Eliminatórias da Copa

Inglaterra faz testes e usa ideia de Guardiola, mas se apoia em Kane para bater Albânia de Sylvinho

Tuchel fez mudanças, usou Foden e Bellingham juntos, mas gols vieram de cruzamentos 'puramente ingleses'

A Inglaterra venceu a Albânia neste domingo (16) por 2 a 0, em jogo válido pela 10ª rodada das Eliminatórias da Europa para a Copa do Mundo de 2026. Harry Kane marcou os dois gols do jogo.

O confronto colocou frente a frente líder e vice do grupo K das Eliminatórias. Enquanto os ingleses de Thomas Tuchel já estavam classificados, a equipe comandada por Sylvinho já chegou ao jogo com vaga na repescagem.

Improviso e ideia à lá Guardiola de Tuchel na Inglaterra

O treinador alemão vinha de uma campanha com 100% de aproveitamento com os Três Leões antes de enfrentar a Albânia: sete vitórias em sete jogos, com 20 gols marcados e nenhum sofrido. Já classificado, fez testes.

A escalação inicial não mudou: a Inglaterra se manteve no 4-3-3 clássico, com um volante construtor, dois meias e dois pontas abertos para enfrentamentos individuais. As peças, no entanto, fizeram o time funcionar de forma diferente.

A linha defensiva foi composta por Quansah, zagueiro, improvisado na lateral-direita, e O’Riley, joia do Manchester City, na esquerda. Os zagueiros foram Dan Burn e John Stones. E a movimentação dos defensores foi o diferencial.

Bellingham em Albânia x Inglaterra
Bellingham em Albânia x Inglaterra (Foto: Icon Sports)

Stones fez sucesso no Manchester City nos últimos anos sendo um zagueiro que subia para o meio-campo e se tornava um volante que ajudava na construção de jogo e até avançava durante a segunda fase de construção. Foi um dos principais jogadores do time na campanha que levou a equipe de Pep Guardiola ao título da Champions League, em 2023.

Tuchel repetiu a ideia de Guardiola com o zagueiro do City. Quansah, Burn e O’Riley — que geralmente avança para ser apoio no meio — formavam uma linha de três atrás de Wharton e Stones. Isso gerava uma saída em 3-2 e mantinha os dois meias, Rice e Bellingham, flutuando entrelinhas.

Apesar de interessante, a ideia não teve grande sucesso justamente pela forma como a Albânia defendia. O time de Sylvinho não subia pressão, deixava a bola com os zagueiros e os dois atacantes faziam sombra forte nos apoios centrais — além de se proteger dos meias ingleses entrelinhas. Com isso, a vantagem numérica que a Inglaterra teria com o 3-2 não existiu.

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Foden, Bellingham e mais testes na seleção inglesa

Recentemente, Tuchel comentou sobre o retorno de Bellingham e Foden à equipe e qual seria a posição dos dois. Pelo que indicou, o treinador entende que ambos são camisas 10 e, por isso, disputam a mesma posição: um dos meias do 4-3-3, geralmente à direita.

Bellingham começou e teve momentos de bons passes em profundidade na área, além de corridas para atacar as costas da defesa. Foden entrou no segundo tempo, mas não substituiu o jogador do Real Madrid.

Na verdade, Foden entrou no lugar de Rice e jogou junto de Bellingham. O meia tem sido crucial para o Manchester City também em momentos mais baixos da construção, ajudando na saída de bola, mas em jogos em que Tuchel precise de ainda mais criatividade em curto espaço, usá-lo com meia do Real pode ser uma boa opção.

Os gols, no entanto, não vieram por meio de nenhum dos testes, mas sim em algo que tem sido carro-chefe de muitos times da Premier League: cruzamentos. De escanteio, uma bola rasteira na pequena área encontrou Kane quase dividindo com o goleiro para marcar o primeiro gol do jogo. Depois, em um cruzamento dos três quartos, Rashford encontrou o camisa 9 pelo alto atrás dos zagueiros para o segundo.

A Inglaterra dominou a partida, principalmente no segundo tempo, mas teve dificuldade de ser letal. Eze teve uma chance clara desperdiçada, assim como Saka. O time de Tuchel chegou na área, colocou a Albânia na roda, mas precisou de lances isolados e da categoria de Kane para vencer.

Foto de Guilherme Ramos

Guilherme RamosRedator

Jornalista pela UNESP. Vencedor do prêmio ACEESP de melhor matéria escrita de 2025. Escreveu um livro sobre tática no futebol e, na Trivela, escreve sobre futebol nacional, internacional e de seleções.

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