Neymarooney

Wayne Rooney é para a Inglaterra hoje muito mais do que qualquer jogador foi para o futebol brasileiro provavelmente desde Romário. Não se pode imaginar o English Team tendo sucesso sem que o atacante do Manchester United faça parte disso, pela simples razão de que não há nenhum outro jogador no país que tenha metade de seu talento.
Para o Manchester United pós-Cristiano Ronaldo, então, nem se fale. Se havia qualquer dúvida quanto à importância de Rooney, os últimos resultados obtidos sem ele no time deixam ainda mais clara a dependência dos Devils de seu melhor jogador.
Pois bem: num imprevisível “momento Neymar”, Wayne Rooney anunciou ao United na semana passada que não pretende assinar novo contrato com a equipe, e que pretende mudar de clube se possível até mesmo antes disso. Segundo o Guardian, o motivo para isso teria sido Alex Ferguson, com quem o atacante teria se desentendido.
O “problema Rooney” tem uma data certa de início, o começo de setembro, quando um tablóide revelou que o jogador se encontrou com uma prostituta durante os período de gravidez de sua esposa. Nas semanas seguintes, sob o pretexto de preservar o atacante, Alex Ferguson não o escalou como titular. Rooney voltou ao time contra o Liverpool, e depois contra o Bolton, ambos ainda em setembro, e depois não jogou mais.
Há na questão algumas discussões, claro. A primeira delas referente a Ferguson: o treinador, que acabou deixando sair ídolos como Van Nistelrroy, Roy Keane e David Beckham, acabou sendo confrontado por Cristiano Ronaldo pela primeira vez por um jogador no auge querendo deixar a equipe. Segurou-o, mas acabou tendo que ceder. No caso de Rooney, o problema pode ser maior, porque o contrato do inglês não tem nem dois anos pela frente.
Deveria sir Alex ter “aliviado”, então? Difícil de responder. É o “lado Naymar” do problema. Deixa o cara fazer o que quer, depois quem segura? Ainda que tenha 24 anos, e não 18, Rooney não mostra amadurecimento pessoal para lidar com as questões que a fama traz – assim como o santista.
Neymar, entretanto, um dia deixará o Santos, é inevitável. Rooney era encarado em Old Trafford como o próximo Giggs, ou Scholes, o jogador que levaria o emblema até a próxima geração. Se, entretanto, uma questão menor como esta o faz repensar a carreira, certamente é porque não tem o perfl dos citados anteriormente.
Outro lado da questão é o que acontecerá com o United de Rooney sair. Se não chegar ninguém de nível semelhante – ou se chegar um “ninguém” do tipo Benzema -, o United pode esperar muitos anos de insucessos pela frente. Seu elenco não tem nenhum jogador que esteja perto de ser chamado de craque, além de passar por um momento de reformulação.
O maior candidato a levar Rooney, porém, é o Real Madrid. Vamos imaginar, e eu não li isso em nenhum lugar a não ser em meu criativo cérebro, que os Merengues concordassem em ceder Kaká aos Devils. Para o United seria trocar o craque problema por um craque sem problemas – imaginando, claro, que Kaká esteja bem fisicamente. O futebol do ex-meia do São Paulo tem tudo para dar certo na Inglaterra, e no United, e sir Alex poderia acabar se dando bem com a troca.
Por fim, vale analisar o que aconteceria com o próprio Rooney. Imaginando que deixa a Inglaterra para jogar num Real Madrid da vida, seria inevitável o paralelo com Michael Owen. O ex-menino de ouro do futebol inglês foi um fracasso na Espanha, onde acabou enterrando sua carreira. A diferença é que Owen teve problemas físicos que Rooney não parece ter. Por outro lado, o ex-craque do Liverpool dava mais sinais de maturidade do que Rooney. Se um jovem craque tem problemas com prostitutas e baladas em Manchester, por que imaginar que não os terá em Madrid, ainda mais no Real Madrid, onde a prioridade nunca foi jogar futebol?
Para o United a saída de Rooney pode ser um desastre, mas há como transformá-la em algo positivo. Para a Inglaterra, entretanto, provavelmente seria um caminho sem volta. Que o desentendimento com Ferguson seja uma coisa entre “pai e filho” e que acabe sendo resolvido é o melhor que podem esperar os torcedores ingleses.



