Inglaterra

Iraola no Liverpool: Faz sentido e o que mudaria em relação a Slot?

Espanhol surge como favorito para assumir o Liverpool após a saída de Arne Slot

A busca do Liverpool por um novo treinador já tem um favorito. Livre no mercado de transferências após encerrar sua passagem pelo Bournemouth, Andoni Iraola desponta como o principal candidato para assumir o comando dos Reds depois da demissão de Arne Slot.

A informação, divulgada pela “ESPN”, coloca o técnico espanhol no topo da lista da diretoria de Anfield. E embora outros nomes estejam sendo analisados, como Sebastian Hoeness e Pierre Sage, há motivos concretos para entender por que Iraola ganhou força nos bastidores.

Mas a questão que realmente interessa ao torcedor do Liverpool vai além da escolha do nome: Iraola faz sentido para o projeto do clube? E, principalmente, o que mudaria em relação ao trabalho desenvolvido por Slot?

Liverpool busca recuperar intensidade sem abrir mão do protagonismo

A passagem de Arne Slot por Anfield foi marcada pela tentativa de dar continuidade ao legado deixado por Jürgen Klopp, mas com uma abordagem mais controlada. O holandês valorizava a posse de bola, a circulação paciente e uma ocupação racional dos espaços.

Em muitos momentos, o Liverpool de Slot foi eficiente. O sucesso veio rápido: logo na primeira temporada, título da Premier League. Em outros, porém, transmitiu a sensação de ser menos agressivo do que a versão que dominou a Premier League e a Europa sob Klopp.

Andoni Iraola, técnico do Bournemouth
Andoni Iraola, técnico do Bournemouth. Foto: IMAGO / Pro Sports Images

É justamente nesse ponto que Iraola surge como uma alternativa atraente. Desde os tempos de Rayo Vallecano, o treinador construiu sua reputação com equipes extremamente intensas sem a bola. Seus times pressionam alto, encurtam espaços rapidamente e tentam recuperar a posse o mais próximo possível do gol adversário.

No Bournemouth, essa identidade ficou ainda mais evidente. Mesmo com recursos financeiros e técnicos inferiores aos dos gigantes ingleses, os Cherries se tornaram uma das equipes mais difíceis de enfrentar na Premier League graças à sua agressividade na marcação e à velocidade das transições.

A inédita classificação para a Europa League foi consequência direta dessa proposta.

Em teoria, o elenco do Liverpool parece preparado para absorver esse tipo de ideia. Jogadores como Ryan Gravenberch, Alexis Mac Allister e Dominik Szoboszlai se encaixam naturalmente em um modelo que exige intensidade física constante e pressão coordenada.

A chegada de Iraola representaria, portanto, uma espécie de retorno a conceitos que fizeram parte da era Klopp, embora com nuances diferentes.

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O que muda entre Iraola e Slot?

A principal diferença está na forma como cada treinador entende o controle do jogo. Slot buscava dominar as partidas por meio da posse de bola. Sua equipe procurava reduzir riscos, construir ataques de forma organizada e controlar o ritmo dos confrontos.

Iraola, por outro lado, parece mais confortável convivendo com um cenário caótico. Seus times frequentemente aceitam partidas mais abertas, com transições rápidas e trocas de ataques. A ideia não é necessariamente controlar o jogo durante os 90 minutos, mas criar situações constantes de pressão que levem o adversário ao erro.

Na prática, isso poderia tornar o Liverpool mais vertical. Os laterais tenderiam a atacar com maior frequência, os atacantes receberiam mais liberdade para explorar profundidade e o time provavelmente aumentaria o volume de recuperações de bola no campo ofensivo.

Outra mudança importante estaria na gestão do elenco. Slot chegou ao Liverpool carregando a responsabilidade de suceder Klopp, um dos maiores treinadores da história do clube. Iraola chegaria em um contexto diferente: com a missão de iniciar um novo ciclo.

Sua passagem pelo Bournemouth mostrou capacidade para desenvolver jogadores, potencializar atletas jovens e construir ambientes competitivos sem depender exclusivamente de estrelas. Esse aspecto também agrada à diretoria.

Não por acaso, a relação próxima com Richard Hughes, atual diretor esportivo do Liverpool e responsável por levá-lo ao Bournemouth em 2023, aparece como um dos fatores que fortalecem sua candidatura.

Além disso, Iraola já era monitorado em Anfield há anos. Quando ainda comandava o Rayo Vallecano, seu nome apareceu em discussões internas como uma possível alternativa para o futuro pós-Klopp. Agora, com experiência consolidada na Premier League e após a melhor temporada da história do Bournemouth, o cenário parece mais favorável do que nunca.

A decisão ainda não foi oficializada, mas o interesse do Liverpool revela muito sobre a direção que o clube pretende seguir. Se a contratação se concretizar, Anfield poderá voltar a ver uma equipe definida pela intensidade, pela pressão constante e por um futebol menos preocupado em controlar o caos. E mais preparada para sobreviver dentro dele.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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