resolver seus problemas financeiros.
O governo británico começou recentemente conversas que devem durar seis meses sobre o tema. A discussão, é claro, passa em alguns momentos pela xenofobia de advertir a todos sobre o perigo de “donos estrangeiros”, como se não fossem britânicos os que afundaram, por exemplo, o Leeds United, e estrangeiros muitos dos donos com trabalhos exemplares, pelo menos até aqui.
O debate começaria bem se se propusesse a diferenciar o joio do trigo. Dos trigos, aliás. Os financistas aventureiros, como Tom Hicks e Ken Bates, de empreendedores sérios, como os americanos donos do Aston Villa (Randy Lerner) e do Sunderland (Ellis Short). E estes de bilionários que rasgam dinheiro, e que, portanto, podem investir sem pensar em ver o negócio se sustentar.
Não há fórmula para dar certo, como não há receita para impedir de dar errado. Mike Ashley, dono do Newcastle, é um torcedor apaixonado do clube e, até por isso, acabou derrubando os Magpies para a Segundona. O que tem que haver, porém, são regras e diretrizes para impedir, de um lado, que se compre clubes com dinheiro emprestado e depois se tenha que quebrá-los para pagar as dívidas, como aconteceu com Liverpool e United, e de outro que dinheiro ilimitado mexa de maneira injusta com a competitividade, como nos casos de Chelsea e Man City.
Um debate longo e amplo, mas que pelo menos na Inglaterra já começou.



