InglaterraPremier League

Ídolo, capitão e o último dos senadores: saída de Terry marca o fim de uma era no Chelsea

“Não será o final de um conto de fadas. Eu não vou me aposentar no Chelsea”. A declaração de John Terry pegou todos de surpresa. Porque embora seus últimos contratos tenham sido de apenas um ano, há muito tempo parece impossível de imaginar o clube de Stamford Bridge sem seu capitão e o grande zagueiro inglês jogando bola com outra camisa. Isso acontecerá a partir da próxima temporada.

LEIA MAIS: Atenção: Hazard fez seu primeiro gol na temporada. Mas o destaque do Chelsea foi o Oscar

Terry, 35 anos, no Chelsea desde 1995, quando saiu do West Ham ainda adolescente, afirmou depois da goleada por 5 a 1 sobre o MK Dons, pela Copa da Inglaterra, que foi comunicado pela diretoria que seu contrato, que termina ao final da temporada, não será renovado. “Demorará alguns dias para eu superar isso”, disse. “O clube seguirá em frente. Nenhum jogador é maior que o clube. Idealmente, eu adoraria ter ficado, mas o clube está indo para uma direção diferente”.

O zagueiro tem seis meses para o seu circuito de despedida, e a Copa da Inglaterra é a melhor chance de ir embora campeão, como foi tantas vezes nos seus 18 anos como profissional do Chelsea, desde quando o clube ainda era considerado um dos médios da Inglaterra até ganhar quatro títulos ingleses, cinco FA Cups, três Copas da Liga e uma Champions League, todas com Terry.

Passou por altos e baixo. Se foi o líder de uma das melhores defesas que a Premier League já teve, nos primeiros anos de Mourinho em Stamford Bridge, também desperdiçou pênalti na decisão da Liga dos Campeões de 2008, estava suspenso na final europeia vencida pelo Chelsea em 2012, perdeu a braçadeira de capitão da seleção inglesa por uma acusação de racismo e foi preterido por Rafa Benítez durante a temporada do espanhol no banco de reservas.

Uma montanha-russa natural quando estamos falando de duas décadas de futebol. A sobrevida da carreira de Terry veio com Mourinho, que apostou no zagueiro em que sempre confiou quando voltou ao Chelsea. Foi recompensado, com juros e correção monetária: Terry atuou em todos os minutos das 38 rodadas da campanha do último título inglês. Como todos os companheiros, caiu de rendimento nesta temporada, mas sabe que ainda tem lenha para queimar.

O torcedor do Chelsea, porém, pode ficar tranquilo: ele prometeu que, ao contrário de Lampard, que até marcou no ex-clube pelo Manchester City, não tem nenhuma intenção de defender outro time inglês. “Eu não poderia fazer isso com a torcida do Chelsea. Certamente será em outro lugar. Estou jogando bem e ainda tenho alguns anos pela frente. A única coisa é que será em outro lugar. Infelizmente, não será aqui”, afirmou.

Ninguém gosta de demitir tantos treinadores quanto Roman Abramovich (com exceção de alguns dirigentes brasileiros). E a dificuldade para um técnico dar certo em Stamford Bridge era muitas vezes creditada à influência que os jogadores mais importantes da equipe, muito próximos do dono, exerciam nos vestiários. Os senadores Frank Lampard, Didier Drogba e John Terry, o último a ir embora.

Além disso, com a saída de Petr Cech para o Arsenal, a próxima temporada será a primeira em que o Chelsea não terá nenhum atleta que venceu a primeira Premier League da era Abramovich, um claro sinal de renovação e um simbólico fim para uma era dourada para o clube.

Terry, porém, ainda pode voltar ao Chelsea. Assim como Drogba, Lampard e outros ídolos. Só que não para jogar bola. “Nós (ele e a diretoria) conversamos sobre o meu legado e sobre voltar ao clube quando eu me aposentar. Eu quero voltar ao Chelsea como um torcedor daqui a alguns anos, com os meus filhos, e ver o time indo muito bem. Infelizmente, não será comigo no time”, encerrou o maior zagueiro da história do clube de Stamford Bridge.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo