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Klopp abriu o coração sobre final de Kiev e não poupou críticas a Sergio Ramos

Logo depois da derrota por 3 a 1 para o Real Madrid, na final da Champions League, em Kiev, o técnico Jürgen Klopp não quis entrar em polêmicas e guardou sua opinião mais sincera sobre um dos lances decisivos da partida: quando Sergio Ramos segurou o braço de Mohamed Salah, que machucou o ombro no lance e teve que ser substituído ainda no primeiro tempo. Meses depois, o alemão decidiu abrir o coração sobre o assunto e foi bastante enfático.

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“Estamos abrindo esta garrafa novamente?”, começou”. “Eu vi o lance de novo, claro. Se você vê-lo de novo e não estiver com o Real Madrid, você acha que foi cruel e brutal. Você não pensa: ‘wow, bela dividida’. É uma situação no jogo em que Salah tenta manter a bola, consegue por alguns metros e acelera o jogo. O negócio é que eu vi o árbitro (Milorad Mazic, da Sérvia) apitando alguns grandes jogos da Copa do Mundo depois e ninguém realmente pensa nisso depois. Acho que em uma situação daquelas alguém precisa julgar melhor. Se o árbitro de vídeo está chegando, então é uma situação em que você tem que olhar de novo. Foi cruel”.

Não faz parte do árbitro de vídeo revisar um lance como aquele – apenas gols, impedimentos, cartões vermelhos e erros de identificação são analisados. Além do lance com Salah, Sergio Ramos também esteve envolvido no choque com Loris Karius que causou um concussão no goleiro do Liverpool, segundo o clube e um hospital dos EUA. Karius acabou falhando em dois gols do Real Madrid. “Eu não acho que Salah sempre se machucaria naquela situação. Desta vez, foi azar, mas é uma experiência que não podemos ter. Não tenho certeza que teremos essa experiência novamente. Enfiar o cotovelo no goleiro, derrubar o artilheiro como um lutador de luta livre no meio-de-campo e ganhar o jogo. Essa foi a história do jogo”, afirmou.

Sergio Ramos respondeu às críticas minimizando o lance e dizendo que Salah poderia até ter continuado jogando se tomasse infiltrações. Não pegou bem com Klopp. “Ele disse um monte de coisas que eu não gostei”, afirmou o treinador do Liverpool. “Como pessoa, eu não gostei das reações dele. A postura dele foi ‘que seja, o que eles querem? Foi normal’. Não. Não foi normal. Se você colocar todas as situações de Ramos juntas, e eu vejo futebol desde os cinco anos, você verá várias situações com Ramos. Na final do ano anterior, contra a Juventus, ele foi responsável pelo cartão vermelho do Cuadrado. Ele o tocou assim (coloca o dedo contra a pele) e ele fez toda uma encenação. Ninguém falou disso depois”, afirmou.

Para Klopp, o árbitro deveria ter expulsado Ramos, mesmo no começo da partida, como fez o apitador da final entre Arsenal e Barcleona, em 2006, com Jens Lehmann. “Tivemos (com o Borussia Dortmund) um jogo contra o Bayern na final da Champions League e era cartão vermelho para Dante. O árbitro não quis fazer isso. Sempre na vida você precisa de um pouco de ajuda dos outros. Obviamente, naquela situação, não ativemos e, se vocês escreverem isso, as pessoas dirão que eu sou fraco, ou mau perdedor, ou um chorão. Não sou. Eu aceito a derrota. Vocês me perguntaram. Não é que eu acordo todas as manhãs e penso ‘Ramos!’. Estou tranquilo”, prometeu.

“Em uma final, você precisa de um pouco de sorte e não tivemos. Eles tiveram sorte em várias situações. Eles marcaram um gol de bicicleta! Claro que isso foi sorte. Todos sabemos que Bale é capaz de fazer aquilo, mas ele provavelmente coloca mais bolas nas arquibancadas do que no gol daquela situação”, continuou. “Eu era praticamente o único que não estava chorando da minha família. Até meu empresário estava chorando porque sentiu muito por mim. Eu não chorei porque eu realmente… não tenho certeza por que foi assim, mas foi…não consigo mudar. Eles estavam tristes e decepcionados porque acharam que eu estava. Eu estava, claro, mas não achava que era o fim de alguma coisa. É apenas mais um passo. A vida é assim. Temos que aceitar às vezes que há alguém melhor, que há alguém com mais sorte. Depois da final de 2013, eu percebi que a vida continua, não vou ficar me torturando por isso”.

Um vídeo publicado algumas horas depois da derrota mostrou como Klopp estava lidando com a derrota. O alemão apareceu ao lado de uma banda alemã pulando e cantando que o “Real Madrid teve toda a sorte” e que ainda traria a Champions League de volta para Liverpool. Em uma entrevista exclusiva ao site Goal, esta semana, explicou o que aconteceu e a resposta é meio óbvia: ele havia bebido bastante. “Bom, todo mundo obviamente tinha bebido muito álcool e quando isso acontece você tem que guardar todos os smartphones. Este é o melhor conselho”, encerrou.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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