Inglaterra

O dono da esquerda

 Não se engane com o que diz Harry Redknapp: Gareth Bale só não foi mandado embora do Tottenham por seu treinador porque ninguém quis pagar o que a direção queria receber. O galês foi nomeado neste final de semana pela Professional Footbalers Association como jogador do ano na Inglaterra – o quarto galês a ganhar o prêmio (Ian Rush, Mark Hughes e Giggs são os outros).

Não é que fosse óbvio, ou que não houvesse outros bons candidatos, mas é justo. Bale foi um dos nomes da temporada, ainda que o Tottenham não tenha apresentado em nenhum momento uma ameaça ao título. Além de Bale, foram indicados ao prêmio mais seis jogadores: os meio-campistas Charlie Adam, do Blackpool, Samir Nasri, o Arsenal, Scott Parker, do West Ham, e Rafael van der Vaart, companheiro de Bale no Tottenham, além de Carlitos Tevez, do Man City, e de Nemanja Vidic, zagueiro do United.

Adam teve um excelente início de temporada, mas caiu de rendimento junto com sua equipe, que agora briga para não cair. Assim como Nasri. Carlitos podia ter ganho o prêmio facilmente, mas também sumiu em importantes oportunidades. Scott Parker e Rafael van der Vaart não caíram, foram até mais regulares do que Bale, assim como Vidic. Nenhum deles, entretanto, teve tantos momentos espetaculares como o galês. Na lista faltaram dois jogadores do United: Nani, que tem impressionante número de assistências na liga, e Berbatov, que, sem que ninguém fale dele, marcou 21 gols em 31 jogos até aqui.

Bale tem 21 anos, faz 22 em junho. Quando chegou aos Spurs, imaginava-se que seria lateral-esquerdo – tanto que seu número é o 3. Chegou do Southampton cotado, aos 17 anos, mas contusões e falta de oportunidades atrasaram seu desenvolvimento.
Redknapp pode dizer o que quiser, mas o Tottenham sofreu anos sem ter ninguém para jogar pela esquerda – fazendo o contraponto com Lennon –, mas demorou para que seu treinador desse a Bale a oportunidade de jogar por ali. O que aconteceu absolutamente por acaso, como acontece – ou aconteceu – com Kranjcar e Bentley. Redknapp gosta como poucos de contratar jogadores, e é provável que, se tivesse tido esta possibilidade, Bale estivesse hoje no Aston Villa ou no Sunderland.

E se o meia vinha aparecendo bem, o jogo que marca a virada na carreira de Bale é sem dúvida o 4 a 3 diante da Inter em Milão. Para quem não se lembra, naquela partida os Spurs levavam pesado 4 a 0 nas costas quando o galês resolveu jogar – e marcou os três gols de seu time. Bastou para que o mundo quisesse Bale.

Tudo dependerá, claro, dos Spurs se classificarem ou não para a Liga dos Campeões. Ainda assim, é difícil imaginar a direção segurando Bale se houver uma proposta milionária. É bom lembrar, entretanto, que o Tottenham não vende barato jogador que tem mercado – Carrick e Berbatov são a prova disso.

Em Londres ou fora dali, é provável que este ano tenha visto surgir um jogador para marcar época no futebol mundial. Habilidoso, rápido e sem a marra dos craques que nascem celebrados, Bale tem futebol e atitude para jogar praticamente em qualquer time do mundo. Ganhou o prêmio merecidamente, mas a verdade é que não tem sido uma temporada de destaques individuais significativos no futebol inglês. Vai para Gales com justiça, portanto. Que seja o primeiro de muitos para o jovem talento.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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