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Médico e monstro, Diego Costa simboliza os contrastes do Chelsea na temporada

Antes do apito inicial, o clima em Stamford Bridge estava evidente. A vitória por 3 a 1 sobre o Sunderland na rodada anterior não tinha mudado a opinião da torcida. Durante o anúncio da escalação, Diego Costa recebeu sonoras vaias, contrastantes com as palmas a Willian logo em seguida. E o centroavante acabou sendo o personagem do jogo contra o Watford. Marcou os dois gols de sua equipe, que não foram suficientes para a vitória, mas ao menos garantiram o empate por 2 a 2. Mais do que isso, causou. Xingou, foi xingado e ouviu os gritos em homenagem a José Mourinho. De vilão a herói, terminou a partida longe da unanimidade.

Na estreia de Guus Hiddink no comando da equipe, o Chelsea teve mais disposição e dominou as ações ofensivas, mas esteve longe de fazer uma grande partida. Diego Costa abriu o placar aos 32 minutos, em sobra de bola cruzada na área. Contudo, o Watford mostrou que sua grande campanha na Premier League não é mero acaso e buscou a virada. Deeney fez de pênalti, enquanto Ighalo balançou as redes pela quinta rodada consecutiva, a partir de chute desviado. A virada acordou os Blues, que conseguiram empatar a partir de passe primoroso de Willian, para Diego Costa tocar na saída de Gomes. Por fim, os londrinos ainda tiveram a chance de fazer o terceiro, após pênalti sofrido por Hazard, que Oscar desperdiçou.

Este foi o primeiro jogo desde janeiro em que Diego Costa marcou dois gols. A partir de então, o centroavante havia balançado as redes somente oito vezes em 34 partidas com os Blues, prova de sua queda de rendimento junto com o time. Enquanto isso, seu comportamento chamou bem mais atenção, especialmente na briga em que se envolveu no clássico contra o Arsenal e na reação exagerada à decisão de José Mourinho em não colocá-lo em campo. Como se fosse uma resposta à saída do técnico, voltou a ter uma grande exibição neste sábado.

A postura intempestiva de Diego Costa na comemoração do primeiro gol já deixava claro como a sua relação com a torcida não anda das melhores, sem muita paciência às críticas. O que parece encurtar cada vez mais os seus dias em Stamford Bridge. Por mais que tenha qualidades como centroavante, fica difícil de se manter com a insatisfação latente e os problemas que atrapalham suas atuações. Prova disso veio com o cartão amarelo por puro descontrole nos minutos finais, o quinto do sergipano, que o tirará da importante visita ao Manchester United em Old Trafford. Para alguns torcedores, será melhor assim.

Diante do bom momento do Watford, próximo da zona de classificação à Champions, o resultado não seria tão ruim. Mas é, pela maneira como o Chelsea continua ameaçado, só dois pontos acima da zona de rebaixamento. Pela qualidade do elenco e pela força demonstrada tantas vezes em casa nas últimas temporadas. Os Blues acabam sofrendo com o desequilíbrio (emocional, sobretudo) criado durante as últimas semanas. Diego Costa, o maior retrato disso. Um jogador de qualidade, que se perde em si mesmo. E que está longe de satisfazer a torcida.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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