Inglaterra

Vitória do Ipswich na segundona inglesa foi uma aula das regras peculiares do torneio

Noel Hunt chegou ao Ipswich Town por um empréstimo emergencial. Nas divisões inferiores da Inglaterra, isso é comum: as equipes têm duas janelas para pegar jogadores emprestados por um tempo limitado. Hunt mesmo deverá retornar ao Leeds no início de janeiro. Portanto, tem pouco tempo para passar uma boa impressão no Ipswich – e parece pronto para isso. Neste sábado, em sua estreia pela equipe, entrou no fim da partida contra o Charlton, fora de casa, e, aos 50 minutos do segundo tempo, fez o gol da vitória por 1 a 0. Detalhe: no momento em que balançou a rede, sua camisa não tinha estampados seu nome e número. E pode? Na Inglaterra, sim.

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Comecemos pelas transferências emergenciais. Por um período de quase três meses (nesta primeira metade de temporada, entre 9 de setembro e 27 de novembro), os clubes das segunda, terceira e quarta divisões da Inglaterra podem contratar, em caráter emergencial, jogadores por empréstimo, mas apenas aqueles que já estejam atuando no país. Há outra janela de empréstimos emergenciais no início da segunda parte da temporada, entre fevereiro e março. Nessas janelas, os clubes podem acertar empréstimos com duração entre 28 e 93 dias. Hunt, herói do jogo deste sábado, por exemplo, ficará no Ipswich até o dia 3 de janeiro.

A partida contra o Charlton não poderia ter sido mais especial (e repleta de elementos) para Hunt. O atacante não tinha espaço no Leeds. Havia feito apenas dois jogos nesta temporada, e seu último gol pelo time principal havia sido marcado apenas em janeiro de 2013. Neste sábado, também teve pouco tempo, afinal chegou há dois dias, mas o bastante para deixar sua marca. Entrou aos 38 da segunda etapa e, nos 11 minutos que teve em campo, sangrou, trocou de camisa e decidiu a vitória- sem número algum às costas.

Embora nenhum jogador possa ser relacionado para uma partida sem numeração determinada, na Inglaterra, diferentemente de outros países, como a Espanha, há uma exceção para o caso de o atleta precisar trocar de camisa, caso ela seja rasgada ou manchada com sangue, que lhe permite atuar sem o número às costas. Como Hunt era reserva e havia acabado de chegar, não haviam levado mais de uma camisa com o nome do atacante e o número 16 às costas. Resultado? Na imagem da comemoração do gol, nada de estampas na camisa de Hunt.

Sangue e falta de identificação à parte, Hunt teve uma atuação curta, mas para ficar gravada em sua cabeça. Se sua intenção for a de ser produtivo para o Ipswich ao mesmo tempo em que mostra ser capaz de ter mais espaço no Leeds, quando voltar, o início já foi promissor.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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