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Federação Inglesa relaxa regras para facilitar a contratação de jogadores estrangeiros pela Premier League

Os clubes da elite poderão levar até quatro jogadores que não cumprem as exigências do sistema de pontos - como Andrey Santos

Não se sabe se Andrey Santos teria sido muito utilizado pelo Chelsea, depois de ser contratado no último mês de janeiro. Simplesmente não haveria espaço para todo mundo em um elenco que parece mais um vagão de metrô na hora do rush. Mas ele nem teve a oportunidade de tentar porque não recebeu licença de trabalho e foi emprestado ao Vasco para melhorar a sua pontuação dentro do sistema do Reino Unido. A partir de agora, porém, isso não será mais tão necessário.

A Federação Inglesa de Futebol anunciou nesta quarta-feira novas regras para a concessão de licença de trabalho pelo governo britânico para jogadores de futebol estrangeiros que deve ajudar os clubes das quatro primeiras divisões a contratarem jovens talentos de outros países. Pelas novas regras, clubes da Premier League e da Championship podem assinar até quatro atletas que não cumprem a exigência de pontos, com dois disponíveis para equipes da League One e da League Two. As regras entram em vigor com a abertura da janela de transferências, nesta quarta-feira.

Quando o Reino Unido completou a saída da União Europeia, houve um impacto importante ao mercado dos clubes ingleses. Eles, por exemplo, passaram a não poder mais contratar jogadores europeus com menos de 18 anos e todos passaram a ser tratados como os sul-americanos, africanos e asiáticos sempre foram. Um novo sistema de licença de trabalho foi introduzido, com um esquema de pontos. Os caras precisam chegar a 15, com base em partidas por seleção principal e clube, na qualidade do time vendedor, na liga que ele disputa, posição na tabela, competições internacionais e minutos em campo – para uma visão detalhada, clique aqui.

Isso naturalmente restringiu o mercado para a liga mais rica do mundo e, segundo o The Athletic, a avaliação dos primeiros anos da nova regra chegou à conclusão de que as equipes ingleses ficaram em uma posição de desvantagem e que menos dinheiro acabou sendo espalhado pela pirâmide. Em uma reunião com os 20 integrantes da Premier League em setembro, houve apoio unânime para um relaxamento das regras, embora uma votação não tenha sido realizada.

Ainda de acordo com o The Athletic, o argumento é que, uma vez que o jogador atinge a pontuação necessária, o seu preço naturalmente fica maior. Clubes de outros países europeus podem chegar antes, contratar o talento bruto mais barato e depois revender aos ingleses – notoriamente ricos – por um bom lucro. Isso foi considerado um “imposto extra” na reunião que resultou em “dezenas de milhões” sendo sugados do futebol inglês e da economia britânica como um todo.

O CEO da Federação Inglesa, Mark Bullingham, estava na reunião. “Como a entidade administradora do futebol inglês, supervisionamos todo o ecossistema do futebol e queríamos criar um novo modelo que cumpriria os diferentes objetivos dos entes envolvidos em nosso futebol. Trabalhamos em proximidade com clubes e ligas e projetamos uma solução progressista que dará aos clubes acesso adicional a talento internacional e incentivará oportunidades para talentos ingleses”, disse.

A principal preocupação da FA é que o excesso principalmente de jovens estrangeiros diminua as oportunidades para talentos locais. No comunicado, ela afirma que a Premier League e a Football League (responsáveis pela segunda à quarta divisão) se comprometeram a “trabalhar com a FA para melhorar o caminho para jovens talentos ingleses” e que os resultados dessas mudanças, tanto o novo sistema de pontos quanto a promessa de incentivar o desenvolvimento de ingleses, serão analisados e podem levar a uma quantidade maior de exceções no futuro, “se elas estiverem funcionando”.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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