Inglaterra

Manchester United reage e se afasta de seu péssimo começo de temporada com vitória sobre o Liverpool

Jadon Sancho e Marcus Rashford marcaram em Old Trafford, encerrando a semana que teve a contratação de Casemiro com chave de ouro

Quando o Manchester United terminou de ser goleado pelo Brentford, o comentário mais comum era quase agourento: e o próximo adversário é o Liverpool. Mas em vez de afundar de vez o começo do trabalho de Erik ten Hag, uma semana que teve a contratação de Casemiro terminou com uma vitória sobre o grande rival em Old Trafford por 2 a 1, e com muitos sinais positivos. Uma injeção de ânimo importante demais para os Red Devils neste momento.

Em um dia de novos protestos contra a família Glazer, após uma série de notícias de que ela estaria preparada a começar a abrir mão de pelo menos um pouco de controle sobre o clube, o Manchester United de Ten Hag finalmente pareceu um time em um jogo oficial. Ele fez mudanças para que isso acontecesse. A dupla de zaga com Varane e Lisandro Martínez funcionou melhor. Scott McTominay protegeu Eriksen com mais eficiência que Fred, e Cristiano Ronaldo ficou no banco de reservas.

A pressão dos donos da casa não deixou o Liverpool sair com a bola tranquilamente em nenhum momento, e as transições rápidas castigaram repetidas vezes a defesa do vice-campeão inglês. A curiosidade é que foi uma grande atuação ao melhor estilo Ole Gunnar Solskjaer, e a dúvida é se o nível se sustentará quando o Manchester United precisar jogar de outra forma contra adversários mais recuados e fechados na retaguarda.

Mas principalmente, os jogadores do Manchester United exibiram uma clara vantagem na questão mental. Correram, se entregaram, estavam concentrados e não cometeram erros bobos, embora tenham chegado perto de marcar dois gols contras. Não foi o único fator que explica a vitória. Mas foi um deles. Especialmente contra um Liverpool que parece cansado.

Talvez seja consequência da exigência física de ter chegado a três finais na temporada passada, talvez efeito da quantidade enorme de desfalques, ou provavelmente um pouco dos dois. Jürgen Klopp deixou James Milner em campo por muito tempo, ao lado de Harvey Elliott e Jordan Henderson no meio-campo. Em parte por falta de opção. Fabinho e Fábio Carvalho eram os únicos meias com certa experiência de alto nível no banco de reservas.

Elanga foi o pesadelo de Alexander-Arnold no primeiro tempo, sempre levando vantagem pela ponta esquerda. O sistema defensivo do Liverpool foi um caos na meia hora inicial, e o Manchester United encontrou espaço para atacar com profundidade e velocidade. Aos 10 minutos, McTominay encontrou Bruno Fernandes entre os zagueiros. Gomez chegou atrasado, e Fernandes se esforçou para ajeitar de carrinho. Elanga chegou batendo de chapa no pé da trave.

Cinco minutos depois, Elanga tabelou com Eriksen, novamente pela esquerda, e tocou para a marca do pênalti. Sancho dominou e, girando, percebeu o bote seco de Milner – e Alisson. Puxou para a perna esquerda com a sola do pé e chapou no canto para abrir o placar com um bonito gol. O Liverpool respondeu com uma tentativa de fora da área de Díaz, aos 18, mas ainda precisaria de mais aproximadamente dez minutos para realmente começar a ter algum domínio.

Os 15 minutos finais do primeiro tempo dos visitantes foram muito melhores, mas ainda foi um ataque que não flui como antigamente. Salah faz seu rolê pela direita, Díaz pela esquerda e falta um elo de ligação porque Firmino não parece mais o mesmo. De qualquer maneira, a pressão gerou algumas oportunidades, embora a melhor tenha saído de um erro de Fernandes, que tentou cortar uma cabeçada de Milner em escanteio, quase em cima da linha, e não fez um espetacular gol contra por sorte. Acabou acertando Martínez em cheio.

O Liverpool havia acertado a sua pressão e diminuído os riscos. Precisava manter essa toada depois do intervalo, mas levou o segundo gol em apenas oito minutos. Um erro de domínio de Jordan Henderson no meio-campo permitiu que Anthony Martial recuperasse, limpasse a marcação e soltasse para Rashford. Com muita tranquilidade, Rashford bateu na saída de Alisson e fez seu primeiro gol pela Premier League desde 22 de janeiro.

E nos minutos seguintes, parecia que o United poderia até golear. De Gea fez uma defesa para abafar Díaz, após boa jogada de Milner, mas Rashford exigiu linda defesa de Alisson, e a defesa do Liverpool estava sendo cortada pela esquerda, pela direita, pelo meio. Muito desfalcado, Klopp tinha apenas três jogadores no banco de reservas que poderiam disputar um jogo desses – e um deles era o lateral esquerdo reserva. Todos eles, Fabinho, Fábio Carvalho e Tsimikas, acabaram entrando.

O Manchester United soube administrar bem os minutos finais. Até os 35, o Liverpool havia feito muito pouco. Uma defesa de De Gea em cabeçada de Fabinho foi a mais relevante. Mas, depois de outro quase gol contra, de Martínez, evitado por um milagre do espanhol, Salah pegou rebote de Fábio Carvalho e cabeceou com muita precisão no canto para empatar. Ainda havia dez minutos pela frente. Os Reds se tornaram um time que se acostumou a arrancar pontos no fim. O jogo foi revivido.

Mas o United também soube lidar com essa reta final e levou para casa uma vitória muito importante que pode ser um ponto de inflexão em uma temporada que começou com tantos problemas. Ao outro lado, passa a impressão de que os tropeços das duas primeiras rodadas foram resultado de mais do que um começo meio morno. Talvez haja algo de errado com o Liverpool que precise de um pouco mais de tempo para ser resolvido. É a primeira temporada completa com Klopp que começa sem vitórias nos três primeiros jogos do Campeonato Inglês.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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