Marsch: “Bielsa queria um pouco mais de correria, eu quero um jogo um pouco mais posicional”
Em ótima entrevista à Sky Sports, o técnico do Leeds deu detalhes sobre o desenvolvimento do seu time e o que pede de seus jogadores
Depois de salvar o Leeds do rebaixamento na temporada passada, substituindo Marcelo Bielsa após a virada do ano, Jesse Marsch agora tem mais liberdade para montar um time ao seu estilo. Em uma entrevista muito boa à Sky Sports em que dá vários detalhes do que pede aos seus jogadores, resumiu a diferença entre as suas ideias e às de Bielsa: o argentino pedia que os atletas corressem um pouco mais, com e sem a bola, e ele busca um jogo mais posicional.
São estilos diferentes. Bielsa prefere defender com marcação homem a homem, o que naturalmente obriga os jogadores a correrem mais atrás dos adversários. Segundo Marsch, com a bola, o time de seu antecessor também dava mais arrancadas. O Leeds de longe foi o time com mais piques da Premier League. A exigência física era intensa. A queda de rendimento com Bielsa foi em parte pelo excesso de desfalques.
“No jogo contra o Wolverhampton, nós corremos mais que eles e com alta intensidade, mas o calor em Southampton foi um fator importante. Se você olhar no geral, quando eu cheguei, nossos piques e alta intensidade estão maiores do que estavam com Marcelo. Mas Marcelo tinha muito mais acelerações e desacelerações – e isso é em parte por causa da marcação homem a homem. Quando você está correndo atrás dos caras e tentando antecipá-los, cortando, mudando muito de direção”, explicou Marsch.
“Mas conosco, o que queremos é ser muito agressivos e, nos momentos de pressão, o que exige piques. Também queremos ser muito bons em transições, nos dois lados, o que também exige piques. Eu acredito em jovens jogadores, então construimos um elenco dessa maneira de propósito porque queremos desenvolver todo nosso grupo. Também precisamos de pernas frescas para jogar do jeito que queremos. Mas acreditar em jovens não é somente sobre fé cega. É sobre eles se estabelecerem e depois serem desafiados por nós e instruídos sobre como crescer”.
“Uma das coisas que eu vejo é que nossos números contra a bola são maiores, mas menores com a bola – porque Marcelo queria muita correria e eu quero um jogo um pouco mais posicional. Ainda com movimentos dinâmicos, mas um pouco mais disciplinado em segurar posições do que ele queria. Acredite em mim, eu olho essas coisas muito de perto”, completou.
Marsch explicou como busca controlar o jogo por meio da pressão – ou contra-pressão, o famoso gegenpressing da escola alemã, do qual Jürgen Klopp é o principal expoente. “Temos diferentes estratégias de pressão e não apenas baseadas em formações. Baseadas no que o adversário apresenta e onde queremos criar sobrecargas na partida – com e sem a bola. Com a bola, estamos sendo mais eficientes e muito mais claros na construção de jogo e nos momentos de desequilibrar o adversário e forçar mais perguntas a eles sobre como nos defender de maneiras diferentes”, disse.
“Criamos com mais variações, em termos de como nós mudamos de uma linha de quatro para três zagueiros, quantos jogadores temos em posições mais avançadas, no meio, e como sobrecarregamos áreas para ganhar vantagens. Um termo importante que usamos é a contra-pressão e como nos armamos e o que fazemos quando mexemos a bola. Em todos os momentos, tentamos ter estratégias e criar clareza sobre quais são as funções individuais e como elas impactam uma a outra e como isso se encaixa nos planos de jogos e o que os adversários estão apresentando. Quanto melhor fizermos isso, espero, melhor podemos manipular e controlar jogos”, acrescentou.
Foi uma janela de transferências movimentada para o Leeds, que perdeu seus dois principais jogadores, Kalvin Phillips e Raphinha, mas reinvestiu bem o dinheiro em nomes como Brenden Aaronson, Luis Sinisterra, Tyler Adams, Rasmus Kristensen e Marc Roca. “Eu sou novo na Premier League, mas pela minha experiência, no geral, se você encontrar o tipo certo de pessoa e jogador, e eles já estiverem exibindo os comportamentos que você quer, o processo de adaptação é muito maias rápido. Claro que também é meu trabalho ensiná-los sobre a liga e quais são as exigências aqui”, explicou.
Uma das principais adaptações será de Sinisterra para o lugar de Raphinha. “Raphinha é único, mas Luis tem a habilidade de correr e fazer o um contra um. Ele é um jogador muito inteligente, especificamente com a bola e em espaços curtos – e ele também é um finalizador. Então, eu posso ver a comparação com Raphinha, mas eles são bem diferentes também. Estamos muito empolgados com ele. É uma pena que ele se machucou contra o Palace (em amistoso de pré-temporada) porque nós queríamos integrá-lo ao nosso time. Eu acho que ele criará combinações e jogadas finais e ele joga com intensidade. Ele é rápido e trabalha duro. O tempo dirá, mas eu não quero colocar esse fardo nele, de ser o Raphinha, mas eu acho que ele se provará um jogador muito valioso”, encerrou.
O Leeds terá um desafio dos mais difíceis neste sábado, quando receberá o Chelsea em Ellen Road.



