Mais uma vez com três zagueiros, Chelsea não toma conhecimento do Leicester
A categórica derrota para o Chelsea, três rodadas da Premier League atrás, fez com que Antonio Conte decidisse usar uma antiga fórmula. Mudou a defesa para uma formação com três zagueiros. A escalação de Azpilicueta permite que ele retome uma linha de quatro quando for necessário. Essa nova escalação venceu o Hull City por 2 a 0, no primeiro dia de outubro, e, neste sábado, venceu o atual campeão Leicester com autoridade, em Stamford Bridge.
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Conte foi muito bem sucedido com os três zagueiros na Juventus e, talvez, sua resistência a utilizá-lo logo de cara no Chelsea tenha a ver com a pouca familiaridade que o clube e o próprio futebol inglês têm com esse sistema. Mas ele serve a alguns propósitos: protege os erros de posicionamento de David Luiz; compensa a falta de velocidade de Cahill; cria dobradinhas pelos lados, entre os alas (Alonso e Moses) e os pontas (Hazard e William ou Pedro); e, com Kanté e Matic à frente dos três zagueiros, forma um sistema defensivo muito difícil de ser batido.
Evidente que também tem seus pontos negativos, com o potencial de deixar o time menos perigoso no ataque, mas isso não foi um problema contra o Leicester. E dificilmente será no futuro desde que Diego Costa e Hazard mantenham a boa forma. Os dois jogadores, cujas quedas de rendimento foram essenciais para a campanha ruim do Chelsea na última temporada, começaram bem esta edição da Premier League e foram os responsáveis pelos dois gols dos Blues no primeiro tempo.
Diego Costa abriu o placar em cobrança de escanteio, oriunda de uma linda defesa de Kasper Schmeichel, que evitou que uma bola desviada entrasse em seu canto esquerdo. Matic deu um inteligente toque de calcanhar na primeira trave, deixando o artilheiro do Chelsea livre para fazer 1 a 0. Foi seu sétimo gol em oito rodadas da Premier League, lembrando sua primeira temporada na Inglaterra, quando marcou nove vezes em sete jogos, e o seu clube acabou campeão.
Hazard também está mais parecido com o melhor jogador da Inglaterra da temporada 2014/15 do que com o meia-atacante que precisou de 35 rodadas para fazer seu primeiro gol na última Premier League. Em uma jogada meio atrapalhada da defesa do Leicester e de Pedro, fez 2 a 0, ainda no primeiro tempo.
O Leicester não demonstra mais aquela vontade extra em todos jogos que demonstrou principalmente na reta final da campanha do título. Perdeu um pouco de ímpeto e, com a Champions League também no calendário, Claudio Ranieri precisa administrar seus recursos. Mahrez e Slimani, por exemplo, ficaram no banco de reservas. E o seu estilo de jogo também está manjado.
Por isso, no segundo tempo, Conte permitiu que os visitantes, especialistas no contra-ataque, ficassem mais com a bola no pé e recuou o seu time. Foi a maneira que encontrou para administrar o resultado. E deu certo. O Leicester pouco ameaçou o time de Conte, que teve várias chances para ampliar o placar. Em uma delas, Kanté quase marcou no seu ex-time, mas foi bloqueado espetacularmente por Morgan. Em outra, Moses fez 3 a 0.
Foi uma vitória com autoridade do Chelsea sobre um Leicester mais fragilizado na Premier League, um resultado que ratifica a mudança de esquema de Antonio Conte e aponta um caminho. Enquanto isso, as Raposas, com as atenções divididas, aproximam-se da parte de baixo da tabela.



