Inglaterra

Ingleses não sabem jogar futebol? Redknapp explica

A Inglaterra é uma das seleções mais superestimadas do futebol internacional. Apesar de só ter ganhado uma vez a Copa do Mundo em uma situação controversa (basicamente pelo gol que a bola não entrou), a seleção inglesa é sempre vista como um time perigoso e que pode chegar longe. O técnico Harry Redknapp, do Queens Park Rangers, tem uma justificativa que pode explicar isso. Apesar do time ser muito mais perdedor do que vencedor, ele acredita que o time tem valores individuais de alto nível, mas que o futebol como um todo é mal tratado e o time fica abaixo da sua capacidade. Não falta individualidade, falta o coletivo. Em um mundo onde a Espanha é a campeã do mundo e o Barcelona é um dos grandes times e ambos baseiam-se em coletivos muito fortes, é importante entender como um apanhado de bons jogadores da Inglaterra não consegue render mais que uma Ucrânia ou Suíça, por exemplo.

“Eu sou apaixonado pela seleção inglesa em todos os níveis e fico terrivelmente decepcionado quando eu vejo que nós termos um desempenho tão ruim contra outros países, sendo que temos grandes individualidades”, analisou o técnico do Queens Park Rangers. “Mas o problema mais grave que nós todos encontramos é que o futebol inglês precisa mudar. E isso precisa vir de cima para baixo”, continuou. “Isso significa que o técnico Roy Hodgson se envolva com os técnicos de todos os níveis e trabalhem na mesma direção”.

“Nós não sabemos como jogar futebol. Nós apenas chutamos a bola no campo e isso não nos leva a lugar algum”, declarou o técnico. “Nós não temos as crianças treinadas do mesmo jeito, do jeito certo, desde pequenos. Como resultado, nós temos uma seleção principal que está muito abaixo do que poderia conquistar”, constatou o técnico. Para Redknapp, não falta qualidade individual de jogadores aos ingleses. A fala de resultados com a seleção principal tem outras causas.

“Olhe para a chamada ‘geração de ouro’ de Steven Gerrard, Frank Lampard, John Terry, Wayne Rooney, Ashley Cole, etc”, disse ele. “Jogador por jogador, não há um país no mundo que pudesse encarar isso no papel. Mas juntos eles nunca produziram porque nós só jogamos a bola para frente e esperamos que aconteça o melhor”, analisou. “No futebol de seleções, você não pode chutar e esperar porque você desperdiça a bola. A questão é ter posse, manter a bola, controlar ao jogo. Nós precisamos de técnicos que acreditem neste ideal”, concluiu o treinador.

Vale lembrar que Redknapp era o nome mais cotado para assumir a seleção inglesa quando Fabio Capello deixou o cargo, às vésperas da Eurocopa de 2012. A especulação é vista como um dos fatores-chave que levou o Tottenham, o time que dirigia, a uma queda na temporada – o que, em última instância, resultou na sua demissão ao final da temporada. Dito isto, voltamos à vaca fria: mas a seleção inglesa tem tantos bons jogadores assim?

A resposta é sim, a Inglaterra tem bons jogadores (talvez mais no videogame que na vida real, mas ainda bons). Menos do que o técnico acredita, mas há jogadores para se compor uma seleção de alto nível, capaz de competir com outras seleções pesadas e até mais fortes. Joe Hart é um goleiro de alto nível, assim como o lateral esquerdo Ashley Cole. Michael Carrick é excelente volante, além dos experientes Steven Gerrard e Frank Lampard, que se não podem jogar juntos, ao menos são ótimas opções. Wayne Rooney está entre os melhores jogadores da sua posição e além de um bom atacante, é inteligente para jogar no meio-campo. Theo Walcott e Alex Oslade-Chamberlain não são jogadores que brigarão pelo título de melhor do mundo, mas são bastante úteis e tecnicamente bons. Dá sim para montar um time. Nesse ponto, Redknapp tem razão.

O problema é que a Inglaterra não consegue mostrar um time que apresente um grande futebol há muito tempo. Os melhores resultados da Inglaterra em Copas do Mundo se resumem a duas semifinais. Em 1966, quando acabou levando o título em casa, e em 1990, quando perdeu da Alemanha na semifinal. Não é um time confiável. Tanto que a classificação para a Copa do Mundo ainda está ameaçada, em um grupo onde claramente deveria se impor como favorita (Montenegro é líder, seguido por Inglaterra, Ucrânia, Polônia, que ainda disputam uma vaga, e Moldávia e San Marino, já sem chances).

A Inglaterra precisa mesmo de um padrão de jogo, de uma formação melhor aos seus jogadores e um senso de jogo coletivo mais apurado. Está longe de ser um país onde os jogadores são os mais talentosos, como a Alemanha e a Espanha, ou mesmo o Brasil. Mas é capaz de montar ótimos times para brigar por quartas de final da Copa. Por enquanto, isso é só uma teoria.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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