Inglaterra

Jogo demais

A coluna de hoje, me parece, deveria ter sido adiada por causa das fortes nevascas, mas, informa-me nosso editor que na minha casa não nevou, portanto eu tenho que me virar para arrumar assunto. Brincadeiras à parte, sem rodada para comentar fazemos apenas um rápido registro das divisões inferiores – nos casos em que houve jogo – e aproveitamos para discutir uma questão que certamente vai voltar a aparecer com todos esses adiamentos: será que os clubes ingleses não estão jogando demais?

É claro que se compararmos com o Brasil parece até piada fazer esse tipo de pergunta. Como, entretanto, nesse aspecto não somos referência para ninguém, o assunto volta à pauta na Inglaterrra sempre que faltam datas para marcar jogos, como vai acontecer neste ano, ou quando começam a se multiplicar as contusões.

Os argumentos estão na mesa há tempos, e o principal deles refere-se à Copa da Liga. A competição tem enorme valor para os clubes que não ganham nada há tempos – como foi o caso do Tottenham recentemente – e para os que nunca vão ganhar nada decente. Para os times que disputam a Liga dos Campeões, entretanto, trata-se de uma distração. Arsenal e United cansam de jogar a League Cup com elencos de reservas, juvenis e jogadores que estão voltando de contusão.

Outra discussão que surge de vez em quando, embora esta dificilmente prospere, é a do número de times na Premier League. Os dois últimos nas três últimas temporadas foram: Hull City e Portsmouth; Middlesbrough e West Brom; Birmingham e Derby. Entre os rebaixados recentes que não voltaram a subir, além da maior parte destes citados, estão Reading, Burnley, Sheffield United, Charlton, Watford…

Tem time demais na primeira divisão, ainda que de vez em quando seja rebaixado um Newcastle. Dezoito ou mesmo dezesseis times fariam uma primeira divisão decente, com jogos melhores, e sem obrigar os times a se esfalfar para cumprir todas suas tabelas.

A discussão é antiga, e parece nunca avançar. O fato é que jogar futebol na Inglaterra no auge do inverno é complicado. Tanto quanto, por exemplo, na Alemanha, onde o campeonato para em janeiro. Menos jogos significam menos dinheiro, claro, tanto em ingressos como em receita da TV. Mas podem também significar um espetáculo de melhor qualidade. O que, também é claro, não parece preocupar ninguém que tenha poder na Inglaterra.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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