Inglaterra

Klopp: “Não precisam se preocupar comigo. Estou cheio de energia e não preciso de uma pausa”

Às vezes as coisas se movem muito rápido no futebol. O Liverpool está em má fase. Depois da derrota para o Leicester no fim de semana, Jürgen Klopp concedeu a briga pelo título e estaria com uma aparência abalada. Suficiente para surgirem rumores de que precisaria tirar algum tempo para recuperar as energias, embora tenha contrato até 2024. Chegou a ser colocado como favorito pelas casas de aposta para ser o próximo treinador da Premier League a deixar o seu cargo e ainda está em terceiro lugar, atrás de Roy Hodgson e José Mourinho.

Na entrevista coletiva antes do início das oitavas de final da Champions League contra o RB Leipzig, nesta terça-feira, em Budapeste, o título que sobrou para o Liverpool brigar, Klopp abandonou a postura combativa que costuma adotar quando as coisas não estão dando certo para responder as especulações de uma maneira mais gentil: obrigado pela preocupação, galera, mas eu não vou a lugar algum.

Klopp contou semana passada que sua mãe foi uma das 65 mil pessoas que perderam a vida na Alemanha devido à Covid-19 e sequer pode voltar à Alemanha para o seu funeral por causa das restrições de viagem para conter a pandemia. Durante a semana, o Twitter do Liverpool publicou uma mensagem de apoio ao seu comandante e os torcedores penduraram uma faixa em Anfield com a sigla YNWA – You’ll Never Walk Alone.

A faixa em apoio a Klopp em Anfield (Foto: Michael Regan/Getty Images/One Football)

“A faixa foi legal, mas não era necessária. Eu não sinto que eu preciso de apoio especial neste momento, mas foi muito legal. Obrigado por todo o apoio. Eu não consigo vê-lo, na verdade, mas as pessoas me contam sobre ele. Estou muito grato, mas as pessoas podem se preocupar com outras coisas. Não precisam se preocupar comigo. Eu não preciso de uma pausa”, afirmou, na entrevista coletiva.

“Nós fazemos isso pelo povo e isso nunca mudará. Eu sinto tanto a responsabilidade quando as coisas não vão bem. A maioria do nosso povo – e talvez mais ainda – está conosco. É legal sentir isso. Mas eu preferia poder lutar esta luta com a nossa torcida no estádio. Em uma situação assim, não é o que você deseja, mas podemos mostrar muita união. Eu amaria que o estádio estivesse cheio pelos próximos dez jogos para lutarmos juntos. Mas lutaremos juntos de outros lugares. Saber que temos o apoio deles é ótimo”, disse.

“A última coisa que quero fazer é falar sobre minha vida pessoal em uma entrevista coletiva. Mas todos sabem que tivemos um momento muito difícil na vida privada. Mas não foram apenas as últimas três semanas, foi muito mais do que isso. Sempre lidamos com isso como família, 100%”.

“Quando eu cheguei a este clube – eu tenho 53 anos e sou treinador há 20 anos -, eu consigo separar as coisas e me desligar. Eu não carrego as coisas por aí. Se é privado, é privado, e se é futebol ou sobre o trabalho, então estou aqui. Não sou influenciado pelas coisas que acontecem em torno de mim, mas ninguém precisa se preocupar comigo”.

“Eu posso não parecer assim, porque o clima não está bom, estou branco e minha barba fica cada vez mais cinza. Todas essas coisas. Sim, eu não durmo muito e meus olhos têm essa aparência, mas está tudo bem. Estou cheio de energia, sério”, completou.

O Liverpool levou três gols do Leicester em um intervalo de sete minutos, com mais uma falha de Alisson, e perdeu o terceiro jogo consecutivo pela Premier League. Ganhou apenas duas das últimas dez rodadas e está a 13 pontos do líder Manchester City, tendo disputado um jogo a mais, o que explica por que Klopp acha que não é mais possível defender o título inglês.

E as lesões seguem se acumulando, agora com Fabinho se juntando a nomes como Van Dijk, Joe Gomez, Naby Keita, Diogo Jota, Joel Matip, James Milner e outros no estaleiro. A situação é muito difícil, mas Klopp prefere encará-la como um empolgante desafio. “Eu não quero estar nesta situação, mas a situação é um desafio interessante. Ninguém escreveu um livro sobre como chegamos a esta situação e como nós a resolvemos. Mas vamos resolvê-la. Enquanto estamos fazendo isso, pode ser complicado, mas vamos resolvê-la jogando futebol, ficando ainda mais unidos”, disse.

“Vamos resolvê-la lutando com tudo que temos, aprendendo mais do que aprendemos em todas as outras temporadas. É esse o plano que temos”, acrescentou. “Veja, coisas estranhas aconteceram em termos de lesão. Se alguém chega para mim e me diz que temos um jogador com um pequeno problema, eu sei que será um zagueiro. Foi assim o tempo inteiro, é incrível. Uma temporada inteira assim”.

“Aprendemos muito. Eu entendo que muitas pessoas não estão felizes com o resultado. Eu entendo. Eu sou responsável por isso. Mas ainda tivemos alguns momentos muito bons. Vocês podem esquecer isso, mas nós não podemos porque é o começo para mudar as coisas. Mudar uma situação como esta com um futebol ruim? Nunca ouvi falar disso. Precisamos de resultados, mas somos o Liverpool. Não podemos esperar 60 minutos antes de cruzar a linha do meio-campo. Precisamos ser dominantes e faremos isso. Estou pronto. Os rapazes estão prontos. Vamos dar tudo que temos para resolver esta situação”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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