Inglaterra

Os arrependimentos de Scholes com a seleção inglesa: ter se aposentado cedo de mais e não ter retornado em 2010

Paul Scholes jogou futebol profissional até ter quase 40 anos, mas sua carreira com a seleção inglesa terminou muito antes. Em 2004, após duas Eurocopas e duas Copas do Mundo, não estava satisfeito com suas atuações e queria passar mais tempo com a família. Gerrard e Lampard ganhavam protagonismo pela faixa central do meio-campo. Ainda com 29 anos, Scholes aposentou-se do futebol internacional e, em entrevista à BBC, disse que talvez não tenha sido a coisa mais sábia a se fazer.

Scholes falou que a decisão do técnico Sven-Goran Eriksson de deslocá-lo para a esquerda do meio-campo para dar espaço a Gerrard e Lampard nunca foi um problema, mas que ele simplesmente não estava mais curtindo jogar pela seleção inglesa.

“Eu me arrependo de ter saído da seleção tão cedo. Eu tinha uma família jovem naquela época e viajava com a Inglaterra por dez dias, às vezes seis semanas, e não era o ideal. Não estava gostando. Meu desempenho nos últimos 20 ou 30 jogos não foi bom o suficiente”, explicou.

Depois de sair da seleção, Scholes mudou de posição também no Manchester United. Segundo ele, Alex Ferguson queria que o meia continuasse jogando até bem depois dos 30 anos e por isso o recuou. Sua missão seria controlar o jogo, em vez de entrar na área e marcar gols. No começo, Scholes estranhou, mas passou a apreciar suas novas tarefas e lamenta não ter podido executá-las pela Inglaterra.

“Eu acabei jogando por ali por cinco ou seis anos e ter jogado ali entre meus 30 e 35 anos foi talvez o período mais gostoso da minha carreira. Eu realmente gostava daquela posição. Não estava marcando, mas ficava recuado, controlando os jogos. Eu realmente gostei. Eu encerrei minha passagem pela Inglaterra cedo demais para progredir naquela posição”, disse.

Com alguns problemas de lesão, a comissão técnica de Fabio Capello procurou Scholes para levá-lo à Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. O meia chegou a se coçar, mas, no fim das contas, achou que não seria justo com outros jogadores que haviam participado do ciclo.

“Eu estava tentado a voltar, eu ouvia sussurros o tempo inteiro, mas houve apenas um vez em que foi oficial. Antes da Copa do Mundo da África do Sul, eu havia jogado bem naquela temporada e eles tinham algumas lesões. Capello queria que eu voltasse e eu recebi uma ligação de Stuart Pearce, que estava na sua comissão técnica”.

“Eu tive alguns dias pra pensar e senti que estava jogando bem o bastante. Eu decidi que era errado, eu não havia sido envolvido nas eliminatórias e havia outros jogadores que estavam com o time há dois anos, afastando-se de suas famílias. Capello não me ligou. Se tivesse, talvez fosse diferente. Talvez ele poderia ter me forçado. É algo do que me arrependo? Provavelmente sim porque eu estava jogando realmente bem”, encerrou.

A única vez em que foi procurado para sair do Manchester United

Em 20 anos de carreira, Scholes defendeu apenas um clube. E em todo esse tempo, afirma que apenas uma vez foi procurado para sair: em 2010, pela Internazionale. Não houve negócio.

“Nunca fiquei sabendo de nenhum time que me queria. Eu recebi uma ligação de um agente, o antigo agente de Bryan Robson, ele me ligou quando estava com a seleção para a Euro de 2000, e me perguntou se eu estava interessado em jogar pela Inter, mas foi a única ligação que recebi. Nunca ouvi nada depois disso e o treinador nunca disse nada para mim”.

“Eu jogava pelo meu clube de infância, era um garoto de Manchester, estava sendo campeão o tempo inteiro. Se o treinador me dissesse que não me queria, eu definitivamente teria ido embora se algum grande clube do exterior me quisesse, mas nunca houve necessidade de pensar em Barcelona, Real Madrid ou Milan porque eu já estava no maior clube do mundo”.

“Não ganhamos tantas vezes a Champions League como deveríamos, mas éramos tão bons quanto esses times, talvez melhores”.

Elogios a Bruno Fernandes

A chegada de Bruno Fernandes no mercado de janeiro revolucionou a temporada do Manchester United, e Scholes não poupou elogios ao português. Considera-o um camisa 10, como Eric Cantona e Teddy Sheringham.

“Ele é ótimo com a bola nos pés. Ele é o elo que o United realmente precisava. Eles precisavam de qualidade no meio-campo. Ele pode passar a bola aos companheiros, tem um ótimo chute e parece um verdadeiro líder. Se pode jogar em um meio com apenas dois jogadores, ainda vamos ver, mas ele traz o que estava faltando em Old Trafford e ele parece ter ressuscitado todo mundo. O time estava jogando bem e fazendo gols”.

“Eles ainda estão atrás, mas compraram um jogador brilhante que parece ter feito tudo encaixar. Eles tinham um bom grupo de jogadores, mas precisavam daquela pessoa que pode fazer a diferença – como David Silva ou Kevin de Bruyne, que consegue colar o time com seus movimentos no ataque”.

“Eu ainda acho que eles estão um pouco para trás. Parecem bons desde a chegada de Fernandes, mas Liverpool e Manchester City estão à frente. Há três ou quatro contratações que podem ajudar, mas, pela primeira vez em muito tempo, você sente que eles podem cobrir a distância ao topo”, finalizou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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