Giggs relembra em detalhes o icônico gol contra o Arsenal na Copa da Inglaterra em 1999: “Foi puramente instintivo”
Ryan Giggs escreveu um longo e vitorioso capítulo na história do Manchester United, onde atuou por 24 anos, e o golaço contra o Arsenal na semifinal da Copa da Inglaterra de 1998/99 ficou marcado como uma de suas cenas mais simbólicas. A arrancada potente, os dribles rápidos e precisos, a finalização impiedosa… Uma combinação perfeita, na prorrogação, para levar o United à final da competição e possibilitar a conquista da sonhada tríplice coroa. Este lance completou 21 anos nesta terça-feira, e o galês o comemorou relembrando a façanha em entrevista à Sky Sports.
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Giggs afirmou que o tento foi “puramente instintivo”: “Eu não tinha nada em mente, só corri com a bola, tentando passar pelo oponente que se colocasse à minha frente. De repente, eu estava na área, e aí decidi chutar. O Scholes estava livre dentro da área, gritando para eu tocar, mas eu nem o vi. Foi simplesmente instintivo. Normalmente, eu teria visto o jogador livre na área, mas ali eu só pensava em chutar”.
Em retrospecto, Giggs analisa que a presença de dois defensores em certo momento do lance facilitou as coisas, em vez de atrapalhar, porque cada um achava que o outro é quem iria dar o bote: “Nenhum deles fez isso, e, se fosse só o Patrick Vieira em cima de mim, ele provavelmente teria tomado a bola. Ele viu o Lee Dixon na minha frente e deve ter pensado que o time já tinha feito a cobertura. Também estava na prorrogação, então talvez o Patrick estivesse cansado, enquanto se fosse nos primeiros minutos, ele teria partido pra cima de mim sem pensar duas vezes”.
Foi a tempestade perfeita para que Giggs anotasse um dos gols mais icônicos da história do Manchester United. Um presente das circunstâncias que veio em boa hora ao galês.
“Eu tinha saído do banco e estava fazendo uma partida dos pesadelos, na verdade. Tinha entregado a bola duas vezes para o adversário e dito para mim mesmo: ‘Ryan, na próxima vez que você pegar a bola, dá um drible’. Naquela hora, estávamos com um a menos, e eu tinha decidido partir pra cima da defesa”, recorda.
O jogador a menos, aliás, foi uma grande baixa: Roy Keane havia levado o segundo cartão amarelo aos 29 minutos do segundo tempo, por falta em Overmars, apenas cinco minutos depois de Bergkamp empatar o jogo em 1 a 1 – Beckham havia inaugurado o placar aos 17 do primeiro tempo.
O Arsenal tinha a vantagem numérica, o empurrão de ânimo de ter buscado o empate e ainda criava perigo. De quebra, nos acréscimos, os Gunners tiveram um pênalti a seu favor, podendo definir a classificação. Porém, Schmeichel defendeu a cobrança de Bergkamp, que até então nunca tinha desperdiçado um pênalti pelo time de Londres. Aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação, por fim, o gol salvador de Giggs deu fim ao jogo.
Todo esse pano de fundo, junto com a beleza e a explosão de Giggs no lance que definiu o histórico duelo, ajudam a explicar a comemoração igualmente emblemática do camisa 11. O ex-jogador brincou que já ouviu perguntas sobre a comemoração na mesma proporção que sobre o gol em si.
“Foi uma comemoração que eu nunca tinha feito antes e nunca fiz depois. Eu era bem entediante nas minhas comemorações, com uma mão levantada, correndo, mas isso mostra o quão grande foi aquele jogo e como as emoções estavam à flor da pele. Teve muito a ver com a rivalidade que tínhamos com o Arsenal na época.”
Com aquele triunfo, o United foi à decisão da FA Cup daquele ano, e a vitória por 2 a 0 sobre o Newcastle na final, com gols de Sheringham e Scholes, foi o passo que precedeu a heroica noite em Barcelona, onde os Red Devils bateram de virada o Bayern de Munique, nos acréscimos do segundo tempo, para celebrar a tríplice coroa.



