InglaterraPremier League

Gerrard merecia um jogo melhor no seu provável último dérbi de Liverpool

Não foi um jogo ruim, mas a ocasião era especial. Pedia terno e vestidos longos. Steven Gerrard provavelmente disputou o seu último clássico contra o Everton, alguns meses antes de se mudar para Los Angeles. E apesar de relativamente movimentado para um 0 a 0, com algumas chances de gol, a partida empolgou poucas vezes. O camisa 8 merecia um jogo melhor na sua despedida do dérbi de Liverpool.

LEIA MAIS: Sem saber, repórter entrevista ex-goleiro do Liverpool sobre jogo de que ele participou

Ele próprio não contribuiu muito para isso. No geral, os jogadores não estavam nos seus dias mais inspirados tecnicamente. Houve vários erros de passe e finalizações. Das 17 que o Liverpool protagonizou, apenas seis acertaram o alvo. Das seis do Everton, apenas uma, no final da partida, que poderia ter mudado a história do jogo.

Por alguns centímetros, Gerrard não deixou o campo do seu provável último dérbi (os times ainda podem se encontrar no mata-mata da Liga Europa) com o gol da vitória. Uma cobrança de falta no primeiro tempo dirigia-se ao ângulo, mas o goleiro Robles estava bem posicionado para espalmar. A outra grande chance desse período foi em uma jogada linda de Jordan Ibe, 19 anos, com um petardo da intermediária que acertou a trave.

O Everton defendia-se com primor, uma boa notícia para a equipe de Roberto Martínez, muitas vezes vazada nesta temporada. É o quarto pior sistema defensivo da Premier League ao lado de Crystal Palace, Sunderland e Hull City. Para o Liverpool, o lado bom foi justamente a sua nova geração. Porque se Gerrard está se despedindo do dérbi, Ibe foi apresentado ao sempre importante jogo entre os dois times da cidade.

Não houve contratações na janela de janeiro para o Liverpool. A única movimentação foi o retorno de Ibe, que estava emprestado. E o jogo deste sábado não foi apenas o seu primeiro clássico, mas também a primeira vez que foi titular pelo clube vermelho no campeonato. Não parecia. Ibe jogou como um experiente. Foi incisivo na ponta direita, acertou a trave, fez outras boas jogadas e ganhou o prêmio de melhor em campo da Premier League. Outro membro dessa geração, Sterling não esteve tão bem, muito fominha. Levou os companheiros à loucura duas ou três vezes porque preferiu a finalização a passar a bola para um colega mais bem posicionado.

Rodgers também errou. Tirou Coutinho para colocar Sturridge no segundo tempo e perdeu sua principal fonte de criatividade. O jogo, cuja tônica era o Liverpool com a posse de bola e pressionando o Everton, ficou mais na correria, e o adversário cresceu. Quase castigou. Aos 41 minutos do segundo tempo, uma bola cruzou a área e caiu nos pés de Barkley pela direita, que chutou para linda defesa de Mignolet.

O Liverpool ainda teve duas chances, com Gerrard da entrada da área e com Lambert chutando de virada, mas nada de espetacular, como, na verdade, foi o clássico inteiro. Um jogo duro, nervoso (houve um desentendimento entre Henderson e Naismith), que coloca pressão no sorteio da Liga Europa, caso os dois clubes avancem, para colocá-los frente a frente em um mata-mata decisivo. Porque Gerrard, com tanta história nesse jogo, merece um último dérbi mais emocionante e marcante, independente do resultado.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo