Mourinho volta à Premier League com o pé na porta
José Mourinho não esperou nem a temporada engatar para mostrar aos seus concorrentes que está de volta à Premier League. Na pré-temporada e no mercado de transferências, o português provocou os principais rivais, soltou indiretas e atravessou negociações.
David Moyes talvez tenha sido o que mais sofreu. Mourinho aproveitou a insatisfação de Rooney no Manchester United e que finalmente o treinador não é mais Alex Ferguson. Disse que não faria proposta oficial pelo atacante antes do clássico da última segunda-feira e foi até elogiado por alguns veículos ingleses pela sua “ética”. A diferença prática entre enviar um documento propondo a contratação de um jogador e dizer que fará isso após a partida é zero. Mourinho mexeu com a cabeça de um dos principais jogadores adversários sem se queimar com ninguém.
Também tentou ganhar o respeito do jogador ao culpar Moyes por ter dito que Rooney é um jogador secundário no elenco vermelho e elogiou os torcedores que o aplaudiram antes da partida em Old Trafford. O novo escocês do United ficou um pouco desnorteado e não teve respostas à altura do jogo psicológico de Mourinho.
O que ele fez com André Villas-Boas poderia ser até caracterizado como trote, se a Premier League fosse uma faculdade. O seu antigo pupilo encaminhou a contratação de William, mas Mourinho, novamente com acesso ao talão de cheques de Roman Abramovich, entrou no meio e “sequestrou” o brasileiro. “Esse é o perigo de fazer exames médicos antes de assinar o contrato”, cutucou. Na mesma entrevista, perguntaram o que faltava para o negócio com o Anzhi ser oficial. O português, claramente tirando sarro, disse que “ainda precisamos fazer um exame médico”.
Mesmo sem Mourinho, o Chelsea já cortejava William desde 2011, mas o português foi essencial na vinda de outro jogador que estava de saída do clube russo. Samuel Eto’o queria dois anos de contrato, mas foi convencido a assinar por apenas uma temporada para reencontrar o treinador da época de Inter de Milão, com quem venceu todos os títulos que disputou em 2009/10.
O Liverpool dificilmente será relevante na disputa do título, mas também houve rumores de que ele tentaria atravessar a negociação com o jovem zagueiro Tiago Llori, do Sporting. Wenger e Manuel Pellegrini não receberam muita atenção de Mourinho. O primeiro provavelmente por já estar em um estupor depressivo por não conseguir contratar ninguém e ainda perder metade do seu reduzido elenco por lesão. O segundo já foi chamado de perdedor na Espanha e não respondeu. O chileno aprendeu bem na escola que a melhor forma de lidar com os provocadores é ignorar.



