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O mínimo que se espera do Liverpool é a dedicação que levou à vitória contra o Stoke

A fase do Liverpool é difícil. O time apresenta um futebol sofrível, não consegue se impor contra adversários mais fracos e tem seus principais jogadores em má fase. Não há no time aquele que decida o jogo. Mais do que a falta de um Luis Suárez, tão fundamental, falta ao Liverpool alguém capaz de chamar a responsabilidade no campo de ataque. Os Reds estão em sério conflito com o gol. Criar chances e converter tem sido um sufoco. Neste sábado, não foi diferente. O time enfrentou o Stoke, um time tecnicamente fraco, e sofreu. Sofreu muito. A vitória por 1 a 0 veio e a comemoração foi como se o time tivesse vencido um timaço. Não por acaso. Eram cinco jogos sem vitória. Era preciso vencer. A vitória deixou um gosto doce na boca do torcedor. E a vitória veio porque o time não deixou faltar um elemento básico, o mínimo que a fanática torcida espera: dedicação.

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O jogo teve só um gol, pra lá de chorado, conseguido em um cruzamento que resultou em uma bola na trave e gol no rebote.Um gol chorado que, à altura que saiu, 41 minutos do segundo tempo, parecia que não sairia. Apesar de dominar as ações, o Liverpool criava pouco. Nem Coutinho, nem Sterling, nem Lambert pareciam estar em um dia particularmente feliz. Mas o gol veio, em cruzamento de Henderson, em uma cabeçada bem feita por Lambert que tocou a trave e em um peixinho corajoso de Glen Johsnon, que nem comemorou: se machucou no lance por ter tomado uma pancada na cabeça.

Apesar da partida fraca, há boas notícias. A defesa foi bem. Kolo Touré e Martin Skrtel estiveram bem na partida, dando poucas chances ao ataque do Stoke – que, é bem verdade, não incomodou muito. Lucas Leiva e Joe Allen contribuíram muito com isso. Os dois formaram a dupla de volantes no meio-campo e o time esteve bem na marcação. Gerrard, o capitão, começou no banco, com a justificativa que ele precisa descansar. Sterling e Henderson tentaram aparecer, mesmo sem terem grande atuação. Coutinho esteve bem abaixo do que pode.

O gol saiu no final do jogo, mas isso não impediu a torcida de sofrer entre a bola ir para a rede e o juiz apitar o fim do jogo. Foram sete minutos de acréscimos, o que deixou a torcida no estádio Anfield Road roendo unhas. O lance mais perigoso veio em um rebote. Bojan – sim, ele mesmo – pegou de primeira, bonito, e obrigou Mignolet a uma boa defesa. Depois, o Liverpool segurou os minutos finais e saiu de campo com a vitória.

Vale ressaltar a atuação de Rickie Lambert, que participou diretamente do lance do gol. Mesmo sem estar em seus melhores dias, o atacante não se esconde e tem começado a fazer no Liverpool um pouco do que se acostumou a fazer no Southampton, atando como pivô e abrindo espaço para outros jogadores. Isso é algo que ele pode fazer bem, mesmo sem estar no nível dos grandes atacantes do mundo. Mas está longe de ser só um jogador alto, forte e finalizador. Embora seja lento, é inteligente e isso o torna um jogador melhor. Se o nível dele não está em equivalência com os grandes atacantes do mundo, ao menos ele se mostra útil. E mais: tem vontade. Algo que Mario Balotelli ainda não conseguiu. O italiano até se esforçou nos jogos que esteve em campo, mas fez pouco pelo time. Lambert entrou bem e não saiu mais justamente por se dedicar e mostrar-se útil. Essa é também ma boa notícia aos Reds.

Com 17 pontos, o Liverpool ainda está muito distante de qualquer disputa no alto da tabela. Mas para começar a subir, é preciso vencer, e vencer em sequência. Os torcedores do Liverpool esperam que essa seja a primeira de uma série de vitórias. Se não jogando tão bem quanto na temporada passada, ao menos se dedicando e acreditando até o último minuto. Uma torcida tão fanática como a que encheu Anfield espera no mínimo isso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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