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Há 26 anos, United era negociado por valor que hoje não pagaria Schneiderlin

Se quisermos ter uma dimensão do quanto o futebol cresceu financeiramente nas últimas décadas, um ótimo exemplo para isso é o caso do Manchester United. Há 26 anos, o clube era negociado por apenas £ 20 milhões com o milionário Michael Knighton. Valor inferior, por exemplo, ao que o clube pagou no mês passado para assegurar a contratação de Morgan Schneiderlin, do Southampton, que chegou ao clube de Old Trafford por £ 24,5 milhões. O negócio acabou não indo para a frente, mas propicia essa comparação e ainda gerou um episódio curioso para quem acompanhava o time à época.

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O negócio acabou não indo para a frente, mas chegou a ser aceito pelo clube e, na época, foi a maior aquisição de um clube inglês. Martin Edwards, dono do time por 25 anos, já havia quase vendido os Red Devils por £ 10 milhões em 1984, e sua falta de popularidade entre os torcedores o fez tentar novamente o negócio em 1989. Knighton apareceu como alternativa. Ofereceu £ 20 milhões e tinha um planejamento para transformar o clube em uma potência mundial. Prometia reformar o Old Trafford e capitalizar em cima da história do clube em uma época em que esse pensamento ainda não permeava o futebol.

Antes de o negócio ir para o ralo, Knighton eternizou na memória de quem acompanhava a estreia do United na temporada de 1989/90 uma cena um tanto quanto pitoresca. Diante de 50 mil pessoas, o empresário entrou no campo do Old Trafford, todo uniformizado, e começou a fazer embaixadinhas, se apresentando para a torcida como o novo dono do clube. Contratado para aquela temporada, Neill Webb, ex-meio-campista inglês, descreveu, em entrevista ao Telegraph, as cenas bizarras daquele dia. “Tínhamos ouvido sobre a compra, mas aí esse cara chega no vestiário antes do jogo, apresenta-se como o novo dono e então pede por um uniforme. Pensamos que ele queria se juntar a nós no aquecimento, e eu não pude acreditar quando ele correu para o campo e chutou a bola na rede em frente à Stretford End. Foi hilário, de verdade, inacreditável. Ele simplesmente decidiu que queria ir lá e ter sua própria aparição.”

Ainda hoje, Knighton é convidado para falar sobre o episódio. Em texto escrito para a revista FourFourTwo, no ano passado, por exemplo, reconheceu que aquele mico passou a definir sua vida dali em diante, mas afirmou que se tivesse a oportunidade de se expôr mais uma vez de tal maneira no gramado do Old Trafford, faria isso sem hesitação. “É um dia do qual jamais vou me esquecer. É também um dia em que o meu exibicionismo arbitrário foi apreciado por alguns e odiado por outros”, brinca.

Posteriormente, a valorização do Manchester United como marca foi notável. Apenas dez anos depois, por exemplo, o clube recusava uma proposta de £ 680 milhões do magnata Rupert Murdoch, e a venda acabou acontecendo em 2005, com a família Glazer adquirindo a equipe por £ 790 milhões. Recentemente, em relatório da Brand Finance, divulgado neste ano, o Manchester United conseguiu a marca de primeiro clube de futebol com a marca avaliada em mais de US$ 1 bilhão (£ 634 milhões). Qual o limite para os clubes de futebol?

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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