Murillo aponta ‘luz no fim do túnel’, mas Forest ainda paga preço de gestão impaciente
Elenco caro, ideias interrompidas e resultados em declínio compõem o cenário herdado pelo novo treinador
A chegada de um novo treinador costuma representar ruptura e esperança — e foi exatamente esse o sentimento que emergiu no vestiário do Nottingham Forest nos últimos dias. Após uma sequência de resultados decepcionantes e trocas constantes no comando técnico, o zagueiro brasileiro Murillo descreveu o impacto inicial de Vítor Pereira como um ponto de virada anímico e competitivo para o elenco.
O defensor abriu o placar, com um golaço, na vitória por 3 a 0 sobre o Fenerbahçe, na última quinta-feira (19), no jogo de ida dos playoffs da Liga Europa, resultado que deu novo fôlego a uma equipe pressionada na temporada. O triunfo, construído depois de apenas três sessões de treino sob o novo técnico, reforçou a percepção interna de mudança rápida de atmosfera.
Murillo ressaltou que a confiança transmitida pelo treinador português ajudou a recuperar o espírito competitivo perdido ao longo da campanha. O zagueiro lembrou que a sucessão de comandos — quatro treinadores com ideias distintas na mesma temporada — dificultou a consolidação de um modelo de jogo. Ainda assim, vê estabilidade no horizonte.
— Quatro treinadores, quatro ideias diferentes, é difícil. Mas acho que o Vítor vai ficar conosco até o fim da temporada e pode dar a sua ideia para ultrapassar o mau momento que atravessamos — disse o ex-Corinthians.
— Agora acho que há uma luz ao fundo do túnel.
Segundo o zagueiro, a sensação coletiva é de resgate de identidade. “O treinador nos transmitiu essa confiança. Acho que o espírito vencedor que tínhamos na temporada passada voltou. Todos sabem que temos uma boa equipe, um bom ataque, jogadores jovens. Tínhamos muitas coisas para melhorar e acho que com o Vítor vamos fazer um bom trabalho e voltar ao topo da tabela”, afirmou.

Instabilidade crônica e escolhas sem continuidade: como o Forest ‘ruiu’?
O ambiente de constante reinício no Forest não é recente. Parte do elenco já havia demonstrado desgaste com os métodos de Sean Dyche, que permaneceu apenas 114 dias no cargo. Antes dele, Ange Postecoglou teve passagem ainda mais breve, de 40 dias.
O ciclo anterior também terminara abruptamente: Nuno Espírito Santo, responsável por levar o clube às competições europeias pela primeira vez desde 1995/96, foi demitido em agosto.
Nos bastidores, a sucessão de perfis tão distintos reflete o estilo de gestão problemático do proprietário Evangelos Marinakis. O dirigente grego é visto no futebol inglês como um dono impaciente, que alterna filosofias e características de treinadores sem uma linha esportiva clara. Essa falta de continuidade técnica contrasta com o investimento elevado realizado no elenco: mais de 130 milhões de euros em contratações recentes.
O contraste torna-se ainda mais evidente quando comparado à temporada 2024/25, na qual o Forest terminou a Premier League em sétimo lugar e assegurou vaga continental. Um ano depois, a equipe chega à 27ª rodada ocupando a 17ª posição, somente três pontos acima do West Ham, primeiro dentro da zona de rebaixamento.
Murillo reconhece que a reação precisa ir além do impacto emocional inicial. Para ele, a mudança passa por atitudes concretas dentro de campo.
— Temos que continuar trabalhando duro, correr bastante, ter mais comunicação. Fizemos isso contra o Fenerbahçe. Acreditar no trabalho dele é fundamental. Tivemos problemas com os últimos treinadores, mas agora temos que seguir em frente e assimilar as ideias dele para voltar a brigar no topo.
Entre a esperança renovada e o histórico recente de instabilidade, o Forest tenta transformar a “luz no fim do túnel” em consistência — algo que, até aqui, tem faltado mais do que talento ou investimento.
‘Quebra de confiança’
— Trivela (@trivela) February 19, 2026
Como Edu Gaspar perdeu poder e ficou escanteado no Forest https://t.co/n521SodkC0 pic.twitter.com/Qb8HPclOBf
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A temporada 2025/26 do Forest até o momento
- 17º colocado da Premier League, com 27 pontos em 26 rodadas;
- Eliminado pelo Wrexham, da segunda divisão, na terceira rodada da Copa da Inglaterra;
- Eliminado pelo Swansea City, da segunda divisão, na terceira rodada da Copa da Liga Inglesa;
- 13º colocado da Liga Europa — venceu o Fenerbahçe por 3 a 0 na ida dos playoffs do torneio



