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Forlán diz que Ferguson é o maior da história e explica por que não haverá outro como o escocês

Diego Forlán passou apenas duas temporadas no Manchester United e, durante este período, não foi um titular absoluto dos Red Devils. O clube inglês foi o seu primeiro na Europa, após cinco ótimos anos no Independiente, da Argentina, e a frustração deve ter sido grande de não conseguir se fixar na equipe. Ainda assim, ao lembrar de Alex Ferguson, o uruguaio tem apenas palavras boas para descrever o antigo treinador e como foi a experiência de trabalhar com o escocês, para ele “o maior treinador da história”. Atualmente defendendo o Peñarol, o veterano mantém uma coluna no site do jornal The National, de Abu Dhabi, e dedicou o texto desta quarta-feira ao antigo chefe, ressaltando sobretudo a impossibilidade de outro técnico repetir o que Ferguson conseguiu. Em parte pelo gênio que considera que o escocês foi; em parte porque não há, no futebol atual, paciência para tanto.

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Ferguson assumiu o comando do Manchester United em novembro de 1986 e apenas ao final da temporada 1989/90 conseguiu seu primeiro título pelo clube, a Copa da Inglaterra. A paciência com o escocês logo começou a ser recompensada: em 1993, veio a primeira Premier League; em 1999, a primeira Champions League, junto com a tríplice coroa. Na década de 1990, o escocês implementou de vez sua cara ao time, e as histórias dos dois a partir de então passaram a se confundir. O United, como é reconhecido hoje, só existe por causa do treinador, e para Forlán ninguém conseguirá repetir seu feito ou igualar sua grandeza de agora em diante por causa da cultura de imediatismo.

“Não consigo imaginar outro treinador permanecendo por tanto tempo e vencendo tantos troféus no futebol como o Ferguson. Vejo a demanda por troféus sendo instantânea. Não haverá a paciência que permitiu ao Ferguson quatro anos (de trabalho) antes que vencesse seu primeiro troféu. O que significa que nunca haverá outro Ferguson”, escreve o uruguaio. “Uma coisa que as pessoas ignoram quando olham para o atual time do United é o quanto Sir Alex Ferguson era um gênio. Treinadores têm seus times comparados ao de Ferguson – o que é difícil, porque ele é o maior treinador da história”, define, em outro trecho.

Todos conhecem a galeria de troféus do técnico, sabem de sua capacidade de vencer jogos importantes mesmo com as escalações mais improváveis e se lembra de como ele não precisava de reforços caros e estelares a cada temporada para se manter no topo. O que Forlán traz a público para mostrar de quais outras maneiras Ferguson se diferenciava da média dos treinadores é algo interno, que apenas alguém que viveu com o escocês no dia a dia poderia revelar: “O Ferguson tirava tempo para aprender sobre seus jogadores e suas famílias, e isso era ótimo. Eu sempre acreditei que eu tive seu apoio, que eu poderia ir até ele. Não estive sempre feliz por não estar jogando, mas eu entendi que ele tinha muitos jogadores para escolher”.

Forlán conta um episódio curioso que mostra como Ferguson tinha a sensibilidade de saber diferenciar seu tratamento com os jogadores de acordo com as circunstâncias deles, neste caso, Cristiano Ronaldo e Ferguson. “Ele percebia que jogadores individuais eram diferentes e queria que todos eles se acomodassem. Quando Cristiano Ronaldo e Kléberson chegaram em 2003, ele foi inteligente com eles. Antecipou que, sendo jovens, sentiriam saudade de casa e tentou lhes dar folgas para voltar para casa – talvez dez dias na Ilha da Madeira e no Brasil”.

O uruguaio até reconheceu que sentiu inveja da folga dada aos então recém-contratados, mas que mesmo isso não foi problema porque estava claro o que Ferguson estava fazendo. “Senti inveja, porque eu também queria ver minha família no Uruguai, mas eu não estava genuinamente com saudade de casa. Em janeiro, a ideia de estar com minha família na praia, em Punta del Este, me seduziu, mas eu não fui, e o Ferguson não achava que eu precisava ir. Acabei marcando alguns dos meus melhores e mais importantes gols pelo United naquele mês de janeiro.”

Forlán foi contratado por Ferguson em 2002 e, desde o princípio, notou o zelo com que trabalhava o treinador, algo que, 14 anos depois, ainda não encontrou novamente em sua carreira. “Ferguson me levou pessoalmente para dentro do Old Trafford e me mostrou as coisas. Ele conhecia tudo e todos. Nunca tive isso com outro treinador desde então.” Vale a pena conferir o texto de Forlán na íntegra, em inglês, clicando aqui. As palavras de alguém que não teve sucesso no United sob o comando do escocês ajudam a dar uma dimensão ainda maior à obra do treinador ao longo de quase três décadas.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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