Federação Inglesa investiga circunstâncias da morte de Maddy Cusack e denúncia contra treinador
Entidade iniciou investigação formal após queixa da família; treinador do time feminino retornou às atividades no clube
A Federação Inglesa de Futebol (FA) abriu uma investigação formal sobre as circunstâncias da morte da meio-campista Maddy Cusack, do Sheffield United, com foco na denúncia elaborada pela família da jogadora sobre Jonathan Morgan, técnico do time feminino, de perseguição.
Maddy foi encontrada morta na casa de seus pais, em Derbyshire, área rural da Inglaterra, no dia 20 de setembro do ano passado. Segundo a família, a relação de trabalho entre a atleta e o treinador era tóxica e causou danos à saúde mental dela, fator que contribuiu para que a jovem de 27 anos tirasse a própria vida.
A investigação ainda deverá levar algum tempo até ser concluída, mas o gestor da área de transparência da entidade britânica, David Matthews, tem acelerado o processo de recolhimento de provas, a fim de entrevistar as potenciais testemunhas até o fim do próximo mês.
Embora a FA não tenha esclarecido o âmbito da investigação, ela tem estado em contato regular com os familiares da jogadora, inclusive a decisão do recolhimento de provas foi um resultado direto da queixa inicial escrita pelo advogado dos Cusack.
Agora, a próxima etapa será de ampliação para integrar ex-jogadoras e pessoas com ligações ao Leicester City e ao Burnley, antigos clubes de Morgan, ao inquérito.
Morgan, que assumiu o cargo em Bramall Lane no ano passado, voltou ao banco de reservas há dois fins de semana. Ele deve comandar a equipe feminina do Sheffield contra o Southampton, neste domingo (28), pela segunda divisão da Superliga Feminina da Inglaterra.
Treinador é apontado como abusador em denúncia da família
No fim de 2023, uma investigação independente concluiu que a morte da jogadora não teve nenhuma evidência de irregularidade. A apuração do caso foi feita por uma empresa especializada, em nome do Sheffield United, e começou depois que a família Cusack levantou questionamentos sobre a conduta do time e do treinador.
O treinador, por outro lado, nega veementemente qualquer irregularidade e afirma, desde o início das investigações, que tinha uma relação normal de técnico e jogadora com Cusack. No entanto, Stephen Bettis, presidente-executivo do Sheffield United, reconheceu em uma carta enviada à família de Cusack que o membro da comissão técnica “dividia opiniões” entre os funcionários entrevistados ao longo do processo.
Alguns funcionários da equipe o consideram “solidário e atencioso”, enquanto outros o veem como um homem “segregador, bastante autoritário e intimidador” – exatamente a visão compartilhada pelos familiares de Maddy.
Os pais de Maddy, David e Deborah Cusack, enviaram uma carta de sete páginas à diretoria do clube para rejeitar a conclusão da investigação que havia sido encomendada. Inclusive, eles ficaram consternados por não terem recebido o acesso ao relatório do inquérito.
Em entrevista à BBC, em novembro, a mãe falou que atletas estavam enfrentando muitas pressões no clube na última temporada.
– No ano passado, as jogadoras tinham dois turnos de trabalho, o que significa que todos tinham empregos em tempo integral e ainda treinavam três vezes por semana e ainda jogavam aos domingos. Muitas vezes, viajavam aos sábados para jogar no domingo, por uma quantia mínima de dinheiro – desabafou.
– Acho que a Madeleine ganhou algo próximo de 6 mil euros (R$ 32 mil) na temporada passada para jogar futebol. Então, essas meninas estão tendo que conciliar dois empregos, estão tendo que treinar e se comportar como atletas do sexo masculino por uma ínfima quantidade de dinheiro que recebem. É demais, as pressões são demais.
Maddy atuou sob a orientação de Morgan no sub-19, quando jogava pelo Leicester City. Depois disso, ela passou por Birmingham e Aston Villa e, por fim, se transferiu para o Sheffield, onde já estava em sua sexta temporada e também trabalhava como executiva de marketing do clube.



