Ferguson errou em apontar Moyes como sucessor, mas não reconhece culpa por temporada desastrosa
David Moyes foi um grande fracasso no Manchester United, e, se há alguém para se culpar por essa empreitada mal-sucedida, essa pessoa não é Alex Ferguson. Pelo menos é o que defende o próprio Ferguson, na atualização de sua autobiografia. O jornal Guardian publicou nesta terça-feira alguns trechos do novo conteúdo do livro, em que o ex-treinador comenta sua saída e o desempenho do time na temporada passada. Apesar de não ser tão duro nas palavras, Fergie se defendeu das críticas de que ele teria parte da culpa pela campanha desastrosa de 2013/14 e afirmou que Moyes sentiu a diferença de trabalhar para um clube como o Manchester United após tantos anos de Everton.
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Durante a temporada passada, foi comum ouvir na imprensa inglesa que Moyes havia herdado um time envelhecido, em declínio, e que seria preciso muito trabalho do sucessor para reverter a situação. Ferguson respondeu a essas críticas, afirmando na atualização de seu livro que não tinham sentido algum e que Moyes “não percebeu o quão grande como clube era o United” e que o salto do Goodison Park para o Old Trafford foi muito grande.
Apesar dessa observação, Ferguson não reconhece erro no apontamento de Moyes como seu sucessor. O escocês voltou a bater na tecla de que a decisão foi bastante pensada: “Parece haver uma visão aceita por aí de que não houve processo. Besteira. Sentimos que fizemos tudo da maneira correta: quietamente, exaustivamente e profissionalmente”. Ele ainda revela que limitou ao máximo sua influência no clube e no vestiário durante o período e que não teve participação alguma na decisão pela demissão de Moyes – além de indicar que também não teve papel na contratação de Louis van Gaal para esta temporada.
Como já é sabido desde que Moyes assumiu, Ferguson voltou a falar que tentou manter membros da sua comissão técnica no trabalho e deu a entender que reformular completamente o corpo técnico não foi a melhor decisão. “Talvez o David tenha sentido que, em um clube tão imenso, ele tinha que cobrir todos os cantos com seu sistema de apoio. Eu sentia que a rede já estava lá, com muita gente boa já em papeis importantes”, escreveu.
O elenco herdado por Moyes no Manchester United tinha seus problemas a ser concertados, mas as críticas a Ferguson foram duras demais. Com o mesmo grupo, ele conseguiu ficar com o título em 2012/13, e para sair do primeiro lugar para o sétimo é preciso bem mais que um “envelhecimento” de elenco. A constatação feita por Ferguson de que sair do Everton para os Red Devils foi um salto muito grande para Moyes pode ser facilmente constatada nas várias entrevistas do último comandante do United, que parecia sentir que o clube lhe fazia um grande favor por contratá-lo. A postura foi quase sempre de subserviência, e a falta de um pulso firme foi fator importante para o mau desempenho – tanto é que o United apostou numa figura oposta com a contratação de Van Gaal.
Entretanto, nada disso apaga o fato de que, assim como errou em algumas de suas contratações nos quase 30 anos de Manchester, Ferguson errou na escolha de seu substituto. É uma análise anacrônica, é verdade, mas inevitável diante do tamanho do fracasso de Moyes.



