Meio caminho andado

Quando o segundo colocado de uma liga joga com o primeiro faltando seis rodadas para o final e a partida pode alterar a posição de ambos na tabela, há que se desculpar o clichê, mas não há como não falar em “final antecipada”. Ainda mais no caso da Premier League nesta temporada, na qual o terceiro colocado Arsenal não parece ter força para levar até o final a briga pelo título.
E se falamos em final antecipada, temos que falar em campeão antecipado, certo? Se ninguém na Inglaterra quer falar, não tem problema, nós falamos: o título inglês de 2009/10 é do Chelsea para perder. E não há muito que indique que ele possa fazê-lo.
Faltando cinco rodadas para o final, os Blues ainda jogam em casa contra Bolton, Stoke e Wigan. Suas duas partidas fora, embora sejam contra adversários fortes, não são derrotas certas, nem, no atual momento, prováveis: Tottenham e Liverpool. Imaginando-se que destes dois jogos saiam dois pontos, o que não é muito, e considerando que em casa, em 16 jogos, os Blues ganharam 14 – e perderam do City e empataram com o Everton –, não é exagerado projetar que os Blues façam ainda mais pelo menos 11 pontos, chegando, portanto, a 85.
Para chegar a 85 pontos, o United teria que fazer 13 em 15 disponíveis. E o Arsenal, 14 em 15, e considerando seu baixo saldo de gols, para ser campeão nesse cenário teria mesmo que ganhar todas as suas partidas. Os Red Devils têm Tottenham e Stoke em casa, prováveis seis pontos. Jogam, porém, três vezes fora, sendo uma delas contra o City – e as outras contra Blackburn e Sunderland, longe de serem galinhas mortas.
Tudo indica que o United deixou a disputa pelo título no último final de semana. Além de perder em casa, a equipe deixou claro que depende demais de Wayne Rooney. Mais que isso, jogadores como Neville, Giggs e Scholes, embora ainda possam ser úteis, não têm mais condições de serem titulares, ainda mais os três ao mesmo tempo.
Colocar a culpa em Berbatov pode até ser injusto, mas o fato é que, na ausência de Rooney, o búlgaro teria que decidir, o que claramente não acontece. Dos jogadores trazidos para tentar preencher as ausências de Cristiano Ronaldo e Tevez, nenhum é consistente, e nenhum é decisivo. Michael Owen, aliás, nem ao menos é.
Imaginando, porém, que o Chelsea poderia ainda perder pelo menos seis pontos – na forma de duas derrotas fora de casa, ou uma derrota e dois empates –, o Arsenal ainda poderia ter uma chance. Entretanto, embora tenham adversários em tese mais fracos que os dos rivais, os Gunners também jogam três vezes fora, uma delas contra o arquirival Tottenham já na próxima rodada, as outras duas contra Wigan e Blackburn. Nos jogos em casa, mais um adversário complicado, o Manchester City.
Não fosse suficiente, neste meio de semana o Chelsea descansa, enquanto Arsenal e United se arrebentam mais um pouco na Champions League, e com boas chances de se arrebentarem para nada. A melhor alternativa para ambos seria descansar seus melhores jogadores, o que os Gunners devem fazer por falta de opção. Colocar Wayne Rooney em campo contra o Bayern, entretanto, sem que este esteja totalmente recuperado, é um risco estúpido, e que provavelmente levaria a derrotas nas duas competições em que o United ainda tem chance.
Ainda que não tenha sido exatamente para isso que Carlo Ancelotti foi contratado, tudo indica que pelo menos domesticamente o italiano será bem sucedido.



