Inglaterra

‘Eu não acho que a Inglaterra esteja pronta para ter uma super estrela negra’

Lenda do futebol inglês sai em defesa de meio-campista após críticas por comportamento na seleção inglesa

Jude Bellingham virou alvo de críticas na Inglaterra na última Data Fifa por conta de sua reação ao ser substituído na vitória por 2 a 0 sobre a Albânia, no último domingo (16).

Estrela do Real Madrid, o meio-campista não é titular do técnico Thomas Tuchel e recebeu uma rara chance ao lado de Phill Foden nos 11 iniciais na partida que encerrou as Eliminatórias da Copa do Mundo na Europa. A Inglaterra já estava classificada com antecedência. Por isso, o treinador decidiu fazer testes.

Bellingham atuou por 83 minutos, até ser substituído por Rogers aos 38 do segundo tempo. Mesmo com os minutos somados em campo, o jogador demonstrou insatisfação e irritação ao deixar o gramado.

Foi o suficiente para uma enxurrada de críticas ao volante na imprensa inglesa e também nas redes sociais. Tuchel, por sua vez, minimizou de imediato o assunto em sua entrevista coletiva.

Mas coube ao ídolo do Arsenal Ian Wright fazer uma defesa contundente a Jude Bellingham.

“A Inglaterra não está pronta para ter uma super estrela negra”

O ex-atacante não mediu palavras para falar do caso, em uma participação no podcast “Overlap”, ao lado de Gary Neville, Jamie Carragher, Wayne Rooney e Roy Keane.

Wright afirmou que os críticos de Jude Bellingham não estão prontos para ter uma super estrela negra. E que o comportamento de Bellingham incomoda justamente por sua personalidade. Para o ex-atacante da seleção inglesa, as críticas a Bellingham são racismo.

Eu não acho que eles (ingleses críticos a Bellingham) estejam prontos para uma super estrela negra. Alguém que se porte como Jude está se portando. Eles não podem tocá-lo. Ele vai lá, performa, faz o que quiser e diz: “quem mais?” — disse Wright.

Wright foi além e afirmou e citou que os ingleses “amam” N’Golo Kanté por ser um homem negro mais discreto e se “assustam” com homens negros de personalidade forte, como Bellingham e Pogba.

— Eu vou colocar em termos de futebol. Todos amam N’Golo Kanté. Ele é um homem negro humilde. Essa é sua personalidade. Mas se você for um Pogba ou um Bellingham, você recebe esse tipo de tratamento. Uma pessoa como Jude, por algum motivo, assusta essas pessoas, por sua capacidade de inspirar (outras pessoas). Isso é algo que você aprende como um homem negro. Você deve ir lá, fazer o seu melhor e manter sua cabeça baixa. E ser, por falta de um termo melhor, um maldito escravo — disse Ian Wright.

Excêntrico, Ian Wright marcou época em momento de transição do Arsenal
Excêntrico, Ian Wright marcou época em momento de transição do Arsenal. Foto: Imago

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As críticas a Bellingham

As críticas a Bellingham na seleção inglesa vão além de sua reação à substituição na última Data Fifa. O meio-campista é alvo de cobranças por não render da mesma forma que rende pelo Real Madrid quando atua por seu país.

Mas as principais críticas têm a ver com seu temperamento e suas supostas atitudes no dia a dia da seleção inglesa. Os relatos são de que Bellingham supostamente atrapalha o ambiente da equipe nacional por não ser titular de Thomás Tuchel.

O treinador tem o dilema de como encaixar o trio Bellingham, Phil Foden e Harry Kane na equipe. Após não contar com os dois primeiros em duas Datas Fifa anteriores, Tuchel decidiu priorizar o centroavante.

O técnico quer que sua equipe tenha a “cara” da Premier League. Ou seja, ele quer uma Inglaterra que atue com mais agressividade, especialmente na pressão pós-perda.

Por isso, a opção por um meio-campo com Elliot Anderson, Declan Rice e Rogers, um trio que é muito mais intenso e cumpre melhor as funções defensivas. Os dois primeiros formam uma dupla de volantes, com o terceiro mais adiantado.

Assim, Kane tem espaço de movimentação e recua bastante para participar da construção. Ele atua como um falso 9 que faz, por vezes, até mesmo a função de volante. Funciona tão bem, que a Inglaterra se classificou com duas rodadas de antecedência.

Foto de Eduardo Deconto

Eduardo DecontoSetorista

Jornalista pela PUCRS, é setorista de Seleção e do São Paulo na Trivela desde 2023. Antes disso, trabalhou por uma década no Grupo RBS. Foi repórter do ge.globo por seis anos e do Esporte da RBS TV, por dois. Não acredite no hype.

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