Inglaterra

O Nottingham Forest é capaz de ser o novo Leicester City? Ou o velho Forest de novo?

Sensação da Premier League, Forest segue atrás do Liverpool, mas já faz parte da mesma conversa que Brian Clough

Conseguiu a grande façanha de vencer o Liverpool fora de casa, e acabou de segurar um empate diante da sua própria torcida. A qualidade do próprio Liverpool é o grande empecilho – o time de Arne Slot está seis pontos na frente – mas ainda assim vale a pergunta: será que o Nottingham Forest é capaz de ser o novo Leicester City?

Mas acho que tem uma pergunta até mais profunda para a torcida do clube: será que o Nottingham Forest é capaz de ser o velho Nottingham Forest?

Porque tem exatamente 50 anos desde que um técnico falastrão chamado Brian Clough assumiu lá no Forest com o clube na segundona. Um pouco mais de cinco anos depois, o clube conquistou não somente o campeonato inglês, mas também o título da Europa — duas vezes.

Clough já tinha usado a sua vara mágica. Fez um milagre parecido com o Derby County, uma cidade na mesma região, pegando o clube na segunda divisão e construindo um time que ganhou a liga, também chegando longe na taça continental. Mas, no intervalo, fracassou totalmente.

Pegou o então campeão Leeds United e durou 44 dias até ser demitido. E depois parecia bem perdido no litoral do sul, quase afundando no mar com Brighton. O Nottingham Forest, então, foi a segunda vinda de Brian Clough.

O futebol do Nuno Espírito Santo, o técnico atual, é um pouco menos expansivo do que na época de Clough, que era obcecado com a bola no chão, viajando suavemente de jogador em jogador. Mas tem semelhanças.

Como Nuno é diferente (e semelhante) de Brian Clough

Primeiro, Clough era um simplificador. Nada de firulas, com ele o time estava sempre construído ao redor de uma dorsal forte — goleiro, zagueiro central, volante central, centroavante. Uma vez estabelecido isso, dava para adicionar os pontas – para munir o centroavante, e os laterais, para proteger a zaga.

Funções bem claras: ganhar os duelos, especialmente no ar, nas duas grandes áreas, toque e mobilidade no meio-campo.

E o que impressiona no time atual é justamente a clareza da ideia. O Forest de Espírito Santo tem um ar de um time retrô – bloco baixo com uma defesa muito bem organizada e velocidade alucinante no contra-ataque.

Todo mundo está bem ciente do seu papel na engrenagem — e isso se aplica especialmente para o centroavante Chris Wood, que marcou o gol de seu time contra o Liverpool.

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Chris Wood, o maior exemplo de como funciona o Forest

Dá até para ver os pensamentos do veterano atacante neozelandês. Recebendo a bola fora da grande área – como posso combinar? Bola dentro – como posso finalizar?

Jogar bem quer dizer escolher bem, e, cercado com opções de velocidade, Wood está cumprindo a sua função com uma eficácia que com certeza iria agradar Brian Clough.

E tem mais uma semelhança. O Forest é o clube número 12 que Wood defende na Inglaterra. No anterior, o Newcastle, ele foi quase um homem esquecido, recebendo poucas oportunidades. Quem imaginava que, com 33 anos, ele ia ser um dos jogadores de mais destaque na temporada?

Chris Wood comemora após marcar o gol do Forest contra o Liverpool (Foto: Imago)
Chris Wood comemora após marcar o gol do Forest contra o Liverpool (Foto: Imago)

E o outro herói do empate contra o Liverpool foi o goleiro belga Matz Sels, mais um que já tem a experiência de ficar esquecido aquiescendo o banco de suplentes do Newcastle.

O Forest de Clough também teve isso. Era um time cheio de desajustados e ignorados. Mas Clough (e o seu assistente Peter Taylor, um olheiro sensacional) soube identificar o potencial e, usando uma mistura de medo e admiração, foi capaz de colocar o jogador num contexto coletivo onde rendeu o seu melhor.

Nuno Espírito Santo está fazendo uma coisa parecida. Portanto, duvido muito que a história vai acabar com o título europeu. Mas, nesses tempos de distâncias financeiras tão grandes entre os clubes, fazer parte da mesma conversa de Brian Clough é um título em si.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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