Inglaterra

Nicolas Pépé fez o Arsenal quebrar a banca para acrescentar ainda mais velocidade ao seu ataque

No último mês de abril, o Lille coroou sua grande temporada ao golear o Paris Saint-Germain, por 5 a 1. Nicolas Pépé cortou a defesa parisiense ao meio com suas arrancadas. Cavou a expulsão de Juan Bernat e fez o segundo gol em veloz contra-ataque. Também entregou duas assistências em cobranças de bola parada. Todos esses recursos agora estão à disposição do Arsenal, que abriu a carteira como nunca antes para contar com o ponta-direita marfinense de 24 anos.

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“Rápido. Eu diria que sou rápido e um driblador. Rápido para conectar com a bola e um bom finalizador também. Essa é uma área na qual que progredi”, afirmou Pépé, ao ser anunciado, e os números lhe dão razão. Ele marcou 22 vezes no Campeonato Francês, atrás apenas de Mbappé, embora valha o alerta de que nove foram de pênalti. Ainda deu 10 assistências.

As atuações que contribuíram para que o Lille fosse o melhor time da França, depois do PSG, chamaram a atenção de grandes clubes europeus. Pépé foi especulado em clubes ingleses, como Liverpool e Manchester United. Quem concretizou o interesse foi o Arsenal, com um valor recorde de transferências: £ 72 milhões (€ 78 milhões), mais variáveis, acima dos £ 56 milhões (€ 61 milhões) pagos por Aubameyang.

A quarta maior contratação da história da Premier League, atrás de Pogba (£ 89 milhões), Lukaku (£ 75 milhões) e Van Dijk (£ 75 milhões), coube no orçamento reduzido do Arsenal nesta janela de transferências mediante parcelamento do total em cinco anos, segundo a imprensa inglesa, período em que o clube espera conseguir retornar à Champions League para reforçar seus cofres. A entrada deve ser de apenas £ 20 milhões.

Nascido em Mantes-la-Jolie, noroeste de Paris, mas futebolisticamente afiliado à Costa do Marfim, Pépé está convencido que o Arsenal foi a melhor escolha para desenvolver o seu futebol. Por característica de jogo, ele tem razão. Unai Emery apostou na velocidade do seu ataque na última temporada e colheu bons frutos. O novo reforço complementa bem Aubameyang e Lacazette com suas rápidas pernas, habilidade e faro de gol. Deve formar esse trio, deixando Mkhitaryan e Iwobi como opções.

“Nicolas é um talento bem-conceituado para a ponta, desejado por muitos grandes times da Europa”, afirmou o treinador do Arsenal. “Contratar um ponta de alto nível era um dos nossos principais objetivos nesta janela. Ele acrescentará velocidade, força e criatividade, com o objetivo de aumentar o número de gols do nosso time”. Antes de Pépé, o Arsenal havia tentando contratar Wilfried Zaha, do Crystal Palace.

Trajetória

Pelo Lille, Pépé enfrenta o Angers, seu antigo time (Foto: Getty Images)

Pépé começou carreira como goleiro, quando era adolescente, e passou pelo Poitiers antes de chegar ao Angers, em 2013. Em uma reportagem do Bleacher Report, o então diretor esportivo do clube da quinta divisão contou que ele tinha uma personalidade um pouco relaxada demais. Ao Angers, chegou com um chamativo moicano, para o desagrado de Abdel Bouhazama, que comandava a base do time e o mandou cortar o cabelo.

“Ele jogava futebol como se estivesse jogando com os amigos, como se estivesse jogando perto de um prédio ou na escola. Para ele, o futebol era um jogo, era algo que ele fazia por prazer. As estatísticas – gols, assistências – eram novidade para ele”, afirmou, ao Bleacher Report.

Bouhazama contou que o episódio que o fez amadurecer foi quando comeu uma barra de chocolate em um supermercado, antes de passar pelo caixa, e quase teve seu contrato encerrado pelo Angers. Mas ganhou uma segunda chance. “Foi um alerta. Acho que ele realmente se assustou. Ele não ficou longe de ser expulso. Seu sonho de virar jogador profissional poderia ter acabado”, disse.

Pépé passou uma temporada emprestado ao Orléans, da terceira divisão, enquanto o Angers conquistava o acesso à Ligue 1. Voltou para disputar a elite em 2016/17 e estava no radar do Lille antes mesmo da chegada de Marcelo Bielsa, que aprovou sua contratação como parte da reformulação profunda que o argentino impôs ao elenco quando assumiu. Enquanto Bielsa esteve no Lille, tentou usar Pépé como centroavante.

Ele não brilhou na nova posição e melhorou apenas depois da saída do argentino. De volta à ponta direita, terminou a temporada 2017/18 com oito gols e quatro assistências nas últimas 16 rodadas da Ligue 1. Explodiu na campanha seguinte, fazendo o Arsenal apostar muitas das suas fichas em seu futebol.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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