Inglaterra

Oito rebaixados

No último fim de semana, o Fulham empatou com o Derby, por 0 a 0. Dado que os Rams são o saco de pancadas da Premier League, o resultado poderia ser considerado ruim para o time de Craven Cottage. No entanto, uma olhada na tabela mostra que o ponto ganho nesse jogo foi suficiente para fazer o Fulham subir cinco posições.

A primeira constatação, óbvia, é de que a briga contra o rebaixamento está nivelada. No entanto, olhando com mais atenção a situação das equipes, fica claro que esse nivelamento é feito por baixo.

A matemática é simples: tradicionalmente, diz-se que um time, para escapar do rebaixamento, precisa fazer 40 pontos na temporada. Ou seja, é preciso um pouquinho mais que um ponto por jogo. Por esse critério, nada menos que oito times deveriam ser rebaixados nesta temporada: Fulham, Birmingham, Wigan, Sunderland, Middlesbrough, Tottenham, Derby e Bolton.

Embora todas essas equipes tenham em comum o mau desempenho neste início de campeonato, o grupo é bastante heterogêneo.

Para começar, temos o Derby, que é barbada para o rebaixamento. Desde antes do início da temporada, já se apostava que os Rams iriam cair – e, de fato, o time não mostrou nada em campo que faça crer que ele pode escapar.

Outro que está com cara de rebaixado é o Bolton, que hoje ocupa a lanterna. O elenco dos Wanderers não é tão ruim quanto o do Derby, mas o time está totalmente desconjuntado, sem liderança e sem nenhuma perspectiva de melhora. A não ser que a diretoria surpreenda e consiga contratar um técnico realmente bom, a queda é certa.

Um grupo mais ou menos homogêneo é formado pelos recém-promovidos Sunderland e Birmingham, mais o Wigan. As três equipes estão cumprindo exatamente o papel que se esperava delas: sofrer no pé da tabela, mas jogando com disposição. Mesmo assim, seriam, em tese, os favoritos a ficar com a terceira vaga na Segundona.

Graças ao saldo de gols, o Fulham é o time que encabeça o grupo dos “rebaixáveis”, mas isso não significa, de forma alguma, que seja o melhor time. Os Cottagers começaram a temporada como uma incógnita, e é isso que continuam sendo até agora. Dentro de uma mesma partida, o time alterna momentos jogando no nível de uma equipe que vai para a Copa Uefa com lances dignos de segunda divisão. Lawrie Sanchez ainda não achou uma formação ideal, e é essa a chave para definir as chances do Fulham nesta temporada.

Finalmente, há os dois ricos que decepcionam: Middlesbrough e Tottenham. O primeiro cumpre o segundo ano seguido no pé da tabela, embora invista o suficiente para postular uma vaga na Copa Uefa. Se o presidente Steve Gibson não fosse muito, mas muito paciente mesmo, já teria demitido o técnico Gareth Southgate.

Se a permanência de Southgate no comando do Boro é inusitada, o fato de Martin Jol ainda estar à frente do Tottenham é quase um milagre. Não custa lembrar que os Spurs começaram a temporada cotados para beliscar uma vaguinha na Liga dos Campeões. Hoje, com dez rodadas disputadas, estão na zona de rebaixamento. Independentemente de ser um bom técnico, está claro que o caldo desandou para Jol, que já não tem a confiança nem da diretoria nem do elenco. Para ficar com um “morto-vivo” no comando, é melhor trocar logo de técnico – o que, aliás, a diretoria já teria feito, se Juande Ramos ou José Mourinho tivessem aceitado as propostas do clube.

É normal que, num campeonato, haja um grupo de times fraquinhos, que fazem poucos pontos. O ruim é que sejam tantos (apesar da “emoção” que esse equilíbrio proporciona). Em todo o campeonato, os oito times da rabeira só venceram três jogos contra equipes fora desse grupo – e olha que duas dessas vitórias foram contra o Reading, que também só fez um ponto por jogo, até agora. Tal tendência é chata porque torna uma grande quantidade de partidas (todas as que envolvem um dos dez primeiros contra um dos oito últimos) se tornam previsíveis.

CURTAS

– É inegável que o Arsenal é o time sensação deste início de temporada.

– Não bastasse o excelente desempenho no Inglês, a equipe meteu 7 a 0 no Slavia Praga, na Liga dos Campeões (fora o baile).

– Cesc e Walcott, dois jogadores sub-21, deram um verdadeiro show. Será que o time consegue manter o ritmo até o fim da temporada?

– Na Irlanda, aconteceu o inevitável: o técnico Steve Staunton foi demitido.

– Apesar do futebol dos irlandeses nas eliminatórias da Euro realmente ter sido pífio, era mesmo difícil imaginar que a equipe pudesse superar Alemanha ou República Tcheca.

– Por enquanto, o favorito para assumir a seleção da Irlanda é David O´Leary.

– E por falar em futebol de seleções, a Inglaterra está a dois passos de sofrer a humilhação suprema: ser ultrapassada pela Escócia no ranking da Fifa.

– Na última edição da classificação, os ingleses aparecem em 11º lugar, enquanto os escoceses figuram em 13º, sua melhor posição na história.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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