Inglaterra

Nem pra lá, nem pra cá

 Continuando a retrospectiva da Premier League, falamos nesta semana do bloco de times que ficou entre a 11ª e a 16ª posições. Blackburn, Portsmouth, Bolton, Stoke e Wigan se garantiram relativamente cedo na primeira divisão, mas nunca estiveram realmente perto de brigar por algo maior.

Uma temporada sem graça? Talvez para o Portsmouth, que vinha de um ano bom, mas provavelmente não para os outros, que não tinham nenhuma perspectiva melhor do que não cair.

Blackburn
Colocação final: 15º
Técnico: Sam Allardyce
Maior vitória: Blackburn 3×0 Stoke (20/12); Blackburn 3×0 Newcastle (20/1)
Maior derrota: Blackburn 0x4 Arsenal (13/9); Arsenal 4×0 Blackburn (14/3); Liverpool 4×0 Blackburn (11/4)
Principal jogador: Stephen Warnock
Decepção: Roque Santa Cruz
Artilheiro: Benni McCarthy (10 gols)
Nota da temporada: 5

Depois de quatro anos sob o comando de Mark Hughes, a temporada 2008/9 dos rovers começou sob a incerteza de um novo nome no banco. Paul Ince, além de novo no banco do Blackburn, tinha seu primeiro trabalho como treinador na Premier League. Não deu certo, e, depois de perder para o Wigan no meio de dezembro, no 11º jogo sem vitória, Ince acabo demitido – com o time na penúltima posição da liga. Para seu lugar a equipe contratou Sam Allardyce, o “Big Sam”, de sucesso no Bolton e fracasso no Newcastle. E funcionou.

O treinador estreou com vitória, e ficou doze jogos sem perder – no fim dos quais o time estava na 15ª posição, e suficientemente longe do rebaixamento. Não dão para dizer que a temporada foi um sucesso, mas, comparando com as de outros times que perderam treinadores de sucesso, os Rovers não têm do que reclamar. Além disso, a chegada da Allardyce trouxe qualidade ao setor defensivo, e jogadores que se mostravam inseguros, como Christopher Samba, acabaram bem a temporada. Daí, porém, a querer ver um futebol fluido e bonito, vai uma liga inteira de distância. O Blackburn conseguiu se segurar. Agora, precisa evoluir para voltar ao patamar em que estava com Hughes. O caminho não será fácil.

Portsmouth
Colocação final: 14º
Técnico: Paul Hart
Maior vitória: Everton 0x3 Portsmouth
Maior derrota: Man City 6×0 Portsmouth
Principal jogador: Glen Johnson
Decepção: Jermaine Pennant
Artilheiro: Peter Crouch (11 gols)
Competição continental: Copa Uefa (eliminado na fase de grupos)
Nota da temporada: 4

A temporada do Portsmouth acabou quando perdeu Harry Redknapp para o Tottenham em outubro, quando o time era o sétimo colocado. O ex-zagueiro do Arsenal – e preferido de Nick Hornby – Tony Adams assumiu o cargo,mas, assim como Ince, claramente não estava pronto para isso. Nos primeiros jogos a equipe manteve o ritmo, e, na 16ª rodada, ainda mantinha a posição. A derrota para o Newcastle por 3 a 0 em casa, entretanto, levou a uma série de oito jogos sem vitória, com apenas um ponto marcado, que derrubou o time na tabela.

Adams acabou demitido em fevereiro, com o time em 16º, e foi substituído pelo técnico do time de juvenis, Paul Hart. O Pompey não melhorou muito depois disso, mas fez o suficiente para assistir como espectador à luta dos últimos times. A temporada ficara´marcada, claro, por um jogo europeu: a quase vitória por 2 a 0 diante do Milan – que acabou empatando o jogo (como lembrou o leitor Mateus Stefani). É a única coisa que os torcedores têm a lembrar desta temporada. O ressurgimento de Glen Johnson, promessa precocemente descartada pelo Chelsea, também pode ser comemorado – embora o jogador não vá ficar para a festa.

Bolton 
Colocação final: 13º
Técnico: Gary Megson
Maior vitória: Sunderland 1×4 Bolton (29/11); Bolton 4×1 Middlesbrough (4/4)
Maior derrota: Liverpool 3×0 Bolton (26/12); Everton 3×0 Bolton (7/2)
Principal jogador: Jussi Jaaskelainen
Decepção: Johann Elmander
Artilheiro: Kevin Davies (11 gols)
Nota da temporada: 5

O Bolton escapou por pouco de cair na temporada 2007/08, a primeira sem Sam Allardyce. Gary Megson assumiu no meio da temporada, e teve, portanto, em 2008/09 sua primeira temporada completa. Se não conseguiu nada melhor do que ficar longe da zona da morte, o treinador pelo menos conseguiu que sua equipe atingisse uma certa estabilidade – principalmente na defesa, onde Jaaskelainen, aos 34 anos, continua seguro, e Gary Cahill aparece como promessa de bom zagueiro para o time e para a Inglaterra.

A temporada do Bolton de Megson não foi adiante porque o treinador falhou em suas duas maiores contratações: o sueco Elmander, recorde de transferência da história do clube, foi coadjuvante, enquanto o zagueiro nigeriano Shittu acabou fazendo apenas 10 partidas pelo clube. Sob Allardyce, o Bolton chegou a sua melhor colocação na história da liga, sexto lugar de 2005. O atual time está muito distante disso, e a temporada serviu para reafirmar que o momento festeja a permanência na Primeira Divisão, sem ansiar por nada além disso.

Stoke
Colocação final: 12º
Técnico: Tony Pulis
Maior vitória: Stoke 2×0 Bolton (4/3); West Brom 0x2 Stoke (4/4); Stoke 2×0 Wigan (16/5)
Maior derrota:Man Utd 5×0 Stoke (15/11)
Principal jogador: Rory Delap
Decepção: Dave Kitson
Artilheiro: Ricardo Fuller (11 gols)
Nota da temporada: 7

O Stoke era o favorito de quase todo mundo para cair para o Championship na temporada seguinte a sua chegada. E, até a sétima rodada, nada fez para contradizer a expectativa: cinco derrotas e um empate deixavam claras as limitações do time. Uma vitória sobre o Tottenham na oitava rodada, entretanto, viu o time iniciar uma série de três vitórias em quatro jogos, incluída aí a vitória sobre o Arsenal em casa, e chegar ao 11º posto na tabela. Não que, depois disso, tudo tenha sido flores: na 23ª e na 26ª rodadas, o time foi o penúltimo, mas, a partir de março, a equipe se estabilizou no meio da tabela, e, na antepenúltima rodada, mostrou força ao bater o Hull, que brigava para não cair, na casa do adversário.

A temporada, pela permanência relativamente tranqüila, acabou sendo, portanto um sucesso. E o Stoke ainda chamou a tenção do mundo com as cobranças de lateral de Rory Delap, que, principalmente no começo da temporada, garantiu aos Potters uns bons pontinhos colocando a bola dentro da área para permitir gols de sua equipe. Além disso, a forma da defesa da equipe em casa é motivo de comemoração e esperança: no Britannia, o Stoke levou apenas 15 gols na temporada, quinta melhor marca da Premier League – o Arsenal, por exemplo, levou 16 no Emirates.

Wigan
Colocação final: 11º
Técnico: Steve Bruce
Maior vitória: Hull 0x5 Wigan (30/08)
Maior derrota: Wigan 0x4 Aston Villa (27/10); Everton 4×0 Wigan (5/4)
Principal jogador: Valencia
Decepção: De Ridder
Artilheiro: Zaki (10 gols)
Nota da temporada: 7

O final de 2008 foi provavelmente um dos momentos de maior alegria para os torcedores de Wigan em sua história recente. Entre novembro e janeiro, o time venceu seis de seus sete jogos, e ocupou a sétima colocação da tabela por um bom tempo. Com jogadores como o hondurenho Palacios e o equatoriano Valencia fazendo improvável sucesso na Premier League, os Latics chegaram ao meio da temporada com a permanência na primeira divisão praticamente assegurada.

A saída de Heskey e Palácios e a queda de performance do egípcio Zaki, porém, acabaram levando a uma segunda metade de temporada fraca, onde a falta de desafios para cima ou para baixo parece ter anestesiado a equipe. O bom desempenho de Titus Bramble também é algo a ser notado: o jogador, que apareceu bem nas categorias de base, virou sinônimo de fracasso no Newcastle, mas, no Wigan, se mostrou seguro e eficiente. Ponto para a equipe, e ponto de partida para o time da próxima temporada.

 

 

 

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Equipe Trivela

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