Por que Everton quer renovação de Moyes e como ele levou o time à briga pela Europa
Renovação do vínculo deve ampliar a influência do treinador no recrutamento de atletas para a próxima temporada
O Everton já se movimenta para garantir a permanência de David Moyes. Após uma temporada de recuperação expressiva na Premier League, o clube pretende oferecer um novo contrato ao treinador no próximo verão europeu, consolidando sua segunda passagem como peça central no projeto esportivo.
Quando assumiu o comando, em janeiro, substituindo Sean Dyche, Moyes encontrou um cenário delicado: o time estava apenas um ponto acima da zona de rebaixamento. Meses depois, o panorama é outro. A equipe ocupa a oitava colocação e aparece a apenas três pontos das vagas que levam à Champions League.
A renovação de Moyes com o Everton
Inicialmente tratado como uma solução de curto prazo pela nova gestão liderada por Dan Friedkin, o treinador de 62 anos rapidamente mudou a percepção interna. O grupo proprietário, que também controla a Roma, passou a enxergá-lo como o nome ideal para conduzir o clube a um novo ciclo.
Segundo o jornal inglês “The Guardian”, as conversas formais devem ocorrer apenas ao fim da temporada, mas há confiança de que o acordo será selado. Um novo vínculo, inclusive, pode ampliar a influência de Moyes no recrutamento, algo que marcou sua primeira passagem pelo clube, entre 2002 e 2013.
Apesar do cenário positivo, o treinador mantém cautela publicamente: “Não estou muito preocupado com isso, estou bem”, afirmou recentemente.

E se a notícia da renovação reflete o impacto imediato de Moyes, o desempenho dentro de campo explica por que o Everton deixou de olhar para baixo na tabela e passou a mirar a Europa.
- - ↓ Continua após o recado ↓ - -
O segundo ato de Moyes no Everton: pragmatismo moderno e identidade tática
O escocês trouxe de volta uma de suas principais virtudes: a capacidade de estruturar equipes competitivas a partir de organização e leitura de elenco. Mas, desta vez, com adaptações claras ao futebol contemporâneo.
O Everton costuma se organizar em um 4-3-3 na fase ofensiva, com um volante responsável por iniciar as jogadas e dois meio-campistas mais avançados ocupando espaços entrelinhas. Essa estrutura garante equilíbrio: a equipe mantém uma base sólida, mas com opções de progressão pelo centro.
A construção não é excessivamente elaborada. Moyes prioriza eficiência e isso se reflete na alternância entre saídas curtas e ligações diretas, dependendo da pressão adversária.
Nesse contexto, Jordan Pickford assume papel crucial. Além de participar como apoio na saída, ele é uma arma com seus lançamentos longos, capazes de acelerar transições e quebrar linhas com poucos toques.

Um dos pilares do Everton de Moyes é a verticalidade. A equipe frequentemente busca bolas longas em direção a Beto, explorando sua força física para ganhar duelos e gerar segundas jogadas.
Essa abordagem reduz o tempo de exposição à pressão rival e transforma o ataque em um cenário de disputa territorial. A partir dessas bolas, o time se organiza para atacar as sobras, com meias e pontas atacando o espaço.
Pontas invertidos, ocupação dos meios-espaços e cruzamentos com presença massiva na área
Outro elemento importante está no comportamento dos extremos. Jogadores como Iliman Ndiaye tendem a buscar o interior do campo, ocupando os meio-espaços. Esse movimento desorganiza a defesa adversária e abre corredores para as ultrapassagens dos laterais.
Pelo lado esquerdo, isso se traduz em uma dinâmica clara: Ndiaye fecha por dentro, enquanto Vitalii Mykolenko avança com agressividade pela faixa lateral.
Já pelo lado direito, o comportamento muda. Jack Harrison mantém amplitude, enquanto Jake O’Brien atua de forma mais conservadora, frequentemente compondo uma linha de três na base da jogada.
Essa assimetria transforma o sistema em um 3-2-2-3 em fase ofensiva, um ajuste fino que equilibra cobertura defensiva e presença no ataque. Moyes mantém uma característica histórica: o jogo pelos lados. O Everton aposta fortemente em cruzamentos, seja após sobreposições dos laterais ou em bolas levantadas de zonas intermediárias.
"The crowd made it feel like a big game. It was a brilliant atmosphere and felt more like Goodison than any other game.
"Big thank you to the support for the part they played."
– David Moyes 💙 pic.twitter.com/nQoZQxEgDA
— Everton (@Everton) March 21, 2026
A diferença está na ocupação da área. Em vez de apenas um ou dois jogadores, o time costuma colocar quatro ou cinco atletas atacando o espaço, aumentando as probabilidades de finalização ou aproveitamento de rebotes.
Organização defensiva e pressão ajustável
Sem a bola, o Everton é versátil. A equipe se organiza em um 4-4-2 compacto, reduzindo espaços entre linhas e dificultando a progressão rival. Em cenários de maior pressão, pode recuar para um 5-2-3, reforçando a última linha.
Além disso, Moyes introduziu momentos de pressão alta com encaixes individuais. A ideia é simples: pressionar agressivamente o portador da bola e forçar erros em zonas perigosas. A intensidade varia conforme o adversário, mas a estrutura está bem assimilada.
A combinação entre pragmatismo, adaptação ao elenco e ajustes táticos específicos explica a ascensão do Everton. Moyes não apenas estabilizou a equipe, ele a reposicionou competitivamente.
E, diante desse cenário, a renovação deixa de ser apenas um reconhecimento: torna-se um passo lógico para sustentar um projeto que voltou a mirar o topo.



