Inglaterra

Giggs viveu de perto a era Ferguson, mas conta que foi com Van Gaal que aprendeu a ser técnico

Um dos maiores símbolos do que é o Manchester United forte e dominante dirigido por Alex Ferguson está representado em Ryan Giggs. O camisa 11, habilidoso e inteligente, era um ponta veloz, mas nunca foi só isso. Parte do time da Classe 92, o galês despontou nos anos 1990 e brilhou nos gramados ingleses. Defendeu apenas os Diabos Vermelhos ao longo da sua carreira de 22 anos.

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A única outra camisa que vestiu profissionalmente foi da seleção galesa, que ele agora dirige, como técnico. E sobre essa função, o ex-jogador atribuiu uma grande importância a Louis van Gaal, treinador que passou pelo Manchester United e de quem ele foi auxiliar técnico. O galês assumiu a função ao lado do técnico holandês após encerrar a carreira, na temporada 2013/14 – que, aliás, ele terminou como jogador/treinador, depois da demissão de David Moyes, em abril daquele ano de 2014.

Aquela experiência, aliás, foi suficiente para tentá-lo a seguir esse caminho e tornar-se um treinador em tempo integral. Foram quatro jogos que Giggs dirigiu como treinador interino do Manchester United, com duas vitórias, um empate e uma derrota. Foi ali o ponto de partida do que viria depois do final da sua carreira em campo.

“Foi uma experiência incrível, incrível, e algo que realmente me fez tomar a decisão que eu queria me tornar um técnico. Eu diria que até ali eu estava em dúvida. Eu me senti confortável. Eu senti conforto no processo de tomada de decisão. Me senti confortável na tomada de decisões. Me senti confortável naquela posição. Foi uma experiência brilhante”, contou o ex-jogador ao podcast do Manchester United.

Foi dali que ele recebeu o convite do clube, com o aval de Louis van Gaal, para assumir um cargo na comissão técnica na temporada seguinte. O tempo de trabalho com Sir Alex Ferguson foi enorme, desde a sua estreia, em 1991, até a aposentadoria do treinador, em 2013. O galês conta que aprendeu muito com ele, mas foi só com Van Gaal que ele entendeu o que é ser treinador.

“Quando você está jogando, você não sabe sobre a preparação. Você não sabe o que o técnico viu nos vídeos. Os jogadores assistem a sete ou oito minutos do adversário, mas a comissão técnica assiste a horas e horas. Então é completamente diferente, mesmo que tenha trabalhado com um técnico por tanto tempo”, comentou o ex-camisa 11 do United.

“Foi mais um tipo de gestão de pessoas e as diferentes coisas que Sir Alex fazia que eu aprendi, enquanto com Louis obviamente eu vi em primeira mão diferentes sistemas, as razões para isso e as razões para aquilo. Foi realmente uma boa experiência”, contou o atual treinador da seleção galesa.

“É por isso que eu falo sobre Louis em relação a como sou treinador, porque na verdade tive dois anos nas reuniões, assumindo responsabilidades, e eu falo com carinho dele porque foi realmente meu primeiro papel como treinador”, disse o galês.

Aos 46 anos, Giggs ainda é novo na profissão. O seu trabalho como treinador de Gales começou em janeiro de 2018, depois de passar cerca de sete meses como analista de desempenho na Uefa, enquanto tirava mais das suas licenças de treinador. Atualmente, ele tem a Licença A, a segunda mais alta. Mas está tirando o nível mais alto, enquanto dirige a seleção galesa, que assumiu em janeiro de 2018.

“Eu ainda estou tirando a minha Licença Pro, mas estando na verdade no trabalho, tendo que tomar decisões, toda pressão que você se submete, não dá para se preparar para isso”, disse ainda Giggs.

O pouco tempo de trabalho não impede que Giggs tenha conseguido algo importante: classificou a seleção do país para a Eurocopa de 2020 – que foi adiada para 2021. O time dirigido por Giggs ficou no Grupo E e se classificou para o torneio ao ficar em segundo lugar, atrás da vice-campeã mundial, Croácia, e ‘a frente de Eslováquia, Hungria e Azerbaijão.

Na Eurocopa, Gales caiu no Grupo A, junto com Itália, Turquia e Suíça. Uma chave difícil para os comandados do ex-jogador do Manchester United, que terá a sua primeira competição de grande porte para mostrar o trabalho como treinador. E carrega uma responsabilidade, já que Gales foi semifinalista na edição de 2016. Os galeses, liderados por Chris Coleman só caíram na semifinal, para Portugal, que seria o campeão.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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