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Ingleses usaram a tecnologia para dizer se o gol polêmico na final da Copa de 66 valeu ou não

Já se passaram quase 50 anos, mas a polêmica persiste. A Inglaterra é a campeã legítima da Copa do Mundo de 1966, com uma mancha que dificilmente se apagará do currículo. O segundo gol de Geoff Hurst naquela final contra a Alemanha Ocidental, desempatando o jogo na prorrogação, permanece entalado na garganta de muita gente. Por isso mesmo, os ingleses apelaram às tecnologias mais modernas para determinar se aquela bola passou ou não a linha do gol. E a resposta deles (é claro) nem foi tão surpreendente assim. A digitalização da cena seria a prova definitiva de que o gol valeu.

A simulação foi realizada nesta segunda pelo tradicional Monday Night Football, da Sky Sports, logo na primeira semana do ano em que o título completa meio século. Com o SkyPad touchscreen e um sistema de realidade virtual da EA Sports, as imagens da final se transformaram em um lance de Fifa 16. E a bola, na simulação, claramente ultrapassa a linha, confirmando a visão do assistente Tofiq Bahramov – acusado por décadas de prejudicar os alemães ocidentais após a eliminarem a União Soviética nas semifinais.

“O bandeirinha acertou. Ele talvez não estivesse na melhor posição, mas isso traz a resposta de uma vez por todas. Não entrou por umas duas ou três polegadas. Essa discussão se alongou na história. Felizmente, hoje podemos esclarecer tudo isso”, afirmou Jamie Carragher, comentarista do programa. Em suas memórias, no entanto, Bahramov afirmava que assinalou o gol pela impressão de que a bola voltava após estufar as redes, e não por bater no travessão. O árbitro Gottfried Dienst, por sua vez, tinha a visão encoberta no lance.

De qualquer forma, não é o tira-teima da Sky Sports que servirá de resposta para a história. Ainda mais por ser um lance simulado pelos próprios ingleses, a controvérsia permanece, desta vez colocando à prova a própria tecnologia. Os olhos de muita gente dizem claramente o contrário, independente da digitalização. E o lance decisivo de Hurst seguirá tratado como um “gol fantasma” por décadas – especialmente por quem quiser contestar a legitimidade do feito da Inglaterra.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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