Inglaterra

O estranho Caso Bebê

Estava esperando uma semana sem notícia para falar da contratação mais bombástica da pré-temporada inglesa Nesta semana, vamos combinar, a maior notícia é a goleada do Newcastle, mas, como os Magpies perderam feio do United na semana passada e o Villa ganhou na mesma rodada, vou esperar um pouco para falar tanto de um quanto do outro. E, fora isso, nada saiu muito do óbvio, certo? Bebê, então.

Evidentemente não tenho ideia de como joga o cara, assim como, até duas semanas atrás, nunca tinha ouvido falar nele. Não só eu, aliás. Alex Ferguson também nunca viu jogar. E, parece, contrataram porque Carlos Queiroz recomendou.
No final de semana, Nani perdeu um pênalti, e o United apenas empatou com o Fulham.

Tudo bem, jogar lá sempre é difícil, os Red Devils costumam sofrer, mas se pretende perseguir o Chelsea até pelo menos o natal, o time não pode perder oportunidade nenhuma. Vamos imaginar então o seguinte: se tivesse Mezut Ozil, o United teria ganho? Seria uma equipe mais forte? Pois bem: Chris Smalling +Bebê=Ozil.

Com o dinheiro gasto no beque do Fulham, cara que ninguém mais pensou em contratar e sobre quem pouco se falou, somado ao pago no ilustre portugês sem teto, o United teria contratado Ozil. Por que não o fez é difícil de explicar. Smalling é zagueiro, posição na qual o United até tem carência, mas para a qual tem o jovem Evans, além de Cathcart – não sei se joga bem, mas era cotado como zagueiro de futuro pelo oráculo Football Manager. E não é que Smalling seja hoje o que era Rio Ferdinand quando foi para o Leeds. Na verdade, o jogador nem ao menos era titular no Fulham.

Smalling, porém, foi visto por Ferguson, e por mais uma porrada de gente. Pode vir a ser um grande zagueiro. Ferdinand vem caindo de produção, O’Shea teve que ser titular há duas temporadas, há uma carência no elenco. E não havia tantas outras opções. Mais: a contratação aconteceu no ano passado, quando ainda havia dinheiro no clube. O que diminui a sensação de erro.

O que dizer, porém, sobre Bebê? Ninguém sabem ninguém viu. Foi descoberto em um Mundial dos Sem Teto (alô, olheiros, o próximo é por agora, no Rio). Jogava no Estrela da Amadora, um time tão experssivo que ninguém nem sabe direito se esse “da” está no nome ou não. O time, aliás, quebrou. Bebê ficou livre para assinar com quem quisesse. Assinou com o Vitória de Guimarães. NUNCA JOGOU PELO VITÓRIA! E o United pagou 7 milhões de libras nele.

Vamos lá: se alguém o viu jogar, não foi em Guimarães. O time de Amadora joga a expressiva terceira divisão de Portugal. (Me diz a Wikipedia, aliás, que o Estrela da Amadora usa as cores do Fluminense, tem a história lá de porque). Joga com o Pampilhosa! Com o Marítimo B! E não foi campeão, muito antes pelo contrário, foi o 10o.

Pois bem: se tivesse nesse time um jogador que valesse 7 milhões de libras, não seria de se esperar que ele seria tão melhor que todo o resto que o time acabaria por se sobressair? Não foi, porém, o que aconteceu. E, ainda que o cara fosse bom, se viram ele ainda no Estrela, por que não assinaram o contrato em MAIO, quando ele era de graça?

Aí fica a pergunta: se Vanderlei Luxemburgo contratasse um cara nesses moldes, o que é que iam dizer? E por que é que isso não virou um escândalo na Inglaterra? Para mim é inexplicável. Podia ter o Ozil, mas tem Smalling e Bebê. Até comenta-se, mas não vi ninguém ltrajado. E é um ultraje.

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Equipe Trivela

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