O Nottingham Forest é capaz de ser o novo Leicester City? Ou o velho Forest de novo?
Sensação da Premier League, Forest segue atrás do Liverpool, mas já faz parte da mesma conversa que Brian Clough
Conseguiu a grande façanha de vencer o Liverpool fora de casa, e acabou de segurar um empate diante da sua própria torcida. A qualidade do próprio Liverpool é o grande empecilho – o time de Arne Slot está seis pontos na frente – mas ainda assim vale a pergunta: será que o Nottingham Forest é capaz de ser o novo Leicester City?
Mas acho que tem uma pergunta até mais profunda para a torcida do clube: será que o Nottingham Forest é capaz de ser o velho Nottingham Forest?
Porque tem exatamente 50 anos desde que um técnico falastrão chamado Brian Clough assumiu lá no Forest com o clube na segundona. Um pouco mais de cinco anos depois, o clube conquistou não somente o campeonato inglês, mas também o título da Europa — duas vezes.
50 years ago today, Brian Clough became our manager. ❤️ pic.twitter.com/OBqqbcf9sW
— Nottingham Forest (@NFFC) January 6, 2025
Clough já tinha usado a sua vara mágica. Fez um milagre parecido com o Derby County, uma cidade na mesma região, pegando o clube na segunda divisão e construindo um time que ganhou a liga, também chegando longe na taça continental. Mas, no intervalo, fracassou totalmente.
Pegou o então campeão Leeds United e durou 44 dias até ser demitido. E depois parecia bem perdido no litoral do sul, quase afundando no mar com Brighton. O Nottingham Forest, então, foi a segunda vinda de Brian Clough.
O futebol do Nuno Espírito Santo, o técnico atual, é um pouco menos expansivo do que na época de Clough, que era obcecado com a bola no chão, viajando suavemente de jogador em jogador. Mas tem semelhanças.
Como Nuno é diferente (e semelhante) de Brian Clough
Primeiro, Clough era um simplificador. Nada de firulas, com ele o time estava sempre construído ao redor de uma dorsal forte — goleiro, zagueiro central, volante central, centroavante. Uma vez estabelecido isso, dava para adicionar os pontas – para munir o centroavante, e os laterais, para proteger a zaga.
Funções bem claras: ganhar os duelos, especialmente no ar, nas duas grandes áreas, toque e mobilidade no meio-campo.
E o que impressiona no time atual é justamente a clareza da ideia. O Forest de Espírito Santo tem um ar de um time retrô – bloco baixo com uma defesa muito bem organizada e velocidade alucinante no contra-ataque.
Todo mundo está bem ciente do seu papel na engrenagem — e isso se aplica especialmente para o centroavante Chris Wood, que marcou o gol de seu time contra o Liverpool.
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Chris Wood, o maior exemplo de como funciona o Forest
Dá até para ver os pensamentos do veterano atacante neozelandês. Recebendo a bola fora da grande área – como posso combinar? Bola dentro – como posso finalizar?
Jogar bem quer dizer escolher bem, e, cercado com opções de velocidade, Wood está cumprindo a sua função com uma eficácia que com certeza iria agradar Brian Clough.
E tem mais uma semelhança. O Forest é o clube número 12 que Wood defende na Inglaterra. No anterior, o Newcastle, ele foi quase um homem esquecido, recebendo poucas oportunidades. Quem imaginava que, com 33 anos, ele ia ser um dos jogadores de mais destaque na temporada?

E o outro herói do empate contra o Liverpool foi o goleiro belga Matz Sels, mais um que já tem a experiência de ficar esquecido aquiescendo o banco de suplentes do Newcastle.
O Forest de Clough também teve isso. Era um time cheio de desajustados e ignorados. Mas Clough (e o seu assistente Peter Taylor, um olheiro sensacional) soube identificar o potencial e, usando uma mistura de medo e admiração, foi capaz de colocar o jogador num contexto coletivo onde rendeu o seu melhor.
Nuno Espírito Santo está fazendo uma coisa parecida. Portanto, duvido muito que a história vai acabar com o título europeu. Mas, nesses tempos de distâncias financeiras tão grandes entre os clubes, fazer parte da mesma conversa de Brian Clough é um título em si.



