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O patrocínio que pode fazer o Newcastle perder um ídolo

Papiss Cissé precisou de algumas semanas para se tornar um dos maiores ídolos do Newcastle. O senegalês desandou a marcar gols com os Magpies no início de 2012 e, embora não tenha mantido a sequência na última temporada, continuou sendo um dos preferidos da torcida. Uma posição agora em xeque, já que o centroavante se recusa a vestir a nova camisa do clube.

O problema de Cissé, no entanto, é bem maior que uma mera desavença com dirigentes. A partir de 2013/14, o Newcastle será patrocinado pela Wonga, empresa do ramo de empréstimos. A prática fere o islamismo e, para não desrespeitar a companhia, o camisa 9 não pretende estampar a marca da companhia no peito.

Além de Cissé, outros jogadores muçulmanos compõem o elenco do Newcastle, entre eles Cheick Tioté e Hatem Ben Arfa. E, ao que tudo indica, a torcida deverá ficar ao lado de seus ídolos. Na época em que o contrato foi assinado, vários movimentos pela anulação foram iniciados, acusando a prática da Wonga de “agiotagem legalizada”. Algo parecido com o que aconteceu no Bolton, onde a comunidade pressionou o clube a cancelar o patrocínio de uma empresa do mesmo gênero.

Enquanto o clube não se posiciona sobre a situação, os atletas são apoiados pela Associação Profissional de Futebolistas (PFA): “Todos estamos cientes que os clubes precisam gerar dinheiro. Entretanto, se alguém sente que isso é muito incompatível com o que acredita, alguma solução precisa ser encontrada. Ele é um jogador fantástico e acho que o Newcastle precisa fazer o máximo para que ele continue marcando gols sem comprometer suas crenças”, declarou Bobby Barnes, chefe da PFA.

Uma solução possível para o impasse foi adotada pelo Sevilla em 2007, quando Frédéric Kanouté se recusou a vestir a camisa patrocinada pelo site de apostas “888.com”. Para não perder o atacante, os rojiblancos autorizaram que ele cobrisse o logotipo da empresa. Resta saber se o contrato com a Wonga permite uma ação do tipo.

Enquanto isso, o Newcastle precisa analisar friamente qual caminho a seguir. Se respeita o contrato de patrocínio que renderá o dobro de dinheiro ao clube ou se agrada jogadores e torcedores contrários ao acordo. Com qualquer ação mais radical, os Magpies sairão perdendo de alguma forma. Caso não consigam equilibrar interesses, terão que escolher pela fidelidade ao mercado ou aos seus funcionários e seguidores.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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