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Lasse Schöne e Ander Herrera: Pouco badalados, mas primordiais na final da Liga Europa

Às vésperas da decisão da Liga Europa, Ajax e Manchester United possuem predicados muito claros a serem destacados. A juventude é um trunfo de ambas as partes, sobretudo a dos Godenzonen, com tantos jovens eclodindo. Há a intensidade de emoções dos Ajacieden, algo não necessariamente bom em todos os momentos, mas que vai rendendo uma campanha épica. Já os Red Devils podem não exibir um futebol tão convincente, embora sigam impondo a sua força fase depois de fase. Prometem um confronto consideravelmente imprevisível na Friends Arena, em que a pujança juvenil de um lado chama tanta atenção quanto a pujança econômica do outro, em que a fragilidade defensiva holandesa preocupa tanto quanto a falta de energia inglesa. Sendo assim, os termômetros do time serão imprescindíveis: Lasse Schöne e Ander Herrera. Coadjuvantes na falta de repercussão, mas essenciais.

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Schöne é o “vovô” do time-base do Ajax. Às vésperas de completar 31 anos, assumiu o papel de referência em uma equipe na qual boa parte dos titulares mal passa dos 21. E com um tempo de casa que o referenda a ser esse esteio dentro do grupo, já somando cinco anos com a camisa alvirrubra. Passando longe do radar no mercado de transferências, manteve-se firme às sucessivas renovações no elenco, mesmo aquelas que priorizavam os formados nas categorias de base. Afinal, o dinamarquês não apenas se encaixa muito bem no ambiente, como traz acréscimos importantes. Faz os Godenzonen se soltarem e cresceu junto com o time ao longo da temporada.

A própria incumbência de Schöne se modificou sob as ordens de Peter Bosz nesta temporada. Jogador voluntarioso e de muita disciplina, o camisa 20 atuou em inúmeras posições desde que chegou a Amsterdã. Tirando o gol, a zaga e a lateral esquerda, já tinha feito de tudo. Nos últimos anos, andava sendo escalado mais frequentemente nas pontas. Entretanto, o novo comandante o firmou de volta na cabeça de área, como tinha sido mais recorrente em seus primórdios nos Ajacieden. Contribui com a sua solidez, mas também com sua qualidade técnica, para permitir o jogo fluído e ofensivo da equipe.

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Até por seu posicionamento em campo, Schöne tem como principal incumbência iniciar a saída de bola, ao lado de zagueiros também com boa capacidade nos passes. Todavia, o volante extrapola a burocracia ao se apresentar muito bem no ataque, participando da criação e da finalização. Os seus chutes de longe e as cobranças de falta venenosas, sem dúvidas, podem ser armas bastante úteis no confronto com o Manchester United. Falta apenas um pouco mais de proteção à defesa. Além disso, tanto por questões físicas quanto por opção tática, Bosz vem utilizando o jovem Donny van de Beek no segundo tempo de diversas partidas. Nada que desqualifique o dinamarquês, dono de um poder de decisão bem maior.

Ao longo dos 90 minutos em Solna, Schöne deve se cruzar várias vezes com Ander Herrera. O espanhol permaneceu subestimado em diversos momentos de sua estadia no Manchester United, por mais que tenha chegado a peso de ouro do Athletic Bilbao, resistente em vender o seu cérebro. Postura natural dos bascos, diante das virtudes do meio-campista. As temporadas amargas dos Red Devils desde então atrapalharam um pouco a visibilidade ao futebol do camisa 21. Mas nos últimos meses, justamente quando os holofotes se voltavam a Paul Pogba na meia-cancha mancuniana, o companheiro ressaltou o seu valor. Vive o melhor momento em Old Trafford, não à toa desbancando o tricampeão David de Gea pelo Prêmio Sir Matt Busby, oferecido ao principal jogador do clube na temporada.

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Talvez o perfil mais sóbrio fora de campo faça Herrera passar despercebido. Afinal, mesmo merecendo a convocação desde os tempos de Athletic, só chegou à seleção principal da Espanha em outubro. No entanto, prestando atenção nos jogos, não é difícil perceber o talento do volante. A chegada de José Mourinho o ajudou, dando um voto de confiança maior do que nos tempos de Louis van Gaal. Assim, ele cresceu em participatividade e em produtividade. Ocupou o campo todo, coordenou o jogo dos Red Devils, se empenhou bastante sem a bola. Primou demais pelos passes cirúrgicos e por suas infiltrações. Fez-se ainda mais notável ao longo da invencibilidade do time nos últimos meses, por mais que os resultados não tenham sido tão empolgantes assim de uma maneira geral.

Apesar de tudo, se há um momento certo para Herrera ratificar sua forma e auxiliar o United a não encerrar a temporada com um enorme gosto de frustração, a oportunidade vem na Liga Europa. Uma chance para o basco também recuperar o principal título que escapou de suas mãos, após ser um dos grandes destaques na campanha que levou o Athletic Bilbao à decisão em 2011/12 – quando, inclusive, auxiliou na classificação sobre os mancunianos nas oitavas de final. Se o sucesso vier desta vez, irremediavelmente passará por seus pés. É o trabalho do meio-campista que permite muitas bases do jogo da equipe.

Nesta quarta, porém, a história coroará apenas um deles. Talvez nem se sobressaiam tanto no jogo, mas é praticamente impossível que não apareçam e se entreguem incessantemente pelo funcionamento de suas equipes. Aí é que está a importância de ambos. Protagonistas sem badalação e decisivos para o coletivo.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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