Inglaterra

Faltam técnicos no mercado

Na edição passada desta coluna, critiquei as diretorias de alguns times ingleses por escolherem mal os técnicos que contratariam – o que leva a maus resultados dentro de campo e, conseqüentemente, demissões com pouco tempo no cargo. O assunto, no entanto, merece uma segunda olhada. Afinal de contas, parece cada vez mais claro que as opções de técnicos disponíveis no mercado são parcas.

O caso do Wigan é o mais claro. O time havia efetivado o assistente Chris Hutchings na pré-temporada, e os resultados foram desastrosos. Ele foi corretamente demitido, mas agora a diretoria se mostra meio perdida na procura de seu sucessor. O primeiro nome a aparecer foi o de Paul Jewell, que treinou o time nas duas temporadas anteriores. Quando ele disse que não, acabaram-se as alternativas.

Hoje, o nome que circula com mais força na imprensa é o de Steve Bruce, que vem fazendo um trabalho não mais que razoável no Birmingham. Mas aí o problema só mudaria de endereço, já que os Blues não teriam quem contratar. Alex McLeish, atual técnico da seleção escocesa, também é cotado e seria ótima opção – mas faria uma grande besteira se abandonasse a Escócia neste momento, mesmo que o país não consiga ir para a Euro. Outro cotado é Paul Ince, que, com zero feitos como treinador, só comprova como faltam opções.

Os outros times trocaram de técnico recentemente comprovam o problema. O Bolton recorreu a Gary Megson, que fracassou em seu emprego anterior, por absoluta falta de opções. O Tottenham teve que pagar um caminhão de dinheiro para tirar Juande Ramos do Sevilla porque não havia nenhum candidato decente na Inglaterra. Outros times que estão mal, como o Middlesbrough, mantêm o treinador atual por não terem quem trazer. Dizem as más línguas que o Boro só estaria esperando Steve McClaren ser chutado da seleção. E, por incrível que pareça, McClaren seria mesmo a melhor opção realista para o Middlesbrough.

Olhando para os 20 times da Premier League, encontramos quatro tipos de técnicos. Primeiro, há os figurões, como Ferguson ou Wenger, que não são opções de contratação. Há aqueles rodados, que alternam sucessos e fracassos, como Megson ou Bruce. O terceiro tipo são os inexperientes, como Keane e Sanchez. Técnicos promissores mesmo, que os times adorariam contratar, são só três: Martin O'Neill, do Aston Villa, David Moyes, do Everton, e, em menor grau, Mark Hughes, do Blackburn. O problema é que, pela posição desses times na tabela, é difícil imaginar que algum deles deixaria o cargo para ir para algum time que não seja um dos quatro grandes. Martin Jol, ex-Tottenham, talvez seja a melhor opção para um time de médio porte que procura treinador.

Outra alternativa, que era mais comum antigamente, seria buscar treinadores promissores na segunda divisão. Mas, olhando para as opções disponíveis, essa seria uma aposta arriscada, para dizer o mínimo. No comando dos atuais seis primeiros colocados da Segundona, encontramos três técnicos que já foram rebaixados da Premier League (Adrian Boothroyd, Alan Pardew e Mick McCarthy – embora os dois primeiros não tenham tido muita culpa nas quedas de suas equipes) e três incógnitas (Tony Mowbray, Jim Magilton e Gary Johnson), que têm um ou outro bom resultado com nanicos, e nada mais.

Essa escassez de bons nomes reflete-se até na seleção inglesa. McClaren deverá ser demitido por não se classificar para a Euro. Quem viria para seu lugar? Os nomes cogitados, hoje, seriam Guus Hiddink, José Mourinho e Felipão. A única opção doméstica – para terror dos ingleses – seria o atual assistente Terry Venables.

Trata-se de um problema de difícil solução. Com os jogadores ganhando cada vez mais, diminui a motivação de atletas que se aposentam para virarem treinadores.Também não adianta falar, simplesmente, em dar melhor qualificação aos técnicos. Ou os times começam a arriscar mais com treinadores desconhecidos – mesmo sabendo que, na maioria das vezes, a aposta fracassará – ou, cada vez mais, a Inglaterra vai se tornar dependente de importações nessa área.

CURTAS

– A Inglaterra, que já precisava de um belo milagre para chegar à Euro-2008, viu sua situação ficar ainda pior.

– Wayne Rooney se contundiu (de novo!) e está fora do jogo contra a Croácia.

– Não custa lembrar que, além de vencer os croatas, a Inglaterra precisa torcer para que a Rússia não ganhe de Israel.

– O Manchester United contratou o teuto-ganense John Cofie, do Burnley, por aproximadamente € 600 mil.

– A notícia não teria nada demais, não fosse o fato de Cofie ter apenas 14 anos…

– Pior: Chelsea e Liverpool também estavam na disputa pelo jogador!

– O mundo do futebol está ficando meio maluco…

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Equipe Trivela

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