Inglaterra

‘Flashback’ de Fernandinho: Por que Nico ainda não é o ‘novo Rodri’ do Manchester City

Vencedor do Bola de Ouro 2024 segue com dificuldades de se manter saudável, mas substituto direto ainda não chegou ao nível que precisava

O Manchester City vencia o Monaco na última rodada da Champions League por 2 a 1 no primeiro tempo, com Rodri em campo. Aos 61 minutos, Pep Guardiola decidiu tirá-lo para colocar Nico González, que fez o pênalti que levou ao empate dos franceses e voltou à tona um debate sobre o papel do volante nos Citizens.

Durante entrevista coletiva após a partida, Guardiola foi amplamente perguntado sobre Rodri. Houve até uma sugestão de que o City só teria levado o segundo gol porque Nico havia entrado em seu lugar — o que irritou profundamente o treinador.

Mas é fato que a queda de rendimento da equipe na temporada passada se deu principalmente pela ausência do volante espanhol. E Pep buscou exatamente um substituto ainda na janela do inverno europeu da última campanha. Mas Nico González realmente não consegue oferecer o que fez seu compatriota veterano se tornar um pilar do Manchester City?

A sucessão de volantes no Manchester City

Em todos os trabalhos de Pep Guardiola, aquele que estava no meio, mais recuado, era o termômetro do time — e, na grande parte do tempo, a peça crucial para fazer suas equipes progredirem. Busquets no Barcelona, Xabi Alonso e Lahm no Bayern de Munique, e Fernandinho e Rodri no Manchester City.

Deixando o Altético de Madri depois de apenas uma temporada de grande destaque, Rodri se viu mesmo no papel de Nico González atualmente: substituir o volante crucial para o jogo de Guardiola. Na época, era Fernandinho.

Rodri, jogador do Manchester City (Foto: Imago)
Rodri, jogador do Manchester City (Foto: Imago)

O brasileiro é reverenciado no Etihad Stadium e se tornou um dos grandes nomes da era vitoriosa do City. Rodri chegou em 2019 para um processo de sucessão que foi natural:

  • Fernandinho ainda era titular em 2019/20 e ambos jogaram juntos muitas vezes;
  • O brasileiro começa a ter menos frequência em 2020/21 e Rodri se consolida como a primeira opção;
  • A terceira temporada juntos é também a última, e Fernandinho deixa o City em 2021/22 com 19 jogos disputados na Premier League e um sucessor à altura.

A respeito de Rodri, há mais tempo: o espanhol tem apenas 29 anos, enquanto Fernandinho tinha 34 quando viu seu novo rival de posição chegar. Mas o timing foi ruim, já que Nico González chega para suprir uma necessidade imediata por conta da lesão do titular.

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Nico e Rodri: há uma distância tão grande assim?

O jovem ex-Porto não é o primeiro a tentar fazer sombra ao pilar de Guardiola. Kalvin Phillips foi uma contratação frustrada depois de grande sucesso no Leeds e até mesmo Mateo Kovacic se tornou o primeiro volante do time em sua ausência, mas sem as mesmas valências.

A questão é que Nico se tornou o primeiro a ser oficializado como sucessor de Rodri. O preço pago por seus serviços, cerca de 50 milhões de libras, também colocam pressão. E apesar do progresso desde a última temporada, há uma diferença notável entre os dois espanhóis nesse momento.

Nico teve grandes momentos no início da sua trajetória no City. Em sua estreia na Premier League, contra o Newcastle, teve o recorde da liga entre estreantes de 103 passes tentados e 97% completos. Isso ajudou a equipe a manter a bola, impedir a criação adversária e ter uma das melhores vitórias da temporada.

Por outro lado, demorou para se adaptar: foram apenas nove titularidades na temporada passada. Agora, com mais problemas com Rodri, pode continuar se alternando com o compatriota quando ele estiver saudável, deve ganhar sequência.

Com a bola, Nico não faz o mesmo que Rodri. Não gira sobre o opositor tão bem quanto e não tem tão afiados os princípios de atrair a marcação para liberar espaços como Rodri. O Bola de Ouro é o cérebro do time justamente por isso: parece ter uma visão “macro” do funcionamento do time em relação ao posicionamento dos companheiros e quais marcadores estão sendo manipulados.

Isso faz Rodri estar na mesma prateleira que Sergio Busquets, o principal jogador da história nessa função. Para além do tempo no modelo de jogo e o entendimento com os companheiros, que Nico claramente ainda não tem tão afiado quanto, entra na equação também o talento e genialidade.

Crescimento sem Rodri vai além de Nico e tem influência de Reijnders

Mas ainda que esteja a degraus de distância com a bola, o ex-Porto tem se mostrado já nessa temporada como uma sólida opção para cobrir o buraco defensivo que Rodri deixou com sua lesão na temporada passada.

O poder defensivo de González é vital em alguns traiçoeiros jogos que o City tem enfrentado. Como forma de impedir adversários, o espanhol é uma excelente opção para Guardiola.

Nico González em ação pelo Manchester City
Nico González em ação pelo Manchester City (Foto: Imago)

E não é apenas a chegada de Nico ajuda a contrariar a possível perda de Rodri. A contratação de Tijjani Reijnders aumentou as possibilidades, uma vez que o holandês é capaz de desempenhar múltiplas funções no centro do campo.

Reijnders traz o dinamismo necessário para um meio-campo do City que foi considerado deficiente na temporada passada. No 4-3-3 clássico de Guardiola, tem jogado como o meia “camisa 8” padrão, como foi Gündogan, mas Reijnders pode recuar mais se for necessário. Ele também teve jogos na pré-temporada como primeiro volante e dá flexibilidade tática durante o jogo.

E, aos poucos, o City não tem mais se desmoronado sem Rodri. Contra o Brentford, por exemplo, quando os londrinos tentaram organizar uma recuperação tardia, Nico foi crucial defensivamente e mostrou que o City sem Rodri ainda é temido — apesar das claras diferenças entre os dois espanhóis.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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