Gerrard teve possivelmente seu último grande momento na Premier League contra o Chelsea

Antes do jogo contra o Chelsea que poderia decidir a sobrevivência do Liverpool na briga pela vaga na Champions League, José Mourinho colocou Gerrard em evidência. Exaltou os feitos do camisa 8 e revelou que, por onde passou, sempre quis levar o ídolo dos Reds consigo. Contentou-se em ter o inglês apenas como adversário e, neste domingo, durante o empate em 1 a 1 entre as duas equipes, viu seu reconhecimento ao oponente se espalhar nas arquibancadas do Stamford Bridge, que ficou de pé para aplaudir Stevie G em sua saída de campo. Uma das últimas grandes cenas de Gerrard na Premier League.
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O duelo valia muito mais para o Liverpool do que para o Chelsea. Já campeões, os Blues jogavam apenas pelo duelo em si, para poder se vangloriar de uma vitória contra um adversário tradicional. Para os Reds, que foram a campo sete pontos atrás do quarto colocado Manchester United, valia a continuidade do sonho de alcançar uma vaga para a Liga dos Campeões para a próxima temporada. Apesar da motivação ser muito maior para os comandados de Brendan Rodgers, foram mesmo os de Mourinho que tomaram a dianteira. Em cobrança de escanteio de Fàbregas, Terry subiu mais alto que a defesa do time de Merseyside e, aos cinco minutos de partida, abriu o placar de cabeça.
O Chelsea manteve o domínio do jogo nos 20 minutos seguintes, tocando com paciência a bola à espera de uma brecha na defesa do Liverpool. Ela não veio, e, em vez disso, foram os Reds quem passaram a crescer, avançando no campo e começando a criar chances de gol. A resposta definitiva veio apenas aos 44 minutos, com Gerrard, também de cabeça, igualando o marcador.
Empolgado pelo gol no fim do primeiro tempo, o Liverpool voltou do intervalo com bastante volume de jogo e exercendo uma pressão impressionante sobre o Chelsea nos 15 minutos iniciais da segunda etapa. A mudança no panorama da partida fez até Mourinho levar a campo Matic, para ajudar a conter as ofensivas dos Reds – o time londrino foi a campo inicialmente com uma equipe mista.
Se o primeiro tempo já havia sido interessante, o segundo tempo foi elétrico. Com Coutinho, Lallana e Sterling o Liverpool chegava rápido ao ataque, mas em contrapartida tinha dificuldades para parar as subidas de Hazard e, principalmente, Willian, que em diversas oportunidades levou a melhor sobre a marcação de Glen Johnson, improvisado na lateral esquerda. O grande volume de jogo e as diversas chances criadas acabaram não se convertendo em gols, e o placar do primeiro tempo foi mesmo o resultado final. Talvez o mais próximo a que o Liverpool chegou de, de fato, conseguir a virada foi um chute fraco de Coutinho, desviado por Cahill, que quase enganou Courtois.
A grande história do jogo poderia ter sido sobre como os Reds conseguiram acabar com a invencibilidade do Chelsea em casa nesta Premier League, sobre como bateram os já campeões ingleses para manter vivo o ainda difícil sonho da vaga na Champions. Nada disso se concretizou, e a grande cena do duelo ficou em torno de Gerrard mesmo. Além de ter feito o gol do Liverpool, o capitão foi aplaudido de pé pelo Stamford Bridge quando, aos 34 do segundo tempo, retirou a braçadeira, a entregou a seu sucessor Henderson e deixou o campo para a entrada de Lucas Leiva.
Se durante todo o jogo a torcida dos Blues não perdeu a oportunidade de tirar sarro do ídolo do Liverpool pelo emblemático lance do escorregão da temporada passada, na hora em que o camisa 8 encerrava sua participação no duelo, o que se viu foi respeito. Respeito a quem já fez muito pelo futebol inglês, a quem diretamente contribuiu com a seleção e com a imagem da Premier League, a representando muito bem em 2005, por exemplo, na conquista da Champions League. Se o que Mourinho objetivava com suas declarações durante a semana era criar uma atmosfera familiar para Gerrard no Stamford Bridge, a torcida do Chelsea entendeu bem seu recado. Gerrard partirá para os Estados Unidos ao fim da temporada, deixando uma legião de fãs entre os torcedores do Liverpool e uma boa porção de admiradores entre os rivais.



