InglaterraPremier League 2026/27

Há exatos 20 anos, Wenger era anunciado como o novo técnico do Arsenal

Quando Arsène Wenger começou a fazer as malas para partir em direção ao Highbury, a primeira pergunta que muitos torcedores do Arsenal se fizeram foi: “Quem diabos é este cara?”. A segunda, bem, provavelmente tenha sido se o clube o contratou como técnico pela proximidade entre seu primeiro nome e como o time se chama. A terceira talvez pudesse ser se o novato cumpriria seu contrato de três anos ou o rescindiria, como fez no Nagoya Grampus Eight, equipe da J-League que comandava antes de chegar aos Gunners. Aí que veio a surpresa: Wenger não só não desfez o acordo, como também o renovou por mais três, seis, nove… 20 anos.

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Faz exatas duas décadas que o Arsenal decidiu apostar em um nome até então desconhecido no futebol inglês e denominar o francês dos óculos redondos como o novo técnico do clube. Wenger vinha respaldado principalmente por seu trabalho à frente do Monaco, no qual passou sete anos, conquistando um título da Ligue 1 e outro da Copa da França. No entanto, algumas dúvidas resistiam, especialmente por estar no futebol japonês – badalado na época, mas em níveis abaixo do Inglês. À sua frente estava o desafio de não deixar cair em um fosso uma das equipes mais tradicionais e vitoriosas da Inglaterra. E não demorou muito para que ele dissipasse toda e qualquer dúvida sobre sua nomeação. Tampouco demorou para que os jogadores perceberem que estavam sendo comandados por um técnico com um estilo singular e nunca antes aplicado no país onde a semente do futebol foi plantada.

A fase não era boa quando Wenger pousou em Londres. Poucos dias antes de ter seu nome anunciado, os Gunners haviam sido derrotados pelo Borussia Monchengladbach em casa, o que culminou na eliminação da então Copa da Uefa logo na primeira etapa da competição. Além disso, jogadores importantes passavam por calvários pessoais, como Tony Adams, que lutava para se recuperar do alcoolismo. Estava tudo de ruim para péssimo. No um ano e sete meses que antecedeu a chegada de Wenger, quatro treinadores haviam transitado pelo Arsenal. Em 1994/95, a equipe que havia sido campeã quatro anos anos antes e estava sempre na disputa pelo título da Premier League ficou em 12º lugar na tabela. Ou seja, ao mesmo tempo que a vinda do francês era cercada por algumas incertezas, ela trazia a esperança de dias melhores em Highbury.

“Eu acho que o Arsenal é um clube com um grande potencial. Acho também que o futebol inglês está crescendo e que a liga nacional é uma das mais importantes do mundo. Então eu acho que este vai ser um grande desafio para mim, o de ser, talvez, o primeiro francês a ir lá e tentar ser bem-sucedido”. Estas foram as primeiras palavras de Wenger como técnico do Arsenal. E duas temporadas depois, o “tentar” se transformou em “ser”, com a conquista de seu primeiro título da Premier League. Era só o pontapé inicial no quesito troféus. Até o momento, foram 15, apesar do jejum de mais de uma década no Inglês. Mas Wenger sempre foi mais do que resultados e triunfos.

Vários jogadores se consagraram em suas mãos, a exemplo de Patrick Vieira, Thierry Henry e Cesc Fàbregas. O talento do treinador para elevar o status de alguns de seus atletas é evidente. Além disso, sua postura como manager do clube costuma agradar os donos do Arsenal, embora muitos torcedores já tenham esgotado sua paciência com isso. Vinte anos no comando não deveria garantir vida eterna a Wenger no Emirates. Mas vale ao menos o reconhecimento de alguns dos grandes momentos que viveu em Londres, não sem um tom crítico que deveria ser natural e compreensível a qualquer profissional.

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Foto de Nathalia Perez

Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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