Ex-diretor do Tottenham diz que estatísticas fizeram Bale evoluir, mas não explica como
Harry Redknapp está longe de ser um ícone da criatividade técnica e tática. Por isso, quando Damien Comolli, ex-diretor de futebol do Tottenham, diz que não foi do treinador a ideia original de tirar Gareth Bale da lateral para deixá-lo no meio-campo, dá para acreditar. A questão é como o francês argumentou, e as perguntas que ele não respondeu.
Comolli é conhecido no futebol inglês por ser um adepto de análise de estatísticas avançadas como forma de descobrir aspectos ocultos do jogo, um princípio muito comum nos esportes americanos, sobretudo o beisebol. Assim, números desprezados ou desconhecidos podem revelar que um jogador é mais ou menos útil do que parece, que uma determinada formação tem melhor resultado em certas situações. E, segundo o dirigente, foi avaliando estatísticas que o clube percebeu que Bale renderia mais se atuasse adiantado. Redknapp não queria realizar a mudança e até teria sugerido a venda do galês, mas se viu obrigado a aceitar a troca.
O argumento até encaixa em princípio, mas algumas cornetadas são necessárias (mesmo que soem como pegação no pé). Comolli não explicou exatamente qual teria sido essa sacada estatística que revelou a verdadeira posição de Bale. Além disso, um observador mais atento perceberia como o galês tinha uma vocação ofensiva muito maior que defensiva, sobretudo depois de anotar gols decisivos contra Arsenal e Chelsea na mesma semana em abril de 2010. Por fim, o francês poderia justificar, à luz dos números avançados, o que justificou a contratação de Giovani dos Santos, Roman Pavlyuchenko e Adel Taarabt.
Não é desconfiança ou ceticismo em relação a estatísticas avançadas. Elas são realmente interessantes e provaram sua importância nos Estados Unidos. No entanto, para que elas vinguem no futebol, é preciso descobrir o modelo adequado para uso das estatísticas. E isso só acontecerá se houver mais exposição dos trabalhos e troca de ideias.



