InglaterraPortugalPremier League

Os causos de Bebé, o craque sem-teto levado pelo United

Um dos personagens mais folclóricos do futebol internacional é Bebé. O atacante português que foi eleito o melhor jogador da Copa do Mundo de Sem-Tetos e, meses depois, acabou contratado pelo Manchester United por € 8,8 milhões. Um negócio até hoje inacreditável e que só começa a ter explicação quando se entende a proximidade entre Sir Alex Ferguson e o empresário Jorge Mendes. Uma possível troca de favores ao homem que também levou Cristiano Ronaldo aos Red Devils.

Como muitos previam, Bebé não teve espaço em Old Trafford. Foram sete partidas pela equipe principal do United e dois gols. Ainda hoje o atacante continua vinculado ao clube, mas passou os últimos anos emprestado a Besiktas e Rio Ave, sem causar grande impacto. Se ainda tiver esperanças de brilhar com a camisa vermelha, o jogador de 22 anos precisa aproveitar o contrato que tem com os ingleses por mais duas temporadas.

Vingando ou não, Bebé já rendeu boas histórias. Boa parte delas contadas ao site português Mais Futebol, em uma entrevista impagável. O jogador fala de seu desleixo em United, da relação com Ferguson e dos desdobramentos de sua transferência. Alguns dos melhores trechos estão reproduzidos abaixo, mas as declarações na íntegra podem ser conferidas aqui.

Os causos de Bebé no Manchester United:

“Foi tudo repentino, inesperado. Estava no treino e o presidente do Vitória me chamou. Disse que tínhamos de ir depressa à casa de Jorge Mendes. Pensei que era para assinar por ele, porque eu não tinha empresário. Quando cheguei lá, Jorge me cumprimentou, sorriu e deu a notícia: ‘Quer ir para o Manchester United? Sim? Então vai’. Não acreditei. Pensei que ele estava me gozando, honestamente”.

“Os dois meses que fiz no Vitória de Guimarães foram perfeitos. Não sei se o valor foi justo ou não, mas sei que Ferguson confiou muito nas informações que lhe passaram sobre mim. Posso fazer a diferença pela forma como arranco e ganho espaço. No futebol inglês, isso é fundamental. Se calhar, Ferguson achou o mesmo”.

“Os meus colegas mais experientes diziam que eu facilitava nos treinos do United. É verdade. Pensava: ‘Estou aqui, ganho bem, não tenho que me esforçar todos os dias’. A culpa foi só minha. Brincava demais. Quando tentei ir pelo caminho certo, já era tarde. Se pudesse voltar atrás, mudaria muito no meu comportamento. Levava o United na brincadeira e todos os outros levavam muito a sério. Davam-me na cabeça e ficavam triste comigo, com razão”.

“Ferguson não intimida os jogadores, nada. Quando reclama de algum jogador, é apenas para ajudar, por sentir que esse jogador pode dar mais. Por exemplo, com Nani isso acontecia muitas vezes. Ferguson encontrava sempre um defeito em tudo o que o Nani fazia. Possivelmente achava que ele podia chegar ao nível do Cristiano Ronaldo”.

“Nunca pensei que marcaria um gol com passe de Scholes! Aliás, nessa altura, tudo era um sonho. Certo dia, coloquei a bola entre as pernas de Giggs no treino e ele veio falar comigo no fim: ‘Já podes dizer à tua mãe que me deste uma cueca (rolinho ou vãozinho, no Brasil)’”.

“Ferguson me aconselhou a cortar o cabelo. Eu entre na sala e vi que ele ficou me olhando, muito concentrado. ‘Hmmm, esse cabelo assim? Se cortar, fica com mais pinta’. Claro que fui cortar no mesmo dia. No treino seguinte ele nem me reconheceu. Passei por ele várias vezes e não percebeu que era eu”.

“Ferguson falava muito comigo nos treinos, mas eu percebia pouco. Ele tem um sotaque assustador, não dá para entender nada”.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo