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O jogo mais melancólico da PL afunda Reading e QPR

A apreensão para o jogo no Estádio Madejski era evidente. Reading e Queens Park Rangers faziam um jogo de morte ou morte pela Premier League. O vencedor agarraria o fio de esperança restante na competição, dependendo de um verdadeiro milagre nas três rodadas finais para se salvar. O perdedor estaria automaticamente relegado à Championship, a segunda divisão inglesa, com três rodadas de antecedência.

Prevaleceu o acordo de cavalheiros. O empate por 0 a 0 não poderia representar maior melancolia para os dois clubes, ainda que ambos tenham lutado pelo triunfo. Reading e QPR morrem abraçados e disputarão juntos a segundona na próxima temporada. Nada mais justo. Os Royals passaram apenas cinco rodadas fora da zona da degola, enquanto os Hoops respiraram aliviados apenas na segunda rodada.

O descenso acaba punindo erros de planejamento diferentes. Em momento algum o Reading demonstrou ter potencial para evitar o retorno à Championship, logo após ser campeão. Sem grandes gastos no mercado de transferências, os Royals demoraram 12 rodadas até alcançarem a primeira vitória. O melhor momento veio em janeiro, quando o time acumulou quatro triunfos em seis rodadas e Brian McDermott foi eleito o melhor técnico do país. A partir de então, foram sete derrotas consecutivas e o treinador acabou demitido.

O Queens Park Rangers, por sua vez, frustrou bem mais seus torcedores. Bancado pelo magnata Tony Fernandes, trouxe diversos medalhões. Apesar do elenco estrelado, não montou uma equipe. Venceu apenas um de seus primeiros 20 jogos e, quando parecia mudar seu destino, com a chegada de Harry Redknapp, não teve forças suficientes para a recuperação. Por detalhes, acumulou muitos empates durante o segundo turno e deixou escapar pontos importantes para a fuga.

Para a próxima temporada, também, perspectivas totalmente distintas. Entre os dois, certamente o Reading está mais seguro sobre seu futuro. O sistema de distribuição de dinheiro da Premier League garante um bônus aos times rebaixados. Mantendo o elenco e investindo bem o dinheiro, pode disputar novamente o acesso em breve.

o QPR precisa rever totalmente suas metas. Várias estrelas deverão deixar o clube com o rebaixamento – entre elas, o goleiro Júlio César, o melhor do time na temporada. O bônus tem serventia, mas não está no mesmo patamar do dinheiro recebido na Premier League, abaixo do necessário para bancar a folha de pagamentos. E, embora tenha prometido não deixar o clube em caso de fracasso, Tony Fernandes deve repensar o objetivo de colocar os Hoops entre os maiores clubes da Europa. Talvez o retorno à PL venha mais rapidamente. Sem dúvidas, com um custo maior – nas contas e nos planos.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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