Inglaterra

James McClean deu uma sugestão curiosa ao futebol: regulamentar brigas em campo, como no hóquei

Segundo o veterano da seleção da Irlanda, permitir que os jogadores troquem socos em campo seria uma solução para diminuir os "empurra-empurra" que acontecem no futebol

James McClean possui uma longa carreira na elite do futebol. O meia soma 96 partidas pela seleção da Irlanda e 158 pela Premier League, além de mais de 200 na Championship. Nesta semana, o veterano do Wigan ganhou manchetes na Inglaterra por uma sugestão “pouco ortodoxa” para resolver confusões dentro de campo. McClean foi bastante radical: para ele, o futebol deveria permitir em seu regulamento que jogadores possam trocar socos. O irlandês cita o exemplo do hóquei sobre o gelo, em que há permissão para brigas, antes que os jogadores fiquem de fora por cinco minutos.

“Só uma observação: se o futebol introduzisse uma regra como no hóquei sobre o gelo, onde, se houver um problema em campo, dois jogadores envolvidos podem brigar por 10 ou 15 segundos e então são retirados. Garanto que aconteceriam bem menos empurra-empurra no gramado”, opinou McClean, em suas redes sociais. Uma solução radical que nunca seria adotada pela Fifa, óbvio. Se os pedidos mais comuns são por coibir a violência e aumentar as sanções, o que aconteceu paulatinamente no futebol ao longo das décadas, não é agora que abrirão uma exceção à ideia de McClean.

No caso do hóquei sobre o gelo, as brigas são uma tradição na América do Norte, mas não na Europa. A NHL, principal competição dos Estados Unidos e do Canadá, permite as trocas de socos em suas regras desde 1922. Na liga e em outros torneios da América do Norte, os brigões costumam ser punidos com cinco minutos fora do rinque e podem voltar depois. A mera briga não resulta necessariamente em expulsão imediata, a não ser que existam elementos específicos – como usar objetos ou se envolver em três lutas no mesmo jogo. A mesma permissividade com as brigas não ocorre em competições europeias ou nos Jogos Olímpicos, nos quais essas confusões são mais severamente sancionadas e os brigões são ejetados de imediato.

Conforme os livros de regras da NHL, os jogadores que iniciarem as brigas devem largar imediatamente seus tacos e também tirar as luvas, para trocar socos com as mãos nuas. As regras ainda não permitem aos jogadores tirarem seus capacetes, para manter a proteção ao crânio. Os brigões precisam respeitar também a intervenção dos árbitros para o fim da luta. Existe ainda uma série de “etiquetas” na briga – regras não escritas que regem as lutas no rinque. Os dois jogadores precisam aceitar a troca de socos para que ela se inicie e há respeito se alguém desistir da luta, por lesão ou qualquer outro motivo.

Apesar da óbvia crítica à violência, há quem defenda as brigas no hóquei como uma maneira de “coibir outros tipos de entradas desleais e de proteger estrelas”. Existem inclusive jogadores designados para o papel de brigões, os chamados “enforcers”. Não é apenas “perder o controle”, mas a intimidação e a retaliação também podem fazer parte da estratégia para o jogo de uma equipe. Estatisticamente, porém, times que brigam muito têm menos sucesso que os times que pouco se envolvem em entreveros.

Antes da manifestação desta semana, McClean já era um personagem conhecido por seus posicionamentos e opiniões no futebol, sobretudo em questões políticas relativas à República da Irlanda. O meia ficou marcado por se afastar de seus companheiros quando era observado um minuto de silêncio à morte da Rainha Elizabeth II. Além disso, o irlandês não costuma usar a flor de papoula que, tradicionalmente, relembra os soldados britânicos mortos na Primeira Guerra Mundial. O futebolista nasceu em Derry, cidade na Irlanda do Norte de maioria católica e iniciou sua carreira no Derry City, clube que, por conta do sectarismo, joga o Campeonato Irlandês.

McClean está no futebol inglês desde 2011/12, quando foi contratado pelo Sunderland. O meia teve uma primeira passagem pelo Wigan entre 2013 e 2015, antes de defender o West Brom e o Stoke City. Já seu retorno ao Wigan aconteceu em 2021/22, entre os destaques na equipe que conquistou o acesso de volta à Championship e agora luta pela permanência na segunda divisão. O veterano é convocado pela seleção da Irlanda desde 2012 e disputou duas edições da Eurocopa. Ainda na ativa pela equipe nacional, com 96 partidas, McClean é o sétimo jogador que mais defendeu os alviverdes na história.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo