Inglaterra

Contratação de Sesko aumenta desequilíbrio em uma janela importante para o Manchester United

Red Devils fecharam a contratação de Sesko e elevaram gastos, mas quase tudo foi para o mesmo setor

O Manchester United segue como um dos times mais ativos no mercado de transferências. Segundo o jornalista Fabrizio Romano, a equipe fechou a contratação de Benjamin Sesko, do RB Leipzig, por um valor total que pode chegar a 86 milhões de euros (R$ 547 milhões).

Com a chegada do centroavante, os Red Devils chegam a 239 milhões de euros (R$ 1,5 bilhão) gastos com reforços na atual janela de transferências. No entanto, a distribuição desse dinheiro em termos de setores do time é completamente desproporcional:

98,3% do valor foi destinado a atacantes, enquanto apenas 1,7% ao restante do time.

A janela do Manchester United: quem chegou e quem saiu?

Até o momento, quatro jogadores novos chegaram a Old Trafford. Destes, três foram atacantes e um lateral-esquerdo:

  • Benjamin Sesko – 86 milhões de euros totais
  • Bryan Mbeumo – 75 milhões de euros
  • Matheus Cunha – 74,2 milhões de euros
  • Diego León – 4 milhões de euros
Matheus Cunha e Mbeumo em ação pelo Manchester United
Matheus Cunha e Mbeumo em ação pelo Manchester United (Foto: Imago)

León, o único da lista que não é atacante, já havia fechado um acordo antes da atual janela abrir — esperava completar 18 anos para deixar o Cerro Porteño. O jovem é visto como uma grande promessa na lateral-esquerda, mas não deve ser o jogador pronto para a posição a ser usado com frequência por Rúben Amorim.

Por outro lado, o setor ofensivo, que precisava de fato ser reforçado, acabou se tornando inflado. Somando todos os jogadores no elenco, incluindo os que ainda devem ser negociados, Amorim tem:

  • Alejandro Garnacho;
  • Jadon Sancho;
  • Amad Diallo;
  • Antony;
  • Bryan Mbeumo;
  • Matheus Cunha;
  • Rasmus Hojlund;
  • Joshua Zirkzee;
  • Chido Obi;
  • Benjamin Sesko.

Esse número deve ser reduzido, mas, no momento, são 10 jogadores para três vagas no ataque. Isso sem contar com a possibilidade de ter Bruno Fernandes ou Mason Mount em uma das funções de meias-atacantes– algo que aconteceu durante a pré-temporada, por exemplo.

Há, claro, uma hierarquia. Sesko chega para ser titular, o que tiraria espaço de Hojlund e Zirkzee (que até pode ser testado atrás do centroavante). Matheus Cunha e Mbeumo devem ser os meias-atacantes titulares, o que também impacta o espaço de outros meias e reforça a intenção do clube de vender alguns de seus atacantes.

Com a dupla, jogadores como Casemiro, Manuel Ugarte e Kobbie Mainoo, por exemplo, também podem ser impactados. Isso porque a tendência é que Bruno Fernandes jogue como um dos volantes, e Mount também poderia atuar dessa maneira — apesar da versatilidade, alguém perderá espaço nesse efeito dominó.

Outra questão de planejamento são as saídas: até o momento, o Manchester United não lucrou nada com venda de jogadores e, além da saída de Marcus Rashford, por empréstimo ao Barcelona, os outros movimentos de saídas foram dois jovens sem espaço sendo emprestados para divisões inferiores: Ethan Wheatley e Daniel Gore.

Quem ainda pode deixar o United?

Ainda há mais de 20 dias de janela aberta e espera-se que alguns jogadores deixem o clube, justamente atacantes que não terão espaço por conta dos reforços — ou aqueles que já têm problemas para além do campo.

Alejandro Garnacho, antes considerado joia e grande promessa, se envolveu em polêmica com Amorim e o clube, e se tornou alvo de Napoli e mais recentemente Chelsea nesta janela. Jadon Sancho chegou a negociar com a Juventus e, depois de dois empréstimos, deve sair em definitivo de Old Trafford após uma passagem decepcionante.

Antony é outro jogador que só deve continuar no clube em último caso. Ainda há o desejo do Real Betis de contratá-lo em definitivo após boa passagem por empréstimo, e a Trivela apurou que clubes da Alemanha e Itália monitoram o brasileiro.

Antony não está nos planos do Manchester United Foto: (Imago)
Antony não está nos planos do Manchester United (Foto: Imago)

Já Hojlund é outro que não rendeu o esperado após sua chegada da Atalanta, em 2023, e especula-se que possa voltar ao futebol italiano — com Inter de Milão e Milan sendo ligados ao jogador.

Os três últimos estão entre os seis jogadores mais caros da história do Manchester United. Somados, chegam a 257 milhões de euros (R$ 1,63 bilhão na cotação atual).

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Ataque era um problema, mas não o único

Os reforços no ataque fazem sentido: o United não tem um centroavante goleador desde a saída de Cristiano Ronaldo, em 2022, e teve dificuldades de encontrar os melhores jogadores para se encaixar no esquema dinâmico de Amorim para a parte mais ofensiva do meio.

No entanto, ainda há lacunas a serem preenchidas no elenco que não foram contempladas no mercado. O gol, por exemplo, ainda é motivo de grande crítica, com um grande grupo de torcedores que não confiam em André Onana.

A lateral-esquerda foi o principal problema do time desde a era Erik ten Hag, e a contratação de Patrick Dorgu, uma jovem promessa dinamarquesa, parece ter sido o suficiente — mesmo que ele seja, a essa altura, praticamente a única opção. Luke Shaw, que convive com lesões constantes, foi usado como zagueiro em várias oportunidades, enquanto Tyrell Malacia, que volta de empréstimo do PSV, também não deve ser aproveitado.

A defesa, que também passou por dificuldades com lesões de diferentes jogadores ao longo da temporada, também não foi reforçada. Johnny Evans e Victor Lindelof, que somaram 38 partidas em 2024/25, deixaram o clube de graça. Leny Yoro e Lisandro Martínez foram dois que perderam diversos jogos por lesão.

Com todos saudáveis, o elenco tem boas peças defensivas: Martínez, Yoro, Harry Maguire, Matthijs De Ligt e Luke Shaw devem ser cinco dos três de maior rotação e briga por titularidade. No entanto, o argentino já começa a temporada lesionado, enquanto outro jogador de rotação, Ayden Heaven, é uma joia de 17 anos que ocasionalmente pode receber oportunidades, mas ainda não estaria pronto para o mais alto nível.

Ao mesmo tempo, o time tem dois alas-direitos de bom nível em Diego Dalot e Noussair Mazraoui — o segundo, inclusive, jogou praticamente metade do seu tempo com Amorim como zagueiro (20 dos 39 jogos). E, por conta dos vários reforços ofensivos, Amad, antes um dos meias ofensivos, começou a pré-temporada jogando como ala pela direita.

Há um desequilíbrio evidente no elenco do Manchester United, mas também há otimismo. Em um time sem o número de lesões que assolou a defesa Old Trafford na temporada passada e com opções de jovens e jogadores consolidados do meio para frente, Amorim pode, ainda que com alguma dificuldade, começar de fato o seu trabalho completamente autoral e “do zero” na Premier League.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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