O dia que a mágica de Giggs eliminou o Arsenal da Copa da Inglaterra
A história do confronto entre Manchester United e Arsenal é rica e há histórias que merecem ser contadas, como o duelo semifinal entre esses dois times no Villa Park, em 1999. Foi o ano da tríplice coroa dos Diabos Vermelhos e aquela vitória por 2 a 1 sobre o Arsenal doi um dos momentos marcantes do time que conquistaria o Campeonato Inglês, a Copa da Inglaterra e a Champions League de maneira dramática contra o Bayern de Munique, em Barcelona.
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O jogo da classificação do Manchester United sobre o Arsenal já foi o replay. O primeiro jogo, disputado no dia 11 de abril, tinha terminado 0 a 0. Os dois times tiveram que voltar a campo três dias depois, no mesmo campo, o Villa Park, do Aston Villa. Desta vez, os gols apareceram. E logo das estrelas.
Quem abriu o placar aos 17 minutos de jogo foi o Spice Boy, David Beckham – foi naquele ano, aliás, que ele se casou com a então Spice Girl Victoria Adams, que se tornou, então, Victoria Beckham para a posteridade. O camisa sete acertou um belo chute de fora da área, uma das suas especialidades, para marcar 1 a 0. O Arsenal, porém, chegou ao empate com outro jogador consagrado.
O holandês Dennis Bergkamp teve espaço e, também de fora da área, acertou o chute no canto e igualou o marcador aos 24 minutos do segundo tempo. O empate levou o jogo para a prorrogação. Mais drama, já que os dois times já tinham empatado o jogo de ida. O jogo ganhou em dramaticidade. Nicolás Anelka (sim, AQUELE) teve um gol anulado por impedimento. O Arsenal parecia perto de marcar. Roy Keane (sim, também é aquele) deu uma entrada dura no adversário, recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso.
No último minuto do tempo normal, pênalti para o Arsenal. Uma chance de ouro para marcar e garantir a classificação. Bergkamp foi quem teve a responsabilidade de bater. Seria o seu segundo gol e o seu nome ficaria marcado na classificação. Ele cobrou, mas o goleiro Peter Schmeichel defendeu e manteve o Manchester United vivo, quando tudo parecia perdido. Bom, naquele ano, não seria a última vez que veríamos o Manchester United fazer isso.
O equilíbrio era grande dos dois lados. O que decidiu, então, foi a magia. A magia de um camisa 11 que entrou no segundo tempo para fazer uma das jogadas mais bonitas da sua vida. Ryan Giggs recebeu a bola no meio-campo e tinha muito espaço. Avançou, avançou… E o técnico Alex Ferguson, no depoimento que você verá, pensava: “Passe a bola, passe a bola”. Ele seguiu com ela, foi até dentro da área e chutou forte, no canto do goleiro e marcou o gol da vitória, aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação. Gol de placa, gol de classificação. Gol essencial para tornar aquele ano do United inesquecível.

“Não é fácil aceitar a derrota, mas o que você pode exigir de um time é que ele dê tudo. Eu estou muito triste hoje porque não foi a nossa noite e não tivemos sorte. Isso é futebol”, declarou o técnico Arsène Wenger depois do jogo. “Os dois times estão muito próximos um do outro e no final o mais sortudo venceu”, continuou. “Não há descrédito. Eu gostaria apenas de parabenizar o Manchester United. Eles foram fantásticos. Eu estou muito triste porque eles mostraram novamente que são um grande time”, afirmou.
Até hoje a derrota incomoda Wenger. O técnico lembra com dor aquela derrota, depois de ver o time ficar tão perto da classificação. “Eu ainda consigo ouvir os gritos do time do United, ao ganhar, eles não acreditavam porque eles estavam com um jogador a menos”, relembra o técnico, em entrevista antes do jogo desta segunda-feira, também pela Copa da Inglaterra.
“O jogo teria acabado se o Bergkamp marcasse o gol de pênalti, mas isso significou mais que apenas uma vitória para eles ao vencer esse jogo. Foi um trauma para nós de uma forma negativa e para eles de forma positiva. Bergkamp nunca mais quis bater um pênalti e isso os colocou no caminho”, analisou ainda Wenger. “Aquele gol decidiu a campanha deles. Eles acabaram ganhando a liga por uma pequena margem e eles venceram a Champions League no último minuto. Foi um ano miraculoso. Um gol mudou tudo”, declarou ainda o técnico do Arsenal.
A Football Association (FA) colheu depoimentos sobre aquele jogo com alguns dos principais personagens. O Manchester United venceria a final contra o Newcastle, em Wembley, por 2 a 0, no dia 22 de maio. Quatro dias depois, o time levantaria a taça da Champions League, contra o Bayern de Munique, em mais um drama.



