Inglaterra

Milhares de torcedores saíram às ruas para apoiar o Derby County em crise e o time correspondeu com um empate no último minuto

Derby County ainda corre riscos de declarar falência e, diante da situação, a torcida apresentou sua força nas ruas

O Derby County atravessa o momento mais delicado de sua história. Nesta temporada, os Rams precisam se virar com uma punição de 21 pontos na Championship. O clube perdeu 12 pontos por recorrer à recuperação judicial por seus problemas financeiros e mais nove pelas dívidas. Há riscos até mesmo de falência, diante das dificuldades para se encontrar um novo proprietário. Mas, enquanto isso, o Derby luta. Luta dentro de campo, com o time de Wayne Rooney ainda buscando os resultados com um elenco limitadíssimo. Neste domingo, os Rams arrancaram o empate por 2 a 2 contra o Birmingham no último minuto. E fora de campo a luta também é expresso pela torcida, que realizou uma enorme caminhada em apoio à instituição.

Os torcedores do Derby County organizaram uma passeata na cidade, em que o ponto final era o estádio Pride Parkway. “Somos Derby County, lutaremos até o fim”, era o grito mais comum. Os milhares de presentes superaram as previsões da organização e eram ouvidos a centenas de metros de distância. Quando a marcha foi organizada, o jogo contra o Birmingham poderia ser o último do clube. A Football League, porém, concedeu um mês a mais para a administração dar garantias financeiras e provar que o time terá condições de chegar ao final da temporada. Por enquanto, a única certeza é de que a torcida não deixará o Derby desaparecer.

O desafio do Derby County fora de campo no momento é encontrar um novo proprietário. Mel Morris, antigo dono do clube, provocou a atual crise com gastos desmedidos para buscar o acesso e saiu de cena no último mês de setembro, acionando a recuperação judicial. A administração externa faz cortes nas contas e afirma ter interessados pela aquisição, mas nada de concreto pintou. O interessado terá que investir cerca de £70 milhões por um clube em sérios riscos de cair para a terceira divisão, que pode ter seus débitos ampliados com algumas pendências mais recentes.

Já em campo, o Derby County se esforça. O elenco passou por um embargo de transferências e só pôde ser montado às vésperas da Championship. A punição de 21 pontos também foi um golpe duro na motivação. Mesmo assim, o técnico Wayne Rooney tira leite de pedra e deixa a equipe com perspectivas, mesmo que pequenas. O time é o penúltimo colocado na tabela, com 15 pontos, mas permanece a sete pontos da salvação mesmo com a dedução de 21. Neste domingo, o empate arrancado na unha contra o Birmingham representou bem o espírito.

O Birmingham abriu o placar aos sete minutos, com Lyle Taylor, e Scott Hogan ampliou aos 11 da segunda etapa. O Derby County precisou pressionar até os 42 e reavivou as esperanças com um chute no canto de Luke Plange – um dos garotos que precisaram entrar na fogueira para tentar a salvação. O abafa era imenso no fim, com goleiro e tudo na área, até que o empate surgisse aos 51. Krystian Bielik esticou o pé no alto e acertou um bonito movimento. A contratação do polonês, ironicamente, é um dos débitos atrasados que aumentam a bola de neve ao redor do Derby.

O estádio abarrotado depois da caminhada pôde extravasar com o resultado. O nome de Rooney, em especial, era um dos mais gritados por todo o compromisso reiterado na crise. O sonho da torcida neste pesadelo é que, nos bastidores, o Derby County faça como o time em campo: consiga reverter a desgraça e se recuperar no último instante. A péssima gestão dos Rams é mais um retrato do descaso dos proprietários com clubes históricos na Inglaterra. E os torcedores mostram como, mesmo sem o poder nas mãos, podem se mobilizar para empurrar a instituição. Se o novo dono chegar em breve, essas manifestações certamente terão feito a diferença.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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