Inglaterra

O que Klopp aprendeu em 20 anos como técnico? “Não leve muito a sério. (O futebol) Ainda é só um jogo”

Em entrevista, Klopp disse que gostaria de reviver goleada sobre o Barcelona, ter treinado Gerrard e quer rodar o mundo quando se aposentar

Jürgen Klopp está satisfeito por ter sobrevivido a 20 anos como treinador, gostaria de reviver aquela goleada sobre o Barcelona na semifinal da Champions League – e de ter treinado Steven Gerrard – e, quando se aposentar, não vê a hora de conseguir conhecer o mundo.

O técnico alemão deu uma entrevista ao site This is Anfield e respondeu a várias dessas perguntas mais filosóficas, digamos assim, sobre as duas décadas desde que assumiu o Mainz e deu início a uma carreira que o transformaria em um dos melhores técnicos do mundo.

Começando com o conselho que daria ao Klopp de 20 anos atrás: “Eu sobrevivi! Não se preocupe, você ficará bem! Eu não sabia disso, obviamente, quando comecei a treinar. Você não tem ideia do que acontecerá, quanto tempo conseguirá fazê-lo e eu sempre soube, especialmente no momento em que comecei a treinar, que era o que eu queria fazer pelo resto da minha vida de trabalhador”.

“Então eu estava um pouco pressionado e, quando você tem esse tipo de pressão sobre você, não sabe quanto tempo conseguirá exercer a profissão e quanto sucesso terá. E então você se preocupa em momentos em que não é bem sucedido. Meu conselho para minha versão mais jovem seria: fique tranquilo, tudo ficará bem’.”.

O que faria diferente? “Uma ou duas escalações. Antes do jogo, eu tinha uma ideia adequada e, depois do jogo, pensei ‘Não! Isso poderia ter sido diferente!’.” Mas sabe o que ele nunca gostaria que fosse diferente? Aquela vitória por 4 a 0 sobre o Barcelona que colocou o Liverpool na final da Champions League de 2018/19, após perder o jogo de ida no Camp Nou por 3 a 0. É a partida que Klopp gostaria de reviver várias e várias vezes.

“Eu amaria ver aquele jogo de todos os ângulos do estádio. Sei que jogamos finais e vencemos finais, foi ótimo. E eu fui campeão com o Dortmund e subi com o Mainz, o que foi absolutamente insano e provavelmente seria o segundo jogo que eu veria novamente, a última rodada quando fomos promovidos pelo Mainz. Porque nos dois anos anteriores nós não conseguimos por um ponto, um gol, coisas assim, então foi difícil e esse seria outro jogo”, disse.

“Mas o jogo do Barcelona é o jogo. Eu simplesmente não acho que alguém verá isso novamente. Foi tão raro, uma situação tão especial, foi tão difícil e os rapazes conseguiram. Esse é o jogo que eu gostaria de ver novamente”, completou.

Há seis anos em Liverpool, o que deixou Klopp mais surpreso foi a paixão pelo clube. “Eu sabia sobre ela, mas não sabia da intensidade. O Liverpool é obviamente um grande clube, uma marca global e tudo isso, mas, por dentro, somos pequenos, no bom sentido, muito unidos”, afirmou.

“Quando eu estava no Mainz, eu era jogador e treinador, então eu nunca tive que mudar nada, eu podia usar as mesmas roupas e ninguém me pedia para me comportar como se fosse o treinador. No dia anterior eu era jogador, então por que mudaria? Isso era bem relaxado”.

“E aí eu vou para o Dortmund e pensei que deveria mudar, clube grande, coisas assim. No começo, eu vestia calças jeans e uma camiseta durante os jogos porque eu achava que não podia ficar correndo o tempo inteiro usando calças de treino, moletom ou coisas assim”.

“Mas depois de quatro ou cinco jogos, eu pensei ‘ah que seja’ e voltei a usar. E depois no Liverpool você começa a pensar novamente que é o caso. Mas eu já estava crescido, maduro, e não precisei mudar novamente. Então foi muito legal poder ser quem eu sou, como eu sou ou poder permanecer quem eu sou e como eu sou em um clube tão grande. Fiquei surpreso com isso, ou talvez não surpreso, mas muito satisfeito”, disse.

E o que aprendeu como técnico que levará para o resto da vida? “Não leve (a vida) muito a sério. Eu sei que é importante para todos nós, mas as pessoas fazem muito fuzuê por causa de futebol. Há vários momentos em que penso ‘ainda é só um jogo, não se esqueça disso’. Eu sei que somos pressionados em situações em que treinadores são demitidos e muitas coisas acontecem no mundo e no futebol, então eu penso muito em ficar calmo, não levar muito a sério. Ainda é um jogo. Eu sabia disso desde o começo”, contou.

Como não é nada bobo, Klopp tinha na ponta da língua o jogador de qualquer época que gostaria de ter treinador. “Essa é fácil. Stevie (Gerrard). Quando jogamos em Sydney três ou quatro anos atrás depois da temporada (amistoso contra o Sydney FC) não tínhamos um time e convidamos Steve McManaman, Daniel Agger, Jamie Carragher e Stevie. Para ser honesto, eu conhecia o Liverpool e eu o via jogando, claro, e todos ainda eram muito bons, mesmo mais velhos”.

“Mas Stevie, que jogador ele ainda era! Eu acho que ele já estava aposentado, mas talvez era técnico da base aqui. Incrível. Stevie e eu juntos, ele como o cara em campo e eu como técnico, teria sido legal. Seis anos atrás, teria sido uma resposta diferente, mas agora estou aqui e eu o conheço como pessoa e como jogador, então foi uma resposta fácil”, disse.

Klopp ainda tem 54 anos e contrato com o Liverpool até 2024. A aposentadoria talvez ainda esteja longe, mas, quando chegar, ele aproveitará o tempo livre para conhecer o mundo. “Eu fui um pai jovem, e um jogador médio, e isso significa que eu não tinha tempo ou dinheiro para ver o mundo. Eu virei treinador e imediatamente não tinha mais tempo, mas um pouco mais de dinheiro. Eu poderia ver o mundo, se quisesse, mas ainda não tenho tempo”.

“Quando a temporada termina – e eu poderia viajar muito mais durante o verão – eu deito ao fim da linha de chegada respirando fundo após uma corrida de 100 metros rasos pelas primeiras duas semanas. Não é que você sai de férias, viaja e dá uma olhada em um catedral ou algo assim. Você deita no sol, em algum lugar do mundo, pelas primeiras duas ou três semanas. E depois geralmente começa novamente. Tudo bem, é só para dar uma olhada no que tem lá fora”.

“Eu tenho certeza que sou o treinador ao qual é mais perguntado o que farei quando me aposentar. Eu ainda tenho três anos de Liverpool e isso é muito, muito tempo no futebol. E espero que sejamos o mais bem sucedidos possível nesse período e ainda não estou nem com um dedo no período depois da minha carreira. Estou totalmente aqui, cheio de energia e quero ir o mais longe possível e vamos ver onde terminaremos”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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